Suíça – Pequeno país, Grande experiência – parte 2

Por Vitoria Fischer Schilling

Foi no pequeno país de cerca de 7 milhões de habitantes que vivi momentos únicos, visitei lugares maravilhosos e aprendi muito. Um país repleto de cultura, pronto para ser conhecido e explorado, rico em detalhes, em beleza e tradições.

A Fantástica Fábrica de Chocolates (e queijo)

Quem nunca sonhou em comer chocolate à vontade até não poder mais? Eu tive a oportunidade de visitar uma fábrica de chocolate na Suíça, e sim, comer até não agüentar mais. E ainda depois aproveitar para visitar um local onde se produz queijo, para degustar um pouco do tal famoso queijo suíço.

Em uma manhã de junho, acompanhada por uma amiga suíça e uma russa peguei um trem e dois ônibus até chegar na estação que nos levaria em outro pequeno trem até um vilarejo chamado Broc, no centro do país. Esse transporte ocorria em horários determinados, e tinha um objetivo específico: levar os visitantes até o local onde a fábrica de chocolate da marca Cailler é localizada. Chamar a ida até lá de ‘experiência única’ é pouco, porque eu realmente me senti como se estivesse dentro da “Fantástica Fábrica de Chocolate” do filme. Com um pouco menos de fantasia, é claro.

Ao descer do trem uma leve brisa tocou meu rosto, e o cheiro de chocolate impregnou cada centímetro ao meu redor. Conforme caminhava e me aproximava da fábrica o cheiro aumentava – o número de turistas também. Esperava conhecer um pouco sobre chocolate suíço e talvez experimentar algum. Mas o que me aguardava lá dentro não era apenas muita informação e um ou dois chocolates para degustação: era uma sala inteira, todos os tipos de chocolate que você pode imaginar – e muito mais.

Os turistas podiam comer chocolate à vontade. Só que foi nessa hora que entendi o truque do cheiro de chocolate: depois de alguns pedacinhos do doce, você já estava tão enjoado do cheiro que nem queria comer mais. E é claro, não podia colocar na bolsa e levar pra casa. Me forcei a experimentar quase um de cada sabor, e saí de lá não podendo mais ver chocolate na frente por algum tempo.

Voltamos para o trem para fugir da “Cidade de Chocolate”, quase agoniadas com a demora para sair de lá – não ter mais cheiro de chocolate no ar foi um alívio. E então fomos para uma cidade lá perto, onde uma outra fábrica nos esperava.

Como eu já falei em outro texto, a base da alimentação suíça é batatas, chocolate e queijo. E nossa, MUITO queijo. E eu fui conhecer a origem disso tudo: uma fábrica que contava, em quase todos os idiomas, a história do queijo no país e como funcionava sua produção, passo a passo. Aparelhos modernos eram entregues para nós na entrada do passeio, e eu pude sintonizar para receber a explicação em português – que no final das contas acabou ficando meio chata e eu fiquei trocando para outras línguas, por mais que não entendesse muita coisa do russo ou do mandarim que estava sendo falado.

Depois de aprender muito sobre o queijo (mais do que eu precisava na verdade), achei que iríamos para uma sala para degustar todos os tipos, como havia sido na fábrica de chocolate. Mas nesse lugar eles eram um pouco mais modestos, e apenas nos deram uma sacolinha com quatro tipos de queijo para experimentar – aí entendi porque não tinha o cheiro de queijo no ar.

Carnaval, Natal e Festividades

Se você pensava que o Carnaval é muito celebrado somente no Brasil, leia o texto a seguir com bastante atenção. O carnaval na Suíça é um evento muito comemorado, mas ao contrário daqui, o que vemos não são pessoas com pouca roupa aproveitando a praia no verão, mas sim muita união da população em tradições que já vêm de muitos anos.

