O voluntariado na saúde e na educação

novohamburgo.org – Mesmo aposentada, a senhora não parou e partiu para o voluntariado. Por quê?

Marie Traude – Depois do ensino formal, iniciei uma caminhada voluntária. Ainda estava no Conselho de Educação quando fui convidada a ingressar na Liga Feminina de Combate ao Câncer, que é uma área que eu desconhecia completamente, a da saúde. E eu gosto do desafio. Eu pensei que quem sempre teve tanta atividade não pode ficar parado, não consegue parar.

Quando a gente faz as coisas com paixão não tem data nem tempo, é uma história, e é uma coisa que eu já venho fazendo há bastante tempo no município, os encontros que eu chamo de “diálogos com os professores”. Os diretores me convidam pra ir às escolas, e eu converso com os professores e com os pais. Esses diálogos desenvolvem uma discussão sobre ética profissional com os professores e, com os pais, sobre o comprometimento da família junto à escola.

Hoje, a escola precisa muito dos pais, não que quando eu era criança e estudava não precisasse, mas é que a gente vinha com aquela educação de base de casa e é com essa educação que tem que vir. A escola nasceu em função do processo de informação, a educação vai junto nesse bojo, mas a base vem de casa. E eu sempre dizia para os pais: quando a família tem os seus valores que se harmonizam com os valores de uma escola, aquela pessoa vai embora com valores sólidos. Faço esses encontros até hoje, voluntariamente, e comecei ali por 98, 99.

novohamburgo.org – E, depois disto tudo, a filosofia. Por quê?

Marie Traude – Eu já sentia a falta da escola e meu filho mais velho era professor da Unisinos na época, no curso de psicologia. Ele me comunicou que havia aberto o reingresso e me falou que, quando ele era menino, eu sempre dizia que ainda ia realizar um outro sonho que era cursar filosofia. E eu fui. Me formei neste ano, 2007, no dia 6 de janeiro. Foi muito bom, com tudo que o curso pede, com estágio, com observação. Lamentei quando terminou.

Eu fui (cursar Filosofia) pelo prazer de aprender, da leitura, do conhecimento, da discussão com o grupo.

novohamburgo.org – A segunda graduação foi melhor aproveitada, com mais calma?

Marie Traude – Muita calma. E outra coisa: eu fui lá por puro prazer, não porque eu queria um título, prestar um concurso, conseguir um emprego X… não! Eu fui pelo prazer de aprender, da leitura, do conhecimento, da discussão com o grupo. Isso é muito bom e disso eu ainda sinto falta.

novohamburgo.org – Professora e filósofa?

Marie Traude – Eu sempre digo que quando a gente se forma na graduação de Filosofia não é filósofo, é bacharel em filosofia. Para ter o título de filósofo, a gente tem que construir um sistema teórico e isso não é assim fácil, demanda muito estudo, muita pesquisa.

novohamburgo.org – Então, a senhora é favorável ao ensino da filosofia no ensino médio?

Marie Traude – Com certeza. Eu tive a felicidade de ter filosofia na minha formação como professora. Agora, a gente sabe que a filosofia e a sociologia, que trabalham as relações humanas, caíram fora quando a gente entrou numa época de ditadura. Porque uma disciplina humanística, ela fatalmente faz a reflexão do ser humano, como humano com direitos e deveres.

novohamburgo.org – Não era pra ninguém pensar?

Marie Traude – Não, nada de pensar! Obedecer, cumprir. Por que filosofia o que é? É basicamente pergunta. As grandes questões do ser humano são: de onde vim? Para onde vou? Quem sou eu? Até hoje, estão sem respostas, a filosofia ainda não respondeu. A gente vai buscar e daí descobre que ainda são perguntas sem respostas. Eu tenho que responder quem sou eu, para onde eu vou e de onde eu vim.

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