Markus viu na queda do muro de Berlin novas oportunidades

Novohamburgo.org – O que mais você conseguia “ver” da Alemanha Oriental, enquanto ainda existia o muro de Berlim?

Wilimzig – Era quase um outro país. Não conseguíamos chegar lá e ver o que acontecia. Nós não tivemos parte de nossa família no lado Oriental. Só depois com a queda do murro, no primeiro ano, por volta de 1991, eu deixei Hamburgo e fui para lá para trabalhar. Era outro mundo. Fui para lá para fazer projetos de restauração. Mas diferente do que se possa pensar não faltava tudo para fazer. Só estava diferente. As pessoas haviam ficado diferente. Na Alemanha Ocidental tudo era bem organizado, tudo colorido e bem bonito. Na parte Oriental as pessoas estavam vivendo mais na improvisação, quase assim como no Brasil.

Novohamburgo.org – Nos fale dos projetos que fostes fazer lá?

Wilimzig – Fui para lá para fazer projetos sobre patrimônio histórico. Fui como biólogo fazer restauração em prédios antigos. Como eu faço ainda hoje. Eu estudei e fiz uma formação superior em biologia e me especializei em microbiologia e fiz doutorado em biologia, tudo em Hamburgo. É uma faculdade semelhante às universidades federais brasileiras. A Alemanha investe bem mais dinheiro em educação que o Brasil. Lá tu estudas o dia todo. Neste tempo eu tive filhos e tive que começar a trabalhar um pouco.

Trabalhando no outro lado do muro de Berlin

Novohamburgo.org – Quando começou a se interessar por biologia?

Wilimzig – Meu pai desejava que eu fizesse medicina. Eu, porém, tive um professor de biologia que me incentivou muito e me motivou a conhecer um pouco mais este mundo que foi cada vez mais me encantador para mim e decidi que era isso mesmo que eu pretendia fazer na minha vida profissional.

Novohamburgo.org – Mas antes de ir fazer a faculdade você precisou prestar serviço militar?

Wilimzig-Sim. Permaneci no Exército durante 15 meses e meu deslocamento da minha casa em Hamburgo até uma cidade vizinha, distante aproximadamente 25 quilômetros, eu fazia diariamente de Fusca. Meu dia começava sempre às 5h30. Este foi um ano perdido na minha avaliação. No Exército eu era motorista de caminhão. Lá eu fiz carteira de motorista para caminhão. Isto não é muito valioso para a tua vida. No dia em que conclui o serviço militar o comandante me disse: você nunca vai ser um bom soldado. Eu respondi a ele que também não interessava em ser somente um bom soldado e que queria mais para minha vida. Mas a minha carteira de motorista de caminhão me serviu depois para ganhar meus estudos dos cursos superiores, pois trabalhava em média dois dias por semana como forma de retribuir a sociedade a educação que estava recebendo do Governo Alemão.

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