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Mineiros contam partes de sua história e vivem dias de estresse

“Os 33” têm resistido à quebra do pacto que fizeram para manter os detalhes “mais emocionantes” de cativeiro para si mesmos.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Mais de 10 dias depois de o mundo ter acompanhado o resgate dos 33 mineiros presos na mina de San José, 700 metros abaixo do deserto do Atacama, os homens começam a lidar com o que lhes aconteceu.

José Ojeda mal consegue dormir sem o conforto de um mineiro por perto a quem confiar os sonhos que o acordam. Omar Reygadas, bisavô, agora chora com facilidade. E Edison Peña (foto), o mineiro que se manteve centrado correndo centenas de quilômetros no subterrâneo na maioria dos dias, foi hospitalizado na semana passada por problemas emocionais.

Até agora, na maioria, eles permaneceram fiéis a si mesmos e às promessas que fizeram de falar apenas em seus próprios termos. Alguns detalhes de sua história provam que os homens têm lentamente deslizado, conforme muitas organizações de notícias disputam sua atenção – aceitando dinheiro ou viagens com despesas pagas a outros países para conceder entrevistas.

Mas os homens têm resistido à quebra do pacto que fizeram para manter os detalhes “mais emocionantes” de seus dois meses de cativeiro para si mesmos, na esperança de que juntos eles possam garantir acordos de livros ou filmes, bem como construir um melhor argumento para uma ação judicial contra a empresa responsável pela mina.

Eles mantiveram sigilo especialmente sobre o que aconteceu nos primeiros 17 dias após o desabamento da mina de ouro e cobre, tempo antes de descobrirem que o resgate ainda estava à sua procura.

“Chorei de desespero”

Em entrevistas ao New York Times ao longo dos últimos dias, quatro mineiros que concordaram em falar sem remuneração ofereceram uma visão emocionalmente intensa da luta que enfrentaram no subsolo e que enfrentam agora. Reygadas, 56 anos, o 17º mineiro a ser resgatado e um dos mais velhos do grupo, falou por mais de duas horas.

Ele disse que entrou em sua primeira mina aos 7 anos com o pai, que também era mineiro. Ele não se assusta facilmente: sobreviveu a dois colapsos anteriores na mina de San José e escapou por pouco de um terceiro que matou outro mineiro. Mas nos primeiros dias após o último desmoronamento, em agosto, ele disse que chorava, rolando em sua cama de papelão úmido na direção da parede de modo que ninguém pudesse ver.

“Eu não estou envergonhado de dizer que chorei, mas eu chorei de desespero”, disse. “Eu estaria mentindo se dissesse que não estava com medo também, mas eu sabia como mantê-lo dentro para evitar faíscas de medo nos outros”.

Reygadas disse que estava carregando o caminhão antes de sair para o almoço no dia cinco de agosto, quando sentiu o que parecia ser uma explosão. A pressão da queda de rochas “quase explodiu” os seus ouvidos, disse. O próximo som que ouviu foi o de mineiros gritando. Outro mineiro, Yonny Barrios, 50 anos, disse que “seus ouvidos pareciam estar sendo sugados de um lado para o outro”. Os homens começaram a procurar por seus amigos. Seriam necessárias oito horas antes que eles descobrissem que ninguém havia morrido.

Mas o alívio que sentiram teve curta duração. Poucas horas depois, os homens se viram diante de uma escolha fatídica. Havia uma saída através de um poço de ventilação. Mas depois de descobrir que a escada que tinham era muito curta, todos sabiam que podiam apenas esperar. Dois dias depois uma pedra rolou sobre a saída e a selou para sempre. É neste ponto que a narrativa se cala.

Limites

As histórias dos homens também revelam os limites emocionais que eles impuseram a si mesmos. Qualquer mineiro que saiu da linha teve de ficar na frente do outros 32 e pedir perdão, disse Ojeda.

O sono também foi um tema recorrente. Estava quente, cerca de 30 graus centígrados, e úmido. Os homens rasgaram os assentos de seus caminhões para improvisar colchões, mas não foi suficiente e, em algumas noites, disse Reygadas, eles simplesmente tinham de dormir sem camisa, no calor, sobre as rochas. Ojeda disse que muitas vezes acordava no meio da noite e conversava com o mineiro que dormia ao seu lado até que pudessem voltar a adormecer.

Outro mineiro, Víctor Segovia, 48 anos, escreveu uma carta para sua família detalhando um pesadelo que teve. Nele, os homens estavam presos, mas em um forno. Alguns dos homens se concentravam nas pessoas que esperavam por eles acima. “Dentro do meu coração, eu pensava na minha família”, disse Carlos Mamani, 24 anos, da Bolívia, o imigrante solitário no grupo. “Eu conversava com Deus”.

Informações de Último Segundo

FOTO: reprodução / AP

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