Sem ser “abatido à bala”, Carlos Lupi deixa cargo no Ministério do Trabalho

Ex-ministro entregou pedido de demissão alegando “perseguição política e pessoal da mídia”, em que não teria tido direito de defesa.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Depois de dizer que só sairia do cargo “abatido à bala”, Carlos Lupi não é mais ministro do Trabalho. Sua assessoria de imprensa informa que o pedido de exoneração foi apresentado neste domingo, dia 04.

O secretário-executivo da pasta, Paulo Roberto Pinto, fica em seu lugar interinamente. Lupi é o sétimo ministro a não completar o primeiro ano do mandato da presidente Dilma Rousseff, e o sexto a cair após denúncias de irregularidades. Sua trajetória teve início em março de 2007, quando Luiz Inácio Lula da Silva era o presidente do país. Permaneceu no cargo por indicação do PDT no governo Dilma. O agora ex-ministro alega “perseguição política e pessoal da mídia”.

Por meio de nota à imprensa, justificou-se: “Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa – decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável.”

O ex-jornaleiro que se diz herdeiro do brizolismo deixa o cargo com a marca de milhões de empregos atingidos. Durante sua gestão no Ministério do Trabalho, colheu números altos na criação de empregos formais por conta do forte ritmo de crescimento da economia brasileira e da formalização de microempreendedores. Entre 2007 e outubro de 2011, foram criados mais de oito milhões de empregos com carteira assinada.

Denúncias de propina e

acúmulo de cargos públicos

As denúncias contra o ministro Lupi começaram há cerca de um mês, no começo de novembro, com a informação de que haveria um esquema de cobrança de propina de ONGs contratadas para capacitar trabalhadores. Em 12 de novembro, reportagem da revista Veja informou que ele teria utilizado um avião alugado por um empresário dono de ONG, que, por sua vez, tem contratos com o Ministério do Trabalho. Até hoje, ainda não foi esclarecido quem pagou pelo avião.

Além disso, outra denúncia, de que ele teria trabalhado, durante cinco anos, na Câmara Municipal do Rio e, ao mesmo tempo, seria funcionário-fantasma na Câmara dos Deputados, também complicou sua situação. A Procuradoria-Geral da República diz que acúmulo de cargos públicos, em tese, é crime.

Lupi também deixa a pasta após a Comissão de Ética da Presidência da República ter recomendado sua demissão. Para os integrantes, as explicações do ministro do Trabalho não foram satisfatórias, pois ele não conseguiu informar quem pagou pelo avião particular usado por ele em uma viagem ao Maranhão, em 2009.

Antes de Lupi, já deixaram o cargo Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Agricultura) e Orlando Silva (Esportes).

Informações de portal G1

FOTO: reprodução

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