• Visualizações 3805

Holocausto será matéria obrigatória em Porto Alegre a partir de 2011

Projeto aprovado por unanimidade na Câmara da Capital defende medida que já é aplicada em países europeus e cidades dos Estados Unidos.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Aprovado por unanimidade na quarta-feira, dia 15, pela Câmara de Vereadores, projeto que torna obrigatório o ensino da história do Holocausto nas escolas municipais de Porto Alegre começará a ser implantado a partir do início do ano letivo de 2011.

“Nós ainda vivemos a sombra do Holocausto, uma sombra que não se dissipa e nunca se dissipará. É fundamental guardar esse período na memória, ainda que seja um dos mais pesados da história”, justificou o vereador Valter Nagelstein (PMDB), autor do projeto.

Com a adoção da proposta, Porto Alegre passa a ser a primeira cidade brasileira a oficializar o Holocausto como matéria curricular obrigatória. A medida já é adotada em países europeus e em várias cidades americanas.

Apesar da unanimidade, o projeto provocou polêmica. Doutor em psicologia escolar, o professor Fernando Becker criticou a imposição do ensino de qualquer conteúdo histórico específico. “Se formos privilegiar o Holocausto com força legal, amanhã aparecerão outros projetos para privilegiar a guerra do Vietnã, o 11 de Setembro, a guerra do Golfo, a guerra do Iraque, a Santa Inquisição, as ditaduras latino-americanas e a destruição do império inca”, disse.

Apoios

Entidades judaicas de Porto Alegre apoiaram a medida. Para a Federação Israelita do Rio Grande do Sul – Firgs, a aprovação do projeto beneficia todas as minorias étnicas. “Devemos enaltecer a medida, que servirá como um alerta sobre o perigo das ideologias racistas e totalitárias”, avaliou o presidente da Firgs, Henry Chmelnitsky.

O coordenador da assessoria pedagógica da Secretaria Municipal da Educação – Smed, Manoel Ávila da Silva, apoiou o projeto. Segundo ele, por trás dos chamados “temas transversais” está a discussão para a superação de preconceitos.

“[A medida] acaba estimulando o debate contra o preconceito, evoluindo para uma mudança de comportamento. Se você debate a questão étnica, acaba também falando sobre outros temas importantes de tolerância, como o combate à homofobia”, justificou.

A secretária municipal da Educação, Cleci Jurach, também apoiou a proposta. “É uma oportunidade de aliar conhecimento com o respeito à diversidade. Vai ajudar [a combater o preconceito] porque 95% das nossas escolas ficam em áreas de risco”, sustentou.

O projeto deverá ser sancionado ainda nesta semana pelo prefeito José Fortunati (PDT). Depois de publicado no Diário Oficial, a lei já pode ser aplicada nas 55 escolas municipais de ensino fundamental e médio.

Informações de portal UOL

FOTO: reprodução

Compartilhar

Novo Hamburgo: Alunos do Colégio Marista Pio XII discutem voto consciente

Avançar »

Quase 15% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão fora da escola

3 comentários

  1. 17 de setembro de 2010

    Essa questão pode ser analisada a partir de dois pontos.

    Por um lado, é positivo debater temas ligados ao preconceito para evitar que essas histórias se repitam. O Holocausto dos judeus alemães ocorridos há 60 anos é uma dos fatos mais trágicos da história o século passado.

    Por outro lado, será negativo se essa disciplina não problematizar de forma mais ampla essa questão. Por exemplo, que não foram apenas os judeus que foram perseguidos em momentos específicos da história.

    As populações indígenas foram massacradas para a construção do Brasil. Os negros foram escravizados e reduzidos à condição de mercadoria etc.

    E, além disso, o imperialismo do capital norte-americano, atualmente, usa a história dos judeus para oprimir os palestino, manipulando as consciências dos próprios judeus, fazendo acreditar que são eternas vítimas, legitimando mais um projeto nazista em curso: o Estado de Israel.

    Responder
  2. Bianca
    18 de setembro de 2010

    Também seria ótimo se os alunos entendessem, de forma crítica, o preço pago pelos desdobramentos deste mesmo holocausto que matou 6 milhôes de judeus – pago ainda hoje tb pelos palestinos.
    As trejédias cometidas pela humanidade contra ela mesma devem ser historicizadas e contemporaneizadas – não revividas, nem tampouco lamentadas. Só dessa maneira poderemos evitá-las.

    Responder
  3. 22 de outubro de 2010

    Um absurdo, uma vergonha !! A partir de 2011 o quadro-negro se transformará no MURO DAS LAMENTAÇÕES ?? É um estúpido masoquismo, um meio doentio e totalmente injusto para a nossa juventude ! Isso cheira a outra falcatrua de políticos.

    Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Blue Captcha Image
Atualizar

*