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Tragédia da Kiss adia clássico em Santa Maria

Impasse é criado: com estádios vetados, Inter-SM e Riograndense ainda não atuaram em 2013 em cidade marcada por incêndio que matou 241 há 2 meses.

Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Os dois clubes do município da Região Central do Rio Grande do Sul vivem um impasse. Sem seus estádios liberados pelo Corpo de Bombeiros, ainda não conseguiram atuar dentro de casa pela Divisão de Acesso do Gauchão e não se enfrentarão no clássico Rio-Nal, antes marcado para este domingo, mas cancelado desde quarta-feira.

O Presidente Vargas, também conhecido como Baixada Melancólica e local para onde está marcado o confronto do fim de semana, aguarda vistoria do Corpo de Bombeiros. O Internacional-SM tenta a renovação do seu alvará.

Segundo o presidente Luiz Claudio Mello, já foram cumpridas as partes técnicas, e o clube trabalha para acertar os últimos detalhes do seu Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). Enquanto não recebe o “OK” final do órgão, o estádio não pode receber partidas oficiais. A rodada passada da Divisão de Acesso, contra o Brasil de Farroupilha, precisou ser adiada, ainda sem data para ser realizada.

Situação diferente acontece nos Eucaliptos, casa do Riograndense. Uma primeira vistoria já havia sido realizada na primeira semana de março. Os bombeiros apresentaram diversos itens a serem corrigidos pelo clube.

Todos cumpridos, conforme o presidente Juliano Leite. Na nova visita, ocorrida pouco mais de uma semana depois, no dia 14, foram solicitadas novas mudanças, em vez de se autorizar o funcionamento conforme as primeiras exigências.

Resolução Técnica Nº 17 

De acordo com Leite, essas novas alterações são baseadas na Resolução Técnica Nº 17, que regulamenta a construção de estádios esportivos e dizem respeito a padrões de arquibancadas, evacuação de torcida e portões de acesso. Por se tratar de uma norma recente, não condiz com a realidade dos clubes pequenos do interior, na visão do gestor.

A cidade está consternada. Existe sofrimento. Diante da tragédia, redobraram as fiscalizações. O que está sendo pedido aqui é uma norma estadual, que deveria ser cumprida por todos. Mas só está acontecendo para Santa Maria”, Juliano Leite, presidente do Riograndense.

“As pessoas que estão analisando o estádio não têm a vivência do campo de futebol, a dinâmica de cada campo – afirmou o presidente. – Ainda é um pouco tabu falar de segurança, mas o fato é que não temos estrutura adequada, faltam equipamentos… Isso acontece em todo o estado. O que se está pedindo aqui é uma norma estadual, que deveria ser cumprida por todos. Mas só está acontecendo para Santa Maria.”

Assim como ocorreu com o Inter-SM, o Riograndense também está com uma lacuna em seus jogos do Gauchão. A segunda vistoria realizada pelos bombeiros, que impediu o funcionamento do estádio até o momento, aconteceu três dias antes da estreia. Com isso, a equipe foi a única a não atuar na primeira rodada, contra o Brasil de Pelotas.

Neste fim de semana, novamente nenhuma das equipes entrará em campo. A decisão de adiar o clássico foi tomada em conjunto pelos clubes na tarde desta quarta-feira, dia 27. Mesmo que o Corpo de Bombeiros decida realizar as vistorias até domingo, não há tempo hábil para organizar outros trâmites burocráticos da competição, como escala de arbitragem e venda de ingressos.

Equipes não cogitam jogar em outro município

A possibilidade de atuar em outra cidade que não Santa Maria sequer é cogitada por ambos os clubes. A logística de organizar partidas longe da cidade aumentaria muito o custo, invibializando, assim, sua realização.

“A despesa de jogar em outra cidade é muito grande. A distância menor é de 150 quilômetros até o município mais próximo. Nosso torcedor dificilmente iria”, explicou Luiz Claudio Mello.

O comandante geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, que coordena a comissão de vistorias de Porto Alegre, busca agilizar as tratativas entre o órgão e os clubes.

Na quinta-feira pela manhã, uma reunião foi realizada com os bombeiros de Santa Maria e os presidentes com o objetivo de recuperar o futebol na cidade o mais rápido possível. A Federação Gaúcha de Futebol pretende convocar uma reunião para segunda-feira a fim de encontrar a melhor solução para o impasse, caso nada seja resolvido até lá.

“Se a situação não for resolvida logo, inviabilizará o correto andamento da competição. Vamos ter que encontrar uma saída em conjunto para buscar um estádio onde os times possam jogar”, avisou Luciano Hocsman, vice-presidente da entidade.

Santa Maria não é mais a mesma

O município ainda carrega a dor da tragédia de dois meses atrás. Encravada no coração do Rio Grande do Sul, a 300 quilômetros de Porto Alegre e com mais de 260 mil habitantes, Santa Maria ainda não voltou ao normal.

Cidade universitária, acostumada à agitação noturna, ela vive o luto diariamente. Um exemplo disso é que nem a rivalidade de um Gre-Nal movimentou o comércio. Já foram disputados dois clássicos neste Gauchão, e o que se viu foram bares vazios e televisões ligadas para ninguém

“Acho que vai demorar uns seis meses para Santa Maria se recuperar”, comentou Fidelis Vieira, proprietário de um bar do centro, espantado com a queda no atendimento.

Embora não tenham sido afetados diretamente pela tragédia de 27 de janeiro, Inter e Riograndense sentem, a cada jogo cancelado, que aquela madrugada ainda ecoa na cidade.

“O que acontece é que a cidade está consternada, existe um sofrimento, um sentimento que a cidade toda está sentindo. Diante da tragédia, redobraram as fiscalizações”, disse Juliano Leite.

Estádios de SM já receberam Garrincha e Dinamite

Enfrentando problemas para mandar seus jogos em 2013, os estádios de Santa Maria reservam grandes histórias no passado. Em seus gramados, já pisaram alguns dos maiores jogadores do futebol brasileiro, como Garrincha e Roberto Dinamite.

Em 1958, o centenário Riograndense recebeu nos Eucaliptos o Botafogo de Garrincha e Quarentinha para uma partida amistosa. O resultado:2 a1 para o time da casa.

Já o Inter-SM ostenta, com orgulho, o fato de ser a única equipe da Região Central do Rio Grande do Sul a disputar uma primeira divisão de Campeonato Brasileiro. Em 1982, enfrentou equipes renomadas, como o Vasco, de Roberto Dinamite.

No Presidente Vargas, ganhou por 3 a 0, com gols de Róbson, Valdo e Toninho. Na ocasião, nada puderam fazer Cláudio Adão, Mazarópi e o próprio Dinamite contra os santa-marienses, que esperam o retorno do futebol em sua terra para, quem sabe, sorrir por ao menos 90 minutos.

Informações de globoesporte.com

FOTO: reprodução / globoesporte.com

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