O uso da medicina alternativa

novohamburgo.org – Se o senhor não fosse médico, o que seria?

Dr. Valdir – Quando eu terminei o ginásio, meu pai perguntou se eu queria ser bodegueiro ou estudar. Respondi que iria fazer medicina. Acho que eu iria engrenar tranqüilamente no comércio, pois trabalhei no comércio até o terceiro ano de medicina.

Quando me formei, por que quase não havia especialistas? Porque existia a história de ir para o interior, fazer dinheiro e depois voltar para fazer alguma coisa. Quando eu estava no sexto ano, fui uma vez para Dom Feliciano, ali perto de Camaquã. Quando eu cheguei, era um hospital aberto só até às 20 horas. Bateram na porta de madrugada e nos chamaram para atender. Era uma paciente gestante que estava em casa e teve uma convulsão.

Naquele tempo, usava-se três medicamentos para parar a convulsão. Eles só tinham um, os outros dois eu tinha na minha pastinha. A mulher parou de convulsionar logo. No outro dia de manhã, aquilo se espalhou pela cidade toda: “Tem um médico bom aí.” Depois, tive um parto gemelar. Aí já se formavam filas para consultar comigo.

Lembro que veio um cara todo mal-vestido e perguntou quanto custou a consulta. Eu disse que não custou nada. Aí a funcionária me disse que ela deveria cobrar, pois aquele sujeito era um dos fazendeiros mais ricos dali e que, sempre que tinha um médico novo, ele ia consultar daquele jeito para não pagar.

novohamburgo.org – E por que o senhor acabou não optando pelo trabalho no interior?

Dr. Valdir – Eu tinha três propostas para trabalhar. Lá em Dom Feliciano, Sombrio e Marques de Souza. Imagina o Doutor Valdir Marques de Souza em Marques de Souza? Sentei com meu pai e conversei sobre o que iria fazer: uma especialidade ou trabalhar em um lugar desses primeiro. Meu pai disse: “Quem te agüentou fazendo seis anos de faculdade particular, agüenta mais três. Vai e faz.” Eu fiz a especialidade por causa dele.

Se não fosse o meu pai, possivelmente eu teria ido para Dom Feliciano.

Os meus colegas que optaram por ir para o interior, uns estão realizados, mas uns estão desaparecidos, não construíram nada. Hoje em dia, não ter uma especialidade é muito difícil. Se não fosse o meu pai, possivelmente eu teria ido para Dom Feliciano.

novohamburgo.org – Hoje em dia se fala muito sobre a lei do ato médico. E cada vez mais há formas de medicina alternativa consagradas popularmente, como homeopatia, quiropraxia. Como o senhor vê isso?

Dr. Valdir – Na minha especialidade, eu faço o que tem trabalhos científicos. Quando eu me formei, não era para dar hormônio para as mulheres na menopausa. Depois, começamos a dar. Atualmente, também não se dá mais, porque há uma incidência maior de câncer de mama nas que estão tomando. Ou seja, tudo muda conforme há pesquisas.

E tem uma coisa que todo mundo está fazendo, que é a isoflavona, um composto de soja. A paciente senta na minha frente e me questiona se pode tomar. Não há um trabalho científico que mostre que isto irá ajudar. Não deve prejudicar, mas não quer dizer que vá ajudar. Sou muito no sentido de, quando é medicação, se utiliza quando há trabalhos científicos a respeito.

Um exemplo é a medicina ortomolecular. Às vezes, sentam pessoas na minha frente que tomam 20 comprimidos por dia, 5 a 6 gramas de vitamina C por dia. Tu não encontras um trabalho que alguém consiga absorver mais de três gramas de vitamina C. A maioria é duas. O resto é tudo no xixi. Já vi uma palestra em que o cara disse que a única coisa boa da ortomolecular é que o xixi é rico em vitamina.

Já vi uma palestra em que o cara disse que a única coisa boa da ortomolecular é que o xixi é rico em vitamina.

novohamburgo.org – E o senhor já fez uso de alguma forma alternativa de medicação?

Dr. Valdir – Acupuntura eu já fiz. Só tem que ter cuidado com as agulhinhas, verificar se são bem esterilizadas, pois pode pegar uma doença de um para o outro. Quanto às outras especialidades, acho que tem muita coisa que só vai te ajudar. Sobre medicação, quando você toma algo que não vai te fazer mal e você se sente bem, continua. É o caso da isoflavona. Não sei se daqui a alguns anos não irá surgir um trabalho e minha opinião será diferente.

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