A medicina em Novo Hamburgo

novohamburgo.org – Qual a sua influência sobre a escolha profissional dos filhos?

Dr. Valdir – Quando o Alexandre estava fazendo o primeiro grau lá na Fundação, eu ia buscar as notas dele. Ele tinha um professor chamado Goiaba, que me disse que não adiantava ele passar para o segundo grau, que ele iria rodar. Eu cheguei em casa e comentei isto. Ele me garantiu que não iria rodar. Ficou em oito recuperações, até em música e educação física. Em quinze dias, fez a prova e passou.

Quando entrou no segundo grau, eu disse pra ele que teria que ser diferente. Ou ele queria estudar, ou trabalhar, ou não seria coisa nenhuma. Disse que queria estudar e assim foi. No primeiro ano, chegou em julho, agosto, já estava passado. No segundo ano, começou a cair. No terceiro, passou com as “calças na mão”.

Aí, perguntei para ele o que ele iria fazer no vestibular. Aí ele me respondeu que, a primeira opção era medicina e a segunda também. Aí enchi o peito de satisfação. Eles iam muito comigo no Hospital, lá no Geral. O Alexandre já tinha visto cirurgias, inclusive. Passou um mês e ele veio dizer que fez um teste na Fundação e que não era isso que ele queria fazer. Assim, começou Administração e passou para Comércio Exterior.

Quando aconteceu isto, chamei o Rafael, o mais novo, e disse que não levaria ele no hospital, que ele decidiria o que iria fazer. Quando ele entrou no segundo ano do segundo grau, disse que iria fazer medicina. E realmente foi. Fez o vestibular em Pelotas, passou, mas fez em Porto Alegre, passou também na Ufrgs e Puc e preferiu a capital. Quando ele estava no quinto ano, veio dizer para mim que iria se especializar em Cirurgia Plástica.

novohamburgo.org – O que mudou na medicina em Novo Hamburgo da sua época para cá?

Dr. Valdir – Em Novo Hamburgo, uma das perguntas que fazia é se as minhas pacientes já tinham sido examinadas na mama. Mais de 60% nunca tinham sido. Não havia também muitos recursos para a obstetrícia.

Lembro que estudei sobre a hidrocefalia, que é a cabeça grande. O primeiro caso que suspeitei, não havia ecografia para confirmar e, então, fizemos um raio X. Um colega pegou o raio X e disse que eu provavelmente tinha razão, mas era provável. Não havia uma forma de diagnóstico preciso. Nasceu o bebê e confirmou.

Hoje fazemos diagnóstico de Síndrome de Down com certeza com 14 semanas de gestação.

A medicina era algo que nem se compara com hoje. Hoje fazemos diagnóstico de Síndrome de Down com certeza com 14 semanas de gestação. Naquele tempo, só iria ver depois de nascer. Mas acho que é importante este diálogo profissional, uma ligação entre médico e paciente.

Outra coisa: quando me formei, ia nos congressos e ouvia que jamais deveria dar um anticoncepcional para uma adolescente que vinha consultar sozinha, sem conversar com os pais. Eu nunca concordei com isso. Se vinham sozinhas, eu receitava e justificava. Se eu não desse, ela iria na farmácia pedir, compraria da mesma maneira e, às vezes, com outra indicação, que não seria a ideal. Mais do que uma vez a mãe veio consultar comigo e me questionou sobre isso. Aí perguntava se ela gostaria que a filha chegasse grávida em casa.

Lembro de uma paciente que foi estudar em Santa Catarina e acabou engravidando. Foi fazer um aborto, teve uma infecção generalizada, tirou o útero e ovários, além de ter um problema cardíaco. Aí contei isto para esta mãe. Não quer dizer que tudo isto vá acontecer, pois naquele tempo parteiras faziam aborto e não acontecia nada.

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