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TCU aprova, com ressalvas, contas de 2012 do governo Dilma

Tribunal pediu que governo identifique melhor gastos do Brasil Sem Miséria. Relator criticou atrasos no PAC e baixo investimento em infraestrutura.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

O Tribunal de Contas da União – TCU, aprovou nesta quarta-feira, dia 29, com ressalvas, parecer do relator José Jorge pela aprovação das contas de 2012 da gestão da presidente Dilma Rousseff. O parecer ainda será enviado para discussão e votação do Congresso Nacional.

Nas ressalvas, o tribunal fez 41 recomendações de mudanças a ministérios e órgãos da Presidência. Entre as recomendações, está “a correta identificação” da execução orçamentária do plano Brasil Sem Miséria, que prevê transferência de renda a famílias com renda per capita inferior a R$ 70.

Na análise das contas de 2012, o TCU informou que analisou políticas públicas, previstas no Plano Plurianual (PPA 2012-2015) nas áreas de educação, saúde, desenvolvimento regional, infraestrutura e previdência.

Superávit primário

O relator do processo, José Jorge, destacou que a principal ressalva foi a feita ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, sobre o pagamento de dividendos. A questão gerou polêmica no fim do ao passado, após o governo turbinar a poupança para pagar os juros da dívida, o chamado superávit primário.

O governo só atingiu a meta, de R$ 139,8 bilhões, ao repassar ao Tesouro Nacional, dinheiro da Caixa Econômica Federal (R$ 4,7 bilhões), do BNDES (R$ 2,3 bilhões) e do Fundo Soberano (R$ 12,4 bilhões).

“É um dos números mais importantes da economia. O cálculo está sendo afetado por uma série de despesas que não estão sendo computadas. [Transferir valores] não é ilegal, mas mascara o superávit primário. é numa receita que não existe, é uma espécie de manobra contábil.”

Não há obrigação por parte do governo federal de cumprir os pedidos feitos pelo TCU nas ressalvas. Somente o Congresso teria possibilidade de fazer determinações com sanções.

Críticas à atuação do governo

O relator destacou, durante a apresentação do parecer, que o governo federal continua atrasando as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O atraso, porém, não faz parte das ressalvas do parecer.

“No PAC, observou-se que atrasos nas obras de infraestutrura continuaram a ocorrer. […] Isso posterga a redução de gargalos que tanto afetam a produção agrícola e industrial brasileira”, afirmou José Jorge.

O ministro também apontou “baixo investimento” federal na área de transportes. Segundo o relator, o Brasil investiu 0,5% do Produto Interno Bruto – PIB, na área – segundo ele, outros países emergentes aplicam até 6%.

José Jorge também classificou como “baixo” o investimento do Brasil na área de saúde pública, em comparação com outros países desenvolvidos. Ele destacou que os repasses feito a municípios mais pobres são baixos e não contribuem para a redução das desigualdades regionais no país.

Inflação

O relator e outros ministros do TCU manifestaram preocupação com o aumento da inflação. Para o ministro Aroldo Cedraz, “inflação baixa é conquista dos brasileiros e deve ser considerada patrimônio a ser preservado”.

Cedraz destacou ainda que, para ele, é “incipiente” a integração intersetorial de órgãos do governo, o que prejudica as políticas públicas. O ministro José Múcio destacou que é preciso  evitar “inchaço desnecessário das contas públicas”, o que, segundo afirmou, pressiona a inflação.

“Ciente das correlações entre a qualidade do gasto público e a inflação é dever do tribunal sugerir mudanças nas políticas. […] É preciso propiciar crescimento econômico sem o risco de a inflação sair do controle.”

Informações de Portal G1

FOTO: reprodução / sindilegis

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