O trabalho e a família

novohamburgo.org – E a fundação do Hospital São Rafael?

Dr. Valdir – Quando começamos o Hospital São Rafael, era para ser somente um hospital materno-infantil. Eu cheguei a fazer 24 partos em um mês. Às vezes, fazia um parto, ia para casa, chegava e já tinha que sair para fazer outro. A gente via que precisava algo melhor, pois muitos pacientes nossos estavam indo para Porto Alegre. Por isto nasceu o São Rafael.

Só que o Hospital, que podia ser feito em dois anos, levou sete anos para ser feito. Aí já existia plano de saúde e tivemos que mudar porque a maternidade apenas não seria suficiente para manter o Hospital. Depois, o Moinhos de Vento assumiu e tinha um grande nome em Porto Alegre. Pensávamos que iria investir muito aqui, o que acabou não ocorrendo e o Hospital não andou. Agora, com a aquisição da Unimed, a gente também teve que trabalhar bastante. Foi uma aquisição muito legal, com a aprovação dos cooperativados.

novohamburgo.org – O Centro de Ecografia surgiu também pela necessidade de algo melhor?

Dr. Valdir – Tínhamos que dar uma palestra na Feevale e pensamos: quando vamos ver aqui um aparelho de ecografia, que possibilita ver o diâmetro da cabecinha da criança, do tórax, seus membros. Para satisfação nossa, três, quatro anos depois já tinha o primeiro aparelho na Santa Casa.

O Centro de Ecografia foi fundado em 1980 e junto com ele nasceu a participação de uma pessoa muito importante aqui em Novo Hamburgo, que é o Leo Adams. Eu sempre digo que o Centro de Ecografia nasceu na garagem dele, que também foi sócio-fundador.

Fomos pioneiros em uma época em que tudo se fazia em Porto Alegre.

Conseguimos fazer uma sociedade de 32 médicos para comprar um aparelho de ecografia. E este grupo continuou. Foi o primeiro serviço de ecografia, mamografia e densiometria em Novo Hamburgo. Fomos pioneiros em uma época em que tudo se fazia em Porto Alegre. Só há um serviço em Porto Alegre que tem o certificado de qualidade ISO. E nós também temos.

novohamburgo.org – A idéia inicial de ter um hospital materno-infantil acabou sucumbindo, inclusive com o controle da casa de saúde mudando de mãos. Isto de alguma forma lhe frustra?

Dr. Valdir – Não, pelo contrário. O que nós achávamos que o Moinhos iria fazer, a Unimed está fazendo. Também sou da Unimed e não me frustra porque o meu sonho continuou. Por exemplo, a neonatologia é um serviço de excelência. Hoje, não faço partos no Regina, só no Hospital Unimed. Lembro dos primeiros nenês que nasceram, do recorde que foi o bebê que nasceu com 26 semanas de gestação, 550 gramas e ficou seis meses na UTI Neonatal. Lógico que há coisas que a Unimed quer expandir, que hoje só existem no Regina. Eu poderia ter me frustrado se a coisa não tivesse tido este pique.

novohamburgo.org – São tantos filhos espalhados pelo mundo, envolvimento com entidades, a AMO, a Unimed. E como fica a família no meio disto?

Dr. Valdir – Isto é uma coisa importante. Meu filho mais velho, o Alexandre, vai fazer 35 anos. Sempre tive para mim que poderia trabalhar cansado, mas chegava em casa, de noite, e meus dois filhos já prontos para ir no jogo do Nóia.

Uma vez cheguei, fui comer uma coisa para sair com eles e minha mulher me chamou. Era o telefone: eu tinha que atender uma gestante que tinha baixado. Cheguei no carro, expliquei que não poderia ir no jogo. “Que m…! Pega as tuas coisas e vai morar naquele hospital e ficar com as tuas barrigudas!”, me respondeu.

Em outra ocasião, fui a uma festa da Sociedade de Medicina, na Sociedade Orfeu, em São Leopoldo. Tive um parto pouco antes de ir para lá. Depois, cheguei em casa, me arrumei e fui para a festa. Sentei na mesa e já me chamaram: tive que voltar para outro parto.

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