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Acampamento Esperança abrigou 1.500 jornalistas no Chile

Internet sem fio caindo, disputa por tomadas, textos sendo escritos no chão e lotação foram algumas das dificuldades enfrentadas pela imprensa.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Um dia antes do resgate dos 33 mineiros no Chile, o acampamento Esperança – montado pelas famílias dos homens em agosto, quando ocorreu o acidente – estava lotado, em sua maioria por jornalistas.

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Falava-se entre 1.500, 2 mil deles. A contagem era feita pelo número de refeições servidas gratuitamente (nada no acampamento era vendido) durante o dia.

Acampados em barracas, trailers, dormindo nos carros ou em hotéis a pelo menos 50 km da mina, jornalistas eram vistos por todos os cantos – e era possível ouvir as mais diversas línguas.

Meios de pelo menos 33 países disputavam minutos de declarações das famílias. Filas de repórteres nas barracas dos parentes eram comuns. As histórias eram as mesmas, mas todos queriam algo novo.

Aí, qualquer simples movimento, como o ato de estender roupas num varal improvisado, era filmado, registrado, acompanhado como se fosse um grande evento. Eram amontoados de câmeras, microfones e pessoas ao redor de qualquer coisa que fugisse do “normal” na vida do acampamento.

Assediadas até o limite, algumas famílias chegavam a pedir uma “contribuição” para falar. Era comum ver um repórter chegar ao lado de um parente (identificado com uma credencial com uma faixa preta) e ser recebido com uma cara de enfado.
Nos últimos dias antes do resgate, os jornalistas foram avisados de que o restaurante do acampamento não poderia ser usado como local de trabalho para a imprensa. As famílias queriam comer em paz.

Mas, mesmo estando cansadas de dar as mesmas entrevistas mil vezes e de ter suas vidas expostas literalmente para o mundo todo, as famílias sabiam que a presença da mídia era importante. “Estamos cansados, mas devemos muito aos jornalistas, que fizeram esse barulho todo para os mineiros serem ouvidos”, disse Luisa Lobos, irmã do mineiro Franklin Lobos.

Dificuldades da imprensa

Com tantos jornalistas por metro quadrado de deserto, pode-se imaginar a luta por um espaço na pequena sala de imprensa do acampamento. Os itens mais cobiçados eram as tomadas e as cadeiras – que sumiam na hora do almoço para serem usados no restaurante. Sobrava jornalista e faltava espaço. Não era difícil ver gente escrevendo de pé ou sentada no chão.

Outra dificuldade era a instabilidade da internet sem fio, que era xingada em vários idiomas quando caía no meio do envio dos textos.

O departamento de imprensa do governo até tentou organizar a chegada de todos semanas antes, enviando um formulário de perguntas para quem se manifestasse querendo fazer a cobertura. O problema é que havia muita gente que simplesmente chegava na mina sem avisar.

Apesar da lotação, não foi registrado nenhum incidente no acampamento, segundo a polícia. O clima na sala de imprensa era quase sempre descontraído, até nas altas horas da madrugada, depois de muitos dias mal dormidos. De noite, o frio acabava unindo jornalistas e familiares ao redor das fogueiras.

Na noite do resgate, a ânsia das câmeras chegou ao auge. Na tenda da família de Florêncio Avalos, o primeiro a ser retirado, não cabia nem mais um braço para tirar fotos. De última hora, o pai do mineiro recebeu uma autorização para ir até a mina e recebê-lo na saída. Foi o caos. A barraca caiu, e com ela vários jornalistas. Ninguém ficou ferido, mas foi por pouco.

Quando a cápsula com Florêncio subiu à superfície, o acampamento Esperança ferveu. E a emoção foi compartilhada por todos que estavam ali, abrigados no refúgio das barracas por dias, semanas e meses.

Informações de portal G1

FOTO: Giovana Sanchez/G1

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