Indústria agroalimentícia coloca a saúde pública em risco, segundo a ONU

Em uma reunião sobre doenças não transmissíveis, a Organização das Nações Unidas destacou o número de mortes por essas doenças e Dilma pediu reforço para preveni-las.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Em reunião de cúpula realizada à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta segunda-feira, dia 19, a ONU fez acusações a indústria agroalimentícia. A reunião contou com a participação da Organização Mundial de Saúde – OMS destacando os números de mortes por doenças não transmissíveis e Dilma Rousseff falando sobre diabetes e hipertensão.

Segundo a OMS, 36 das 57 milhões mortes registradas no mundo anualmente são por doenças transmissíveis como diabetes, problemas respiratórios crônicos, câncer e hipertensão. Esses números ainda devem aumentar 17% no mundo na próxima década, com aumento de 24% só na África. “Existe uma história vergonhosa e bem documentada de certos atores na indústria que ignoram a ciência e, inclusive, sua própria pesquisa. Deste modo, colocam a saúde pública em situação de risco para proteger seus interesses”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

A diretora da OMS, Margareth Chan, destacou as doenças ocasionadas pelo sal, gorduras não saturadas, açúcar e cigarro. “Nós nos manifestamos por mudanças no modo de vida e as regras rígidas para o uso do tabaco”, garantiu a diretora. “Os alimentos preparados ricos em sal, gorduras saturadas e açúcar se converteram nos novos alimentos de primeira necessidade em quase todos os cantos do mudo. Para um número crescente de pessoas são a forma mais barata para encher o estômago que tem fome”, acredita Margareth. Ainda segundo ela, os governos devem levar em conta que o aumento mundial destas doenças é um desastre e tomar alguma atitude.

Já a presidente Dilma Rousseff, pediu à ONU um aumento nos esforços para a prevenção e tratamento das doenças não transmissíveis. “As perdas em produtividade e os custos ocasionados nas famílias e no sistema unificado de saúde equivalem a 1% de nosso PIB”, diz Dilma. A presidente recorda que isso representa um enorme custo humano e material e ainda afirma que 72% das mortes não violentas no Brasil estão vinculadas a este tipo de doença. “A desproporcional incidência entre os mais pobres prova a necessidade de uma resposta global a este problema”, ressaltou Dilma.

Na reunião, Dilma também enumerou as iniciativas lançadas pelo seu governo como a distribuição gratutita de medicamentos para a população que sofre de diabetes e hipertensão. Foram distribuídos medicamentos em 20 mil farmácias públicas e também particulares. “Nos primeiros sete meses de meu governo, este esforço alcançou 5,4 milhões de brasileiros, triplicando o número de pacientes beneficiados”, conta a presidente.

A reunião sobre doenças não transmissíveis foi a primeira importante na agenda da Assembleia Geral anual da ONU em Nova York.

Informações de portal R7

FOTO: Ilustrativa / gettyimages

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