• Visualizações 1912

Eleições 2010: “Porque não votaria se tenho direito?!”

Quem pergunta é Vinícius Nunes Cabral (foto), de 17 anos. Ele compõe o índice crescente de jovens menores de idade que querem participar dos processos eleitorais no Brasil. CONFIRA!

Cristiane Cunda cris@novohamburgo.org

Preocupados com o futuro do país e motivados pelo papel histórico na luta pela democracia, jovens menores de idade querem votar nas Eleições 2010.

É o que revela dados do Tribunal Regional Eleitoral – TRE sobre os quais o Portal novohamburgo.org teve acesso. Cresceu o número de eleitores dessa faixa etária no pleito que ocorre em outubro.

A complexidade de uma eleição, no entanto, é grande. Ainda mais nesse ano, quando serão eleitos deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. O voto deve ser obrigatório? Exercer ou não o direito de votar quando se é menor de idade? É válido votar em um candidato que não está entre os favoritos? São questões de difícil apreensão para quem está começando a ter “vida própria”.

O estudante hamburguense Vinícius Nunes Cabral (foto), 17 anos, compõe o índice crescente. Não tem dúvidas. Vai votar! “Por que não votaria se tenho direito?”, questiona o jovem, convicto da necessidade de cumprir seu papel de protagonista na democracia. Vale lembrar que o voto só é obrigatório a partir dos 18 anos de idade.

E enganam-se os que pensam que a pouca idade pode impedir o voto consciente. “Todos os dias vemos pessoas reclamando do preço do feijão, do custo de vida e do aluguel, mas não sabem elas que todos esses fatores dependem de decisões políticas”, altera o estudante.

“Quando chega a hora de fazer algo a respeito, usando nosso maior direito, elas preferem ignorar a totalidade dos candidatos e ainda estufam o peito ao dizerem que ‘odeiam a política’.” Reclamar e não fazer nada a respeito é um ato de hipocrisia, avalia o jovem.

Participação da juventude oscila

O chefe de Cartório substituto da 172ª Zona Eleitoral de Novo Hamburgo explica que os dados das últimas três eleições mostram que o pico de jovens menores de idade inscritos em todo o Rio Grande do Sul ocorreu em 2002, caiu em 2008 e voltou a crescer esse ano.

Edson Luiz Marchi (foto) também ressalta a campanha realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, incentivando a participação da juventude. “A participação dos jovens está aumentando consideravelmente em termos ativos (direito político de votar).”

ELEITORADO HAMBURGUENSE – Novo Hamburgo tem hoje 176.203 eleitores, 3.619 a mais que na última eleição, ocorrida em 2008, quando foram escolhidos vereadores e prefeito. “Houve crescimento geral no número de eleitores que acompanha o crescimento demográfico da cidade”, informa Marchi.

Se você não atualizou seus dados eleitorais até maio, seguirá participando do processo eleitoral onde votou no último pleito. Caso não tenha como se deslocar até lá, deve justificar no município onde se encontra atualmente. Isso se a sua inscrição estiver regular. Caso contrário, independentemente do motivo, não votará em 2010, devendo procurar a Justiça Eleitoral a partir de novembro.

“Observa-se que a atualização de dados nem sempre implica transferência e, caso não realizada, nada impede que o eleitor prossiga votando com título em que conste dados desatualizados”, pontua o chefe de Cartório Eleitoral.

Por que eles votam?

Sim, mas por que os jovens votam? O Portal novohamburgo.org procurou respostas concretas  e descobriu que o que os motiva é a perspectiva de gerar mudanças no sistema.

Pelo menos é o que pensa Rodrigo Perla Martins, cientista político e coordenador do curso de História e Ciências Sociais da Universidade Feevale. A participação da juventude seria uma tendência histórica.

“Hoje, ao contrário de 20 anos atrás, há outras formas de participação. Não necessariamente via voto e não necessariamente na política. Entendo que sempre houve uma participação que aumenta em virtude de sermos um país jovem em termos de democracia. Devemos participar para tentar melhorar”, diz o cientista político.

Pesquisas eleitorais ajudam ou atrapalham?

Martins acredita que existe uma cultura política do eleitor brasileiro em votar no candidato com maior possibilidade de ganhar.

“Ainda não entendemos que na democracia o voto é uma forma de participação e não a própria participação”, argumenta. “Assim, parece que precisamos votar no vencedor para podermos participar. A pesquisa sempre retrata o passado imediato de uma eleição. Pode influenciar aquelas pessoas que acreditam que o seu voto deve ser vencedor.”

A opinião do jovem Vinícius coincide com a do especialista: as pesquisas limitam o eleitor a escolher entre os candidatos favoritos. Votar naqueles que aparecem atrás, causaria nas pessoas a sensação de estar jogando o voto fora.

O estudante já decidiu que vai se informar sobre os candidatos, mantendo-se longe das pesquisas. “Tentarei me manter imparcial e, principalmente, não acompanharei pesquisas eleitorais. É difícil votar em alguém senão nos preferidos. Temos a impressão de que estamos anulando nosso voto, por isso as pessoas escolhem o que lhes parece ‘menos pior’ entre os dois favoritos, muitas vezes esquecendo dos candidatos que realmente gostariam de ter como governante.”

O cientista político esclarece ainda que é preciso ter consciência de que o candidato que não vence a eleição pode continuar fazendo seu trabalho através de outros meios. Portanto, o voto do eleitor não é “perdido”. “O candidato que não ganha pode participar via oposição, no parlamento, nos sindicatos. Temos a cultura de que democracia só se faz no voto e no candidato ganhador. Temos muito a crescer nesse quesito”, conclui Rodrigo Perla Martins.

FOTOS: arquivo pessoal

Compartilhar

Viagra fica mais barato, mas preço varia Brasil afora

Avançar »

Copa do Mundo 2010: Rola a bola na África do Sul! Quem fará a diferença?

sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Blue Captcha Image
Atualizar

*