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Batalha dos Aflitos: Há cinco anos, Grêmio chocava o mundo do futebol

Personagens da partida que teve pênalti defendido e quatro tricolores expulsos relembram sensações daquele 26 de novembro.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Nesta sexta-feira, dia 26, o Grêmio comemora cinco anos desde a Batalha dos Aflitos, ocasião em que saiu da Série B depois de vitória contra o Náutico.

O Portal novohamburgo.org resolveu relembrar a epopéia e encontrou o resgate histórico feito pelo ClicEsportes, em que personagens da partida refazem o drama vivido pelo tricolor gaúcho. Confira:

Dilacerado por quatro cartões vermelhos, o Grêmio coloca o peso de uma temporada nas costas de um jovem de 22 anos. São sete contra 11, mas no duelo particular entre Galatto e Ademar não há vantagem. Espremido contra uma placa de publicidade, Paulo Odone acredita no milagre. Foi do presidente o gesto de invadir o gramado para demover a idéia de um abandono de campo. Odone confia no goleiro, o Ice Man, como ele mesmo chama o camisa 1.

Galatto caminha perto da linha do gol. Move-se à frente apenas para cumprimentar o batedor do pênalti, o lateral-esquerdo Ademar. Deseja um “boa sorte”. Recebe-o de volta e completa: “Deus te abençoe”. Durante os 24 minutos em que o jogo esteve parado, Galatto apenas observou seus colegas serem expulsos, um a um. Não se meteu na confusão. Só pensava no pênalti. Ele sabia que a cobrança aconteceria, por mais que os gremistas tentassem evitar. Na cabeça do concentrado goleiro de poucas palavras, nenhuma intenção de provocar o cobrador, mas muitas recomendações do preparador de goleiros:

“Não sai antes! Ele é canhoto. Deve bater cruzado, no teu canto esquerdo. Vai lá, que tu vai defender!”

Encavernado no minúsculo vestiário, Paulo Pelaipe não tem a visão do campo. Depois de consolar os transtornados jogadores excluídos do campo pelo árbitro, o assessor de futebol ruma porta afora e encontra o silêncio no entorno do estádio. Busca no ar tropical das ruas de Recife o frescor que a partida não o dera. Pela sua cabeça, ecoam as palavras do vice de finanças Tulio Macedo: “Não sei o que pode acontecer se o Grêmio não subir”.

Postado no bico da área, Kuki junta as mãos espalmadas e as leva à boca. Mesmo nervoso, ele confia em Ademar. Quarto batedor oficial do time, o lateral havia tido o melhor aproveitamento em cobranças de pênalti durante os treinos da semana. Kuki, terceiro maior artilheiro da história do Náutico, havia deixado de bater pênaltis desde fevereiro. Poderia ser ele ali, na marca da cal, com a bola no colo. Kuki não sabe que será eternamente cobrado por isso.

“Eu não tinha nenhum motivo para bater aquele pênalti”, defende-se o atacante.

Com mais de 40 anos de Grêmio, Antonio Carlos Verardi já viveu de perto todas as grandes conquistas do clube. Agora, olha de longe, das arquibancadas. Foi o único dirigente a não correr ao gramado, depois de estabelecida a confusão. Ele não quer ver a cobrança. Resolve cerrar os olhos e orar por Galatto: “Que Deus ajude esse rapaz, ele merece.”

Em vez de reclamar, Mano Menezes usou a longa interrupção da partida para armar sua tática emergencial. Uma linha de quatro homens, mais dois à frente. Era o que poderia ser feito naquele momento. “Temos que manter a calma, fechados, saindo no contragolpe”, planeja o técnico.

Galatto e Ademar estão a postos. Só os dois podem definir os destinos das equipes. O cronômetro atinge 59 minutos e 41 segundos quando o silêncio de 22 mil pessoas anuncia a defesa mais dramática da história do Grêmio. O goleiro se atira para o lado esquerdo e roça na bola. Atrapalhado pela placa, Odone não nota o gesto de Galatto. Só depois que vê a bola subir, tem a certeza: o Galatto pegou o pênalti.

A tensão é tanta que os jogadores, aturdidos, estacam no gramado. Lucas é o único a procurar Galatto para abraçá-lo pela defesa. O goleiro rejeita o afago. “Eles vão colocar a bola na área, ó”, argumenta, afastando o jovem volante de 18 anos, que foi incorporado ao grupo havia dois meses e entrara no segundo tempo da decisão.

Enquanto Danilo corre para cobrar o escanteio, Pereira, como um raio, surge à frente de Djalma Beltrami. Cerca-o, acua-o. O experiente zagueiro sabe que, faça o que fizer, o árbitro não o expulsará. A pressão é gigantesca, e mais um gremista alijado do campo significa final de jogo e vitória do Náutico.

“E agora? O que tu vai aprontar contra nós?”, cobra Pereira, olhos saltados, bufando no rosto de Djalma. Multiplicando-se, Pereira rapidamente se posta no centro da área e rechaça o cruzamento com um forte cabeceio. Alívo tricolor. O pênalti foi pego, o 0 a 0 serve para completar o quadrangular na vice-liderança e subir de divisão. Mas são 11 contra sete. Deve haver pelo menos mais 10 minutos de jogo. O Grêmio precisa resistir um pouco mais.

