Especialistas analisam discurso de Dilma Rousseff

Conforme professor de ciência política, reformas como a tributária e a política dependerão de disposição, sem “desistir no meio do caminho”.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Na manhã desta segunda-feira, dia 03, foram exibidas no programa Bom Dia Brasil as opiniões de dois professores de ciência política, acerca dos principais trechos do primeiro discurso da presidente Dilma Rousseff.

Francisco Fonseca, da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, e Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa em São Paulo – Insper-SP, apontaram os principais desafios.

No discurso de posse no Congresso Nacional, Dilma disse que vai se empenhar para melhorar o Sistema Único de Saúde – SUS. “Vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro. O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura”, afirmou.

A presidente elegeu uma prioridade para o seu mandato: “A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos”.

“É um discurso de desenvolvimento, de igualdade, de distribuição de renda e de reforço à democracia”, analisa o professor de ciência política Francisco Fonseca.

“Acho que há uma tendência de algum afastamento em relação ao Irã. Acho que nós podemos começar um diálogo novo com Estados Unidos, com o presidente Obama”, observa o professor Carlos Melo, professor de política do Insper-SP. “Aliás, chamou a atenção o cuidado e a simpatia no encontro com Hillary Clinton na hora em que as autoridades internacionais foram cumprimentar a presidente recém empossada. Acho que, na América Latina, o Brasil tende a fazer um esforço de continuar sendo o motor econômico e político da América Latina”.

Reformas enfrentam resistência

Dilma Rousseff afirmou que as reformas política e tributária são necessárias e devem ser feitas o quanto antes.

“É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. Na política, é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia”, disse a presidente.

“Quanto à reforma tributária, já houve vários remendos, mas jamais uma reforma, porque também há muita oposição, sobretudo dos grupos privilegiados”, acrescenta Fonseca.

“São duas reformas de intensa negociação, com muita resistência para que sejam feitas. Vai depender, sobretudo, da firme disposição de procurar fazê-las, e não desistir no meio do caminho”, observa Carlos Melo.

Responsabilidade fiscal e social

Dilma Rousseff vai comandar uma das economias que mais crescem no mundo, mas os especialistas dizem que o ritmo do crescimento em 2011 deverá ser menor. A presidente poderá logo no início do governo mandar cortar gastos e aumentar os juros para conter a inflação.

“Já faz parte, aliás, da nossa cultura recente, a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres”, afirmou a presidente Dilma Rousseff.

“Responsabilidade fiscal deve conviver com responsabilidade social. Não basta um país ser solvente do ponto de vista econômico e suas crianças morrerem de fome. Acho que isso está muito presente no discurso da presidenta Dilma”, aponta Francisco Fonseca.

A presidente disse que é possível conciliar desenvolvimento e preservação ambiental: “Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente sem destruir o meio ambiente”. Fonseca ainda opina que “isto é possível ser feito. Mas, para isso, precisa ter planos, projetos e sensibilidade social e ambiental”.

Informações de Bom Dia Brasil

FOTO: reprodução / Fabio Rodrigues Pozzebom-ABr

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Um comentário

  1. Ronaldo de Souza Costa
    3 de janeiro de 2011

    Existe uma contradição claríssima entre o projeto socializante do SUS aprovado na Constituição Federal e a prática no planejamento e financiamento da saúde!
    A Constituição diz que a iniciativa privada pode participar do SUS em caráter complementar. Mas hoje o setor privado recebe aproximadamente 70% dos recursos da saúde, e o público 30%. Portanto há um impasse claro na inversão do financiamento, onde setor público sub-financiado é o sujeito complementar em relação ao setor privado, mas é o que tem a obrigação de fazer. A paralisia do Governo se apequena diante dos arranjos político-partidários dos donos de hospitais privados conveniados com o SUS. E não existe MPF, CGU, TCU ou qualquer outro órgão de controle que aponte este motivo para impeachment. Não foi bem vinda a fala da presidenta de manter esta relação público-privado, o que significa que nada vai acontecer de transição paradigmática na compreensão e solução dos problemas de saúde.

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