Adiamento do fim do acesso à rua 24 de Maio pela BR-116 reacende polêmica

Gerente de posto de combustíveis comemora adiamento, dona de restaurante teme por estrutura, comerciante se diz indiferente e usuária do entroncamento muda hábitos por segurança.

Mônica Neis Fetzner monica@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

A retirada do semáforo que permite a entrada pela BR-116 na rua 24 de Maio, em Novo Hamburgo, foi adiada, mais uma vez. O fechamento do acesso foi anunciado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – Dnit em 2009, e deve ser efetivado entre os dias 20 e 21 de agosto.

O viaduto sobre a rua Rincão foi construído para melhorar a fluidez do trânsito, que ainda acaba congestionado devido ao entroncamento que permite o acesso. Inicialmente, a remoção foi marcada para julho. Depois, para esta quarta-feira, 10 de agosto.

O adiamento é um alívio para o gerente de um posto de combustíveis na rua 24 de Maio, instalado no local há 18 anos. Maurício Farias calcula uma perda de 25% a 30% nas vendas. “Estou sendo otimista com este dado. É só observar: o fluxo da rua é muito maior no sentido que desce da BR-116 do que o contrário. As pessoas param aqui antes de ir trabalhar”, relata.

“Eu participei das reuniões que buscavam alternativas, mas o prefeito [Tarcísio Zimmermann (PT)] lavou as mãos. A justificativa é de que a Prefeitura não tem dinheiro, mas ele não veio até aqui ouvir as nossas propostas.”

Abertura da rua China aliviaria situação,

diz gerente de posto de combustíveis

Farias revela que o supervisor do Dnit na região, Carlos Adalberto Pitta Pinheiro, foi claro sobre a situação, durante conversa. A retirada do semáforo é inevitável. “Claro que para nós, comerciantes, o ideal é que a sinaleira permaneça. Mas entendemos que foram gastos milhões de reais na construção do viaduto e que não faria sentido mantê-la. Assim, a melhor alternativa é a abertura da rua China”, argumenta.

Para acesso à 24 de Maio, a rua China precisa ser aberta num trecho de cerca de 300 metros (mapa ao lado). Segundo Farias, o morador que reside no local aceitaria permuta. “Ao lado, há um terreno da prefeitura que está abandonado, que poderia acomodar este senhor, que já disse que sairia de onde está. Só que o prefeito não discutiu isso com ele.”

O gerente argumenta que a abertura da rua contribuiria para um comércio que se desenvolveria no novo local. “Isso geraria mais investimentos, mais arrecadações… Mas o prefeito faz pouco caso”, lamenta.

“O prefeito não se preocupa conosco”

Maurício Farias encontra eco nos argumentos de Sônia Medeiros Rodrigues (foto ao lado), proprietária há 16 anos do prédio que hoje abriga um restaurante, às margens da rua 24 de Maio. “A abertura da rua China é cogitada há anos, mas nunca foi feita. O prefeito não se preocupou conosco, gente que está há anos aqui. Simplesmente acatou a ordem do Dnit, não analisou o comércio local e optou por uma rua sem estrutura [referindo-se ao acesso pela rua Rincão]”, avalia.

“Ele não veio aqui, não nos ouviu. Eu já desisti de falar sobre essa rua. No meu caso, os clientes fiéis vão manter o restaurante, mas o fechamento vai afetar o movimento, sim, especialmente o público que vem de Estância Velha e Dois Irmãos.”

Sônia questiona a infraestrutura da rua Rincão, quando esta passar a receber o fluxo que atualmente circula na 24 de Maio. “Com uma chuva, inunda tudo”, aponta, acrescentando que os congestionamentos vão impossibilitar acesso ao Centro.

Indiferença e segurança justificam opiniões divergentes

Há quem pense diferente. Sérgio Mônaco, proprietário de uma loja de ferragens na rua 25 de Julho, que faz esquina com a 24 de Maio, não teme o fechamento do acesso. “Nos primeiros meses, vai dar diferença, mas pouca. Os clientes fiéis vão se acostumar. No caso do posto, por exemplo, as pessoas vão abastecer na volta”, pondera.

Mônaco, cujo empreendimento está no local há 16 anos, vê a vontade das pessoas de fugir do movimento no Centro de Novo Hamburgo como fator que manterá movimento nas imediações. “As pessoas só vão até lá como última alternativa.”

Madalena Hansen usa o entroncamento na BR-116 para acessar a rua 24 de Maio diariamente. A academia da qual é proprietária há 30 anos fica em Estância Velha. Ela acredita que, por segurança, a rua Rincão é a sua melhor opção para entrar em Novo Hamburgo.

“Eu tenho o hábito de usar o acesso há uma vida inteira, é mais fácil pra mim, mas vou ter que me adaptar. Vejo que, desde que o viaduto ficou pronto, aquele trecho é muito perigoso. É mais seguro ir por baixo do viaduto, tanto que, quando minhas filhas vêm dirigindo da minha academia, não deixo que usem o entroncamento e peço que usem a rua Rincão”, justifica Madalena.

FOTOS: Mônica Neis Fetzner / novohamburgo.org

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