EUA não acreditariam na culpa ou risco de mais da metade dos presos de Guantánamo

Há casos em que nem sequer o governo sabe os motivos pelos quais o preso foi transferido para a prisão localizada em Cuba.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Um conjunto de mais de 700 documentos secretos divulgados pelo WikiLeaks mostra que o governo dos Estados Unidos não acreditavam seriamente na culpa ou risco no caso de quase 60% dos prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, conforme o jornal espanhol El Pais.

Os documentos foram elaborados durante o governo de George W. Bush e se referem a avaliações de 759 dos 779 presos que passaram pelo local, feitas por militares entre fevereiro de 2002 e janeiro de 2009. Repassados a jornais como o próprio El Pais, além do New York Times (Estados Unidos), Guardian (Reino Unido) e Le Monde (França), os memorandos revelam um sistema baseado em delações de outros detentos, suspeitas e conjecturas, sem regras claras, e que não necessitava de provas para manter uma pessoa presa.

De acordo com o El Pais, o governo americano acabou determinando que 83 presos não representavam qualquer risco, e sobre outros 77 foi dito que era “improvável” que fossem uma ameaça para o país ou seus aliados. Assim, ao menos um em cada cinco detentos foi conduzido à prisão de forma arbitrária. Ainda segundo o jornal, outros 274 presos foram vistos como “talvez” um perigo.

Os materiais – que tinham a finalidade de recomendar se o preso deveria continuar detido, ser libertado ou transferido – mostram que os prisioneiros foram classificados de acordo com a qualidade das informações que podem prover e o risco que representam para a segurança americana, independentemente de serem inocentes ou culpados. São três níveis: o mais alto, para quem “provavelmente” é “uma ameaça para os EUA”; o médio, para quem “talvez” represente; e o baixo, para quem é “improvável” que seja um risco – nível em que os presos chegaram a ficar oito ou nove anos na prisão.

Lugar errado

na hora errada

A maioria dos 172 que continuam presos foi classificada como de “alto risco” caso saiam da prisão sem reabilitação e supervisão adequadas. Ao menos 150 dos presos eram afegãos e paquistaneses inocentes, incluindo motoristas, agricultores e cozinheiros, que foram detidos durante operações de inteligência em zonas de guerra.

Muitos destes permaneceram detidos durante anos devido a confusões de identidade ou simplesmente por terem estado no lugar errado na hora errada. Há casos em que nem sequer o governo sabe os motivos pelos quais o preso foi transferido para Guantánamo, e outros em que concluiu que o detento não representava perigo algum: um idoso de 89 anos com demência senil e depressão que morava em um complexo onde apareceu um telefone por satélite, um pai que foi buscar seu filho; um comerciante que viajava sem documentação; e um homem que pedia carona para comprar remédios.

Ainda de acordo com os memorandos, cerca de um terço dos 604 detentos que já foram enviados para outros países também foram catalogados como de “alto risco” antes de serem libertados ou entregues a outros governos.

Presos revelam planos e governo

classifica publicação como “infeliz”

Os documentos também revelaram detalhes de supostos planos de ataques terroristas a alvos no Reino Unido e nos Estados Unidos. Em interrogatórios, os presos teriam mencionado a suposta existência de uma arma nuclear a ser detonada na Europa em caso de prisão do líder da rede extremista al-Qaeda, Osama Bin Laden.

Entre outros supostos planos, estaria o de impregnar o sistema de ar condicionado de edifícios públicos americanos com cianeto, um veneno mortal, e recrutar militantes no aeroporto londrino de Heathrow, o mais movimentado da Europa.

O governo americano criticou a decisão da mídia internacional divulgar “informações delicadas” e classificou a publicação como “infeliz”.

“É lamentável que diversas organizações de mídia tenham tomado a decisão de publicar numerosos documentos obtidos ilegalmente pelo WikiLeaks sobre a prisão de Guantánamo”, disse o embaixador Daniel Fried, assessor especial do governo Obama para detentos.

A prisão de Guantánamo foi criada em 2002 pelo então presidente Bush para abrigar presos da guerra no Afeganistão, em resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001.

Informações de O Globo

FOTOS: divulgação

Compartilhar

Entrada no raio de 20 quilômetros ao redor da usina de Fukushima está legalmente proibida

Avançar »

Casamento Real: União do príncipe William com a plebéia Kate Middleton movimenta milhões em apostas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Blue Captcha Image
Atualizar

*