Em uma fria manhã de fevereiro acordo com uma ligação de outras intercambistas, detalhe que eram quatro da manhã, dizendo que em breve me buscariam em casa para irmos às ruas celebrar o tal “Fasnacht”, ou o carnaval dos suíços. Às quatro e meia eu estava pronta na frente de casa, vestida do jeito que a minha família hospedeira havia dito: roupas brancas, gorro branco, um lenço vermelho no pescoço e um sino de vaca bem grande – lembrando que na Suíça todas as vacas usam sinos no pescoço (nos meus primeiros dias por lá eu não conseguia dormir à noite por causa do barulho dos sinos das vacas que ficavam lá fora. Mas depois acostuma).

Cheguei na cidade de Solothurn, e percebí que não era somente eu que estava com aquela roupa meio estranha: Todos estavam. E não eram somente sinos, mas panelas e tochas de fogo. O motivo disso? Comemorar e fazer muito barulho para espantar o frio – e que frio! Centenas de pessoas caminhavam pelas ruas fazendo um barulho insuportável, mas rindo muito, bebendo e criando uma atmosfera que realmente ajudava a espantar aquela temperatura abaixo de zero. A caminhada durou pouco tempo, talvez porque ninguém agüentasse o barulho por mais de alguns minutos, e fui com meus amigos para um bar, às 6 da manhã, para esperar o horário de ir para a escola.

Às 8 horas fomos todos para a aula. Eu tinha uma roupa reserva na mochila, é claro. Para não passar a vergonha de ir com aqueles trajes para a escola. Quando cheguei lá, porém, me surpreendi que o pessoal todo ainda estava com as roupas do Fasnacht, e no final das contas fui eu que acabei ficando deslocada com trajes normais.

Quando a aula da tarde acabou, fomos todos juntos para o centro de Solothurn, para ver o que eles chamavam de Carnaval. Eu, acostumada com o nosso carnaval do Brasil, pensava que ia ser uma coisinha de nada, mas estava errada.

Uma produção à altura do carnaval do Rio (exceto que no calor do Rio de Janeiro ninguém aguentaria vestir tais roupas…), e desfiles que me deixaram quase boquiaberta e me ensinaram a lição de nunca subestimar as tradições dos outros países.

No final das contas, tive o melhor carnaval da minha vida por lá. E eu que achava que o carnaval do Brasil é que era legal…

Falando em comemorar, tive a chance de pela primeira vez passar um Natal no frio de verdade, e ver neve durante as comemorações de final de ano. Lá na Suíça o Papai Noel tem motivo para usar aquelas roupas para frio. Lá as pessoas comemoram com pinheiro e presentes também, só que algumas coisas são diferentes. A ceia da minha casa, por exemplo, foi salmão defumado com pão e bolachinhas de Natal que nós mesmos fizemos.

A preparação para o Natal durante o mês de dezembro é muito especial, e para mim mais especial ainda. Todos os dias, quando saía da escola já estava escuro (pois eram cinco da tarde no inverno), e eu ia passear pelo centro da cidade só para ver a decoração de Natal e sentir aquele clima maravilhoso. Foi em um desses passeios que senti a neve caindo de verdade, e enquanto ouvia música com meus fones mal conseguia acreditar na sorte que eu tinha por estar lá. A saudade do pessoal no Brasil era enorme, mas a felicidade por viver tudo aquilo era maior ainda. As lojas estavam todas decoradas, e as luzinhas iluminavam o meu caminho até a estação de trem naquele frio que congelava quase até os fios de cabelo.

As feiras de Natal também acontecem com muita freqüência, e nelas se encontra de tudo, desde enfeites de Natal até utilidades em geral. São um momento para as pessoas se encontrarem, trocarem algumas palavras, e seguirem em frente com suas compras, às vezes sequer se importando com o frio que fazia por ali.

Confira também:

Parte 1 – Os pequenos vilarejos Suíços, alguns costumes e culinária Suiça

Em breve, a terceira parte desta aventura na Suiça com::

-O inverno na Suiça

-A Suiça de bicicleta

-Cidades Suiças

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