Os sete remanescentes vestindo tricolor se aproveitam ainda do esmorecimento imediato do Náutico. A perda do pênalti tolhe a naturalidade dos pernambucanos. Para o Grêmio, é o combustível. Depois do corte de cabeça de Pereira, é sensato que o rebote caia em pés alvi-rubros, afinal, há um abismo numérico entre as duas equipes. Mas a lógica também foi expulsa da partida, e a bola viaja até chegar ao único que pode fazer o Grêmio respirar.

Ela pinga três vezes no judiado gramado dos Aflitos até se aninhar no pé esquerdo de Anderson, na intermediária de defesa. O garoto se aproveita de uma liberdade com a qual não estava acostumado durante toda a Série B. Ele conduz a bola por cinco segundos antes de entregá-la a Marcelo Costa. Já o meia, assediado pela marcação de Cleisson, precisa de apenas dois toques para devolvê-la a Anderson, no campo de ataque. Basta um tapa na bola com a perna direita para desestabilizar o corpulento Batata. Como um caminhão sem freio, o zagueiro abalroa o menino.

Mano desfaz a postura amena e saltita à beira do campo, reclama, exclama, quer a expulsão do rival. Chega a invadir o campo. E leva. Cartão vermelho para Batata, mas uma nova preocupação para o Grêmio: a lesão de Anderson, que fica estatelado no chão com a mão no tornozelo.

As dores de Anderson nessa região vinham sendo fonte de preocupação da comissão técnica há algum tempo: “O tornozelo do guri parece uma bola”, pensa Pelaipe.

Na pausa, uma ótima oportunidade de ganhar tempo. Mas, para quem pode contar com o talento, o relógio tem de correr em paralelo com a bola, grudada no pé do craque. Assim pensa Marcelo Costa quando percebe a distração dos defensores do Náutico, que cercam o árbitro. Parte do meio-campista a senha para Anderson se recolocar em ação. Com um toque rápido, Marcelo não devolve a Anderson só a bola, mas a chance de ingressar na área adversária. “Vai embora, negrinho!”, berra, como se já visualizasse o desfecho do lance.
E Anderson vai. Avança pelo meio da defesa do Náutico com a ânsia de quem precisa golear, quando na verdade o penoso 0 a 0 já lhe basta.

De longe, compondo a improvisada linha de quatro homens à frente de Galatto, Lucas tem certeza de que a jogada dará bom resultado. “Qualquer empurrão dos caras do Náutico o árbitro vai dar pênalti”, imagina o volante, esquecendo por um momento os avantes ao seu redor.

Anderson ingressa área adentro, passa pelos cautelosos Cleisson e Tuca e enquadra o corpo. Ágil, o menino de 17 anos, com camisa de mesmo número, transfere para a sua arrancada o sentimento típico dos adolescentes, que não querem deixar nada para depois. Ele não pensa em ganhar tempo, tampouco arrancar um pênalti. Visa apenas ao gol. E essa reação intempestiva surpreende não só a zaga pernambucana, mas o estádio e até mesmo os torcedores gremistas.

Quando todos se dão conta, aos 60 minutos e 51 segundos, Anderson está diante do goleiro Rodolpho, a um passo da improvável glória. Ele pensa em driblar também o arqueiro. Desiste. Um toque com o pé esquerdo arrasta a bola ao gol. O Grêmio ressurge e arranca a taça de Recife. O impossível se torna real diante dos olhos de um país inteiro, congelado durante 71 segundos.

Ou melhor, nem todo o país. Paulo Pelaipe, que durante a campanha foi o homem forte do futebol gremista, perde o momento mais sublime. Depois de deixar o pátio do estádio e voltar ao vestiário com a defesa de Galatto, o dirigente é interpelado pelo conselheiro Zélio Hocsmann:

“Gol! Gol!”

“Gol deles?”

“Não, gol do Anderson!”, responde Hocsmann, em um choro incontido.

Os momentos que se seguiram se tornaram mera formalidade até o apito final de Beltrami. Aos 69 minutos e 41 segundos de jogo, daquele 26 de novembro de 2005, terminava Náutico 0 x 1 Grêmio. Começava uma lenda.

Informações de ClicEsportes

FOTO: ilustrativa

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4 comentários

  1. 24 de dezembro de 2010

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  2. Miguel CHRISTO
    17 de janeiro de 2011

    tchê mas vão se dar o respeito com Batalha dos aflitos isso foi uma vergonha pra um time de futebol que se diz imortal… por favor caiam na real time de série B tem que ficar frio.

    Responder
  3. j matheus
    16 de fevereiro de 2011

    aqyuilo é uma imortalidade grêmio as cores de um gaucho

    Responder
  4. Pablo
    4 de novembro de 2011

    No dia do jogo, no meio da torcida do Grêmio, havia um colorado com uma camisa do seu time, e uma bandeira do RS. Aquele colorado estava lá, torcendo para que o velho Grêmio voltasse a se erguer, estivesse de volta para os grandes GreNais que moldaram a história dos dois clubes. Pena que a maioria da torcida colorada não era como aquele grande colorado que estava no jogo. Um homem de coração bom,de compaixão, que estava torcendo para o seu Estado, para o seu povo. Por aquele torcedor o Grêmio deveria ter vencido o Flamengo em 2009. Sou gremista, mas muito gremista mesmo. E sempre me emociono quando vejo o vídeo do jogo, e aquele torcedor pulando, feliz com toda a torcida do Grêmio, empunhando a bandeira do Rio Grande.

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