Rio dos Sinos: Captação por arrozeiros volta a ser suspensa

Acordo do Comitesinos foi acionado nesta terça-feira em função do baixo nível do manancial no trecho de Novo Hamburgo. .

Felipe de Oliveira felipe@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Pela segunda vez desde que o acordo de intermitência foi firmado pelo Comitesinos, na última quinta-feira, os produtores de arroz estão impedidos de captar água do Rio dos Sinos para irrigar suas lavouras.

Leia Mais

Comitê amplia restrição a arrozeiros

A suspensão é por 48 horas e começou na terça-feira, dia 27, às 14 horas. Isto porque o nível do manancial, medido na base de captação da Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo, estava a apenas 66 centímetros acima da bomba. O acordado é que a captação é interrompida sempre que o nível baixa a menos de 72 cm.

Os arrozeiros estavam captando normalmente desde domingo, quando terminou a primeira determinação de suspensão emitida pelo Departamento de Recursos Hídricos (DRH) da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Ainda servem como parâmetro o nível na bomba do Serviço Municipal de Água e Esgoto de São Leopoldo (Semae), que não pode baixar a menos de 60 cm, e da Corsan, em Campo Bom, que deve ficar em 80 cm. O acordo anterior, que determina a suspensão total da captação até que os níveis mínimos sejam retomados, também segue em vigor: 50 cm no Semae, 60 cm na Comusa e 70 cm na Corsan.

Segundo o coordenador regional do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), José Gallego Tronchoni, todos os arrozeiros foram avisados da suspensão. “Os produtores estiveram na reunião do Comitesinos e estão conscientes de que é preciso respeitar o acordo”, argumenta o engenheiro agrônomo, em entrevista ao Portal novohamburgo.org. Ele explica que o momento é de manutenção da irrigação, que demanda menos água do que no início do plantio, por exemplo. Pelo menos 43 lavouras da região se beneficiam do Sinos.

O Consórcio Pró-Sinos, que reúne os municípios da bacia hidrográfica, defende fiscalização rigorosa. O diretor-executivo Julio Dorneles diz que na madrugada de sábado para domingo o manancial baixou 20 centímetros enquanto as bombas de captação dos arrozeiros deveriam estar desligadas. Ele pretende acionar o Ministério Público, a Polícia Civil e as secretarias de meio ambiente para que apertem o cerco, especialmente contra as lavouras que captam de forma irregular, sem autorização do DRH.

Qualidade também preocupa 

Além do risco da falta de água para o abastecimento público – Novo Hamburgo e São Leopoldo já aplicam planos de racionamento desde o início de dezembro – outro problema causado pela escassez de chuva é a redução da qualidade.

Com a vazão baixa, a concentração de efluentes químicos e domésticos aumenta e a capacidade de autodepuração do rio diminui. Na terça, no trecho leopoldense, o mais poluído, a condutividade medida na água, que deve ser de no máximo 80 microSiemens por centímetro (µS/cm), estava em 195,7 µS/cm, o que indica a presença de metais pesados. A quantidade de oxigênio dissolvido na água era 1,6 miligramas por litro, sendo que o ideal é que fique acima de 5 mg/L.

FOTO: Felipe de Oliveira / novohamburgo.org

Compartilhar

Estância Velha ganha parada de ônibus ecológica

Avançar »

Ramarim comemora 50 anos

sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Blue Captcha Image
Atualizar

*