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Sexto livro do hamburguense Felipe Kuhn Braun tem temática litorânea

Na época em que poucas praias haviam sido desbravadas, uma delas era Tramandaí, hoje considerada a capital das praias. Em novo livro, Braun escreve passo a passo o processo de colonização da cidade.

Victor Hugo Furtado victor@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Ele tem 25 anos e está lançando seu sexto livro, Tramandahy: as idas à praia no inicio do século XX. O mais recente trabalho do jovem escritor e jornalista Felipe Kuhn Braun será lançado na próxima segunda-feira, dia 15, às 20 horas, na Fundação Scheffel.

Em entrevista ao novohamburgo.org, o escritor falou da obra e contou um pouco mais sobre a origem de sua fascinação pela cultura alemã que o acompanha desde cedo. Braun é dono do maior acervo fotográfico sobre imigração alemã no sul do Brasil, com mais de 25 mil fotografias antigas do período 1860-1960.

O acervo está separado nos temas: carnaval, casamentos, cemitérios, enchentes, ensino, famílias, imigrantes, infância, localidades, personalidades, religiosos, século XIX, trabalho e transporte. Recentemente, passou a incluir o litoral, tema que deu origem ao novo livro.

“Free Way de carreta”

Na época em que poucas praias haviam sido desbravadas, uma delas era Tramandaí, hoje considerada a capital das praias. “O tema surgiu quando uma senhora me doou uma grande quantidade de fotos de um senhor sem descendentes; ou seja, não tinha para quem entregar”, conta o escritor. “Então me ocorreu de dar mais visibilidade aos costumes que são tão normais hoje em dia em relação à praia, porém na ótica dos nossos antepassados.”

 

Felipe escreve passo a passo o processo de colonização da cidade litorânea, citando, por exemplo, como era a viagem e como se instalavam os turistas nas acomodações do Hotel Sperb, empreendimento de Eneas Sperb, hoteleiro leopoldense. “Nos primeiros 30 anos de ocupação da região, praticamente não havia casas particulares e, mesmo essas, quando surgiram na década de 1920, eram modestas, pois as visitas à praia não eram constantes e prolongadas, como atualmente. A viagem durava cerca de três dias em cima de uma carreta de bois.”

 

O objetivo da obra, segundo Felipe, é passar aos leitores o retrato, tanto escrito quanto fotográfico, o mais fiel possível, da Tramandaí nos tempos dos trajes de banho conservadores. Além das histórias coletadas através de entrevistas, mais de uma centena de imagens podem ser vistas pelo leitor.

Preservação da história

Em sua busca – que já se estende por 11 anos – pela desmistificação do povo alemão que se estabeleceu na região do vale, Felipe foi muito bem recebido no país de origem da colonização. O escritor buscou informações em grandes acervos de Stuttgart e da região do Palatinado alemão em geral. A pesquisa enriqueceu sua obra, por contar com relatos de pessoas que podem muito bem ser primas de cidadãos hamburguenses.

Convidado para ser palestrante, o jornalista também esteve recentemente na Argentina, país que conta com um número muito grande de descendentes de imigrantes italianos – e também alemães, mas em pequeno número. Os descentes germânicos dos “hermanos” também contribuíram para o acervo, com uma rica preservação. “Os alemães, assim como os argentinos, buscam essa preservação. Eles valorizam a cultura. Não que eles tenham mais do que nós, de maneira nenhuma, mas o brasileiro busca muito pouco conhecê-la e preservá-la, cultura nossa, que é uma das mais ricas do mundo.”

Buscando a cultura

“Minha avó sempre me contava histórias e me mostrava fotos antigas. Aquilo pra mim era uma grande festa, poder saber mais sobre a história de minha família e como ela veio parar e se fixar em terras sulinas”, conta Braun, orgulhoso.

As tardes ouvindo a avó contando histórias, lhe despertou uma grande curiosidade a respeito das tradições e dos contatos familiares em geral.  “Desde os meus 13 anos, eu venho batendo na porta dos museus e das famílias de origem alemã, coletando o máximo possível de acervo escrito e fotográfico. Às vezes, eu era mal recebido, por desconfiarem de minhas intenções, até pela minha idade… Inclusive encontrei barreiras nos museus.”

CURRÍCULO – Felipe é diretor de Genealogia do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo e colaborador do Instituto de Estudos Históricos da Universidade de Mainz, na Alemanha. Também é autor de Memórias de Imigrantes Alemães e seus Descendentes no Sul do Brasil (2011), Cartas e Relatos de Imigrantes Alemães (2011), História da Imigração Alemã no Sul do Brasil (2010), Memórias do Povo Alemão no Rio Grande do Sul (2010) e “Novo Hamburgo: da fundação à emancipação política” (2012).

FOTO: acervo / Victor Hugo Furtado / novohamburgo.org

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