Imprensa estrangeira critica mudança no Código Florestal

Efeitos de uma possível concessão de anistia aos fazendeiros foram abordados em artigo de um jornal de economia da Grã-Bretanha, por exemplo.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

O jornal espanhol El País traz uma reportagem sobre a mudança do Código Florestal na edição desta quinta-feira, dia 26. O título? “Brasil outorga a impunidade aos desmatadores da Amazônia”.

Leia Mais

Código Florestal aprovado pela Câmara muda lei ambiental em vigor desde 1965

Deputados aprovam novo Código Florestal

A matéria adota um ponto de vista crítico à aprovação e ressalta que a medida é mais uma “vitória do setor rural sobre o ambiental”. “Mais uma vez fica claro quem manda no Brasil quando os interesses dos latifundiários estão em jogo”, escreve o correspondente do jornal no Rio.

“O todo poderoso setor agropecuário brasileiro mantém sob controle a Câmara dos Deputados através de uma densa rede de apoio nos partidos majoritários, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT), do governo. Mais do que nunca ficou claro o poder de pressão que o campo brasileiro continua tendo nos despachos de Brasília”, afirma.

Para o correspondente do jornal, “as imagens do Congresso após a polêmica votação eram inquietantes: dezenas de deputados se abraçando eufóricos e fazendo o sinal de vitória” (foto).

“Na mesma manhã, o Brasil se despertava com a notícia do assassinato, a tiros, do líder ambientalista João Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa, ambos os ativistas mortos pela preservação do Amazonas. Da Silva havia denunciado que sofria ameaças de morte por parte de madeireiros e pecuaristas do Pará, onde vivia. Os mesmos que provavelmente brindaram à aprovação do novo código.”

Críticas repercutem fora do país

O relato do jornal espanhol ilustra o tom crítico adotado na maioria dos artigos veiculados na imprensa européia e americana sobre o assunto. Na Grã-Bretanha, o jornal The Independent titulou: “Corte e queima: Brasil rasga a lei que protege as suas florestas”. O periódico britânico dedica ao tema uma dobra de página e uma fotomontagem com imagens e gráficos, indicando que “a Amazônia segue ameaçada”.

Como outras publicações, o Independent se debruça sobre os efeitos de uma possível concessão de anistia aos fazendeiros que, no passado, desmataram suas terras em maior escala que o permitido pela legislação. A reportagem cita o renomado ambientalista Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, ouvido pela agência Associated Press.

“A proposta de anistia dá continuidade a uma longa tradição brasileira, de legalizar o ilegal. As pessoas acham que podem desmatar ilegalmente porque mais cedo ou mais tarde serão perdoadas”, diz Fearnside. A mesma declaração é reproduzida também no espanhol ABC, para quem os deputados “ignoraram as pressões dos ecologistas e passaram como um trator sobre a opinião pública”.

Jornais econômicos também

abordam polêmica

O tema também mereceu espaço em dois dos principais jornais econômicos da imprensa estrangeira, o estadunidense Wall Street Journal e o britânico Financial Times. O diário nova-iorquino comenta que a mudança da lei é “uma vitória para os grandes produtores e pecuaristas do Brasil”.

“A presidente brasileira, Dilma Rousseff, adotou uma plataforma pró-desenvolvimento e geralmente se alia com os produtores em vez dos ambientalistas. Porém, membros de seu governo dizem que a legislação, aprovada na forma atual, vai muito longe”, observa o WSJ.

Já o FT ressaltou que a “legislação ambiental alimenta temores pela Amazônia”. O diário ventilou a visão dos ambientalistas de que as mudanças no Código Florestal podem ameaçar as exportações agropecuárias do país. “Sob o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as autoridades conseguiram reduzir o ritmo de destruição da Amazônia através do monitoramento via satélite”, escreve o jornal.

“Os ambientalistas argumentam que a implementação mais rigorosa da lei beneficiou os exportadores dos principais produtos brasileiros, incluindo soja e carne, que podiam alegar com credibilidade que não estavam produzindo em áreas desmatadas ilegalmente.”

Informações de portal R7

FOTO: reprodução / ABr

Compartilhar

EUA: Número de mortos por tornado chega a 117 e é classificado como o mais mortal em 60 anos

Avançar »

Preso o homem mais procurado da Europa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Blue Captcha Image
Atualizar

*