Em seis anos, compra de armas de fogo cai 40,6% no Brasil

Amostra revela também que as armas de fogo e munições estão mais caras no Brasil. Valor das despesas unitárias aumentou 11%: em torno de R$ 100. 

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira, dia 1º, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, aponta que a proporção de famílias que adquiriram armas de fogo no país caiu 40,6% em seis anos, após a aprovação do Estatuto do Desarmamento, em 2003.

Segundo a pesquisa “Impacto do Estatuto do Desarmamento sobre a Demanda Pessoal por Armas de Fogo”, apresentada pelo secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Marcelo Neri.

Os cálculos inéditos são baseados em dados divulgados pelo IBGE entre 2003 e 2009 na Pesquisa de Orçamentos Familiares, foram entrevistadas 48 mil famílias.

De acordo com o Ipea, o número absoluto de aquisição anual de armas de fogo caiu de 57 mil em 2003 para cerca de 37 mil em 2009, o que representa uma redução de 35,6% se isolados “os impactos sociodemográficos e econômicos”. segundo Neri. “Quando a escolaridade da população cresce, a demanda de armas cai. Quando a renda aumenta, a posse de armas aumenta”, completou.

A região Sul –considerada pelo levantamento como “ponto de resistência”, foi a única que registrou aumento no período (variação de 21%). Ainda segundo o levantamento, o número de homens que compram armas é oito vezes maior do que o de mulheres. No entanto, a demanda masculina pela compra caiu 45,1% após o estatuto, enquanto a feminina apresentou crescimento de 171,4%.

Para Neri, contudo, o crescimento na aquisição de armas entre as mulheres não é significativo: “Os homens são os grandes compradores de armas. Talvez fosse até melhor tirar as mulheres da pesquisa, mas só pensamos nisso ontem à noite”, afirmou ele, que afirma existir grande disparidade em relação aos números absolutos, que não foram divulgados.

A amostra revela também que as armas de fogo e munições estão mais caras no Brasil. Segundo Neri, o valor das despesas unitárias aumentou 11%: está em torno de R$ 100. No ranking dos principais compradores, aparecem: terceiro ou particular (55,54%), lojas de material de caça e pesca (24,22%), fábricas (5,54%), supermercado (3,56%), loja de fogos de artifício (3,29%).

Os desdobramentos sobre o perfil do consumidor de armas de fogo indicam ainda que os jovens de 20 a 29 anos superam em 172% o número de pessoas 20 anos mais velhas que compram armas, a queda após o estatuto entre jovens foi de 51,2%. Embora tenham menor renda, analfabetos e pessoas com até três anos de estudo compram armas com o dobro da frequência observada entre pessoas com 12 anos ou mais estudo.

Já na análise por rendimento, há predominância em relação aos membros da chamada “classe C” que superam em 7,5% e 103% as aquisições das classes AB e E, respectivamente. “A questão da renda mais alta está diretamente associada à aquisição de armas de fogo, mas a pesquisa mostra que a questão da educação também está”, afirmou Neri.

A aprovação do estatuto tornou mais rígidas as regras para a posse de arma de fogo por civis. Segundo a lei nº 10.826/2003, o cidadão pode ter uma arma em casa, mas não pode portá-la na rua, com exceção das pessoas que tenham sua segurança ameaçada e comprovem isso. O porte de armas é permitido apenas aos agentes de segurança pública, integrantes das Forças Armadas, policiais, agentes de inteligência e agentes de segurança privada.

Informações de UOL

FOTO: reprodução / UOL 

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