Visão empresarial se amplia com entrada na ACI em 1999

fatima04-04novohamburgo.org – Qual o diferencial no início de sua vida empresarial, para garantir o alicerce e garantir a sobrevivência a todas as dificuldades que todo novo empreendimento enfrenta?

Fátima Daudt – Penso que de diferente foi a iniciativa de entrar na ACI em busca do conhecimento empresarial junto a empreendedores mais experientes que já figuravam nos quadros da entidade. Era ano de 1.999 e naquela oportunidade entendi que já era hora de entrar numa instituição, pois sempre considerei importante todo espaço que ofereça apoio empresarial. Aquele final de década foi muito importante para minha vida e deixou marcas que serão eternas. A ACI já representava uma porta de entrada no mundo dos negócios.

novohamburgo.org – A direção da ACI foi uma motivadora da diversificação de atuação no mercado, já naquela época?

Fátima Daudt – Esta informação eu não busquei da ACI. Foi uma motivação que partiu de mim. Mas quando eu passei a circular dentro da entidade, quando eu ingressei no conselho para os prestadores de serviços percebi que naquele espaço poderia aprender muito. Por tudo o que a entidade oferecia. Eu sempre gostei muito de causas comunitárias. Quando estudante lembro que eu era monitora de classe e estava sempre me envolvendo com algo a mais. Eu me recordo que minha mãe brincava comigo dizendo que eu era muito “metida”. Este sempre foi meu perfil desde criança. Então, quando comecei a participar da ACI e entendi a importância da missão dela, passei a me envolver bastante pois acredito no trabalho associativo. Eu não consigo imaginar ninguém obtendo alguma coisa de forma isolada.

Eu não consigo imaginar ninguém obtendo alguma coisa de forma isolada

novohamburgo.org – No final da década de 90 o sentimento de unidade de classe era mais forte do que hoje em dia?

Fátima Daudt – Eu acho que isto está muito nas pessoas. No meu caso, a idéia de grupo sempre constituiu o meu perfil. Eu desde criança sempre participei coletivamente. Juntamente com meu marido já estive em algum momento integrando a equipe de gestão da escola de nossos filhos, ingressamos em direções de Clubes que nós participávamos, enfim, já encaramos vários desafios. Agora hoje, eu percebo que ainda muitos têm este espírito, porém, não dá para generalizar. São muitos empresários envolvidos na Casa. E muitos já focam suas ações no coletivo, mas penso que é preciso mais. Esse grupo é ainda muito pequeno. Só quando as pessoas constituírem uma consciência de que só o trabalho coletivo e organizado constrói é que a região vai sair ganhando.

novohamburgo.org – A senhora concorda que havia na década de 90 muito mais unidade e até um certo romantismo na atividade empresarial?

Fátima Daudt – Concordo. Acho que isto acontecia em grau mais elevado em décadas anteriores e bem antes ainda de 1.990. Vejo que antigamente os empresários se envolviam muito na sociedade. Nós estamos fazendo um livro com a história da ACI e isto é interessante. Entre aqueles empresários mais antigos, todo evento que ocorria dentro da entidade conseguia reunir todos eles. Só que era um momento histórico diferente, onde eles ficavam muito dentro de suas próprias empresas e quando havia algum evento na ACI eles se dirigiam para a entidade. Hoje o que vem ocorrendo é que o empresário tem uma planta de sua empresa no nordeste, outra fora do país e ele precisa estar se deslocando o tempo todo de um ponto para outro. Mudou o perfil das pessoas empreendedoras. Mas nós temos hoje muitos empresários com espírito associativo e penso que deveríamos ter muito mais.

novohamburgo.org – Como a senhora visualiza o futuro de Novo Hamburgo como a Capital Nacional do Calçado?

Fátima Daudt – De Novo Hamburgo ninguém vai tirar o título de Capital Nacional do Calçado. Ele faz parte de nossa história. Mudou. Lógico. É natural e que bom que mudou. Porque se a cidade tivesse ficado parada no tempo nós teríamos perdido o título de Capital Nacional do Calçado. Eu vejo que na cidade esta ocorrendo uma diversificação da matriz produtiva e agora a economia não se concentra só na produção de calçados. Essa evolução é natural. Várias cidades do mundo passaram por esta migração da produção de sapatos rumo a diversificação da matriz produtiva. Não somos os únicos a passar por esta experiência. Mas eu acho que isto é importante para o município e o sapato vai continuar por muito tempo ainda sendo pensado por nós. Mas de uma forma diferente e não como era antigamente em grande escala. Daqui pra frente haverá produção em escala moderada e com muito mais tecnologias.

novohamburgo.org – O que a senhora espera do futuro prefeito de Novo Hamburgo?

Fátima Daudt – De um administrador público eu espero sempre que ele realmente tenha uma visão para o bem comum da cidade e do cidadão hamburguense. Espero que coloque acima de tudo as necessidades e vontades do cidadão hamburguense e não do partido. E ele precisa tratar a nossa cidade com o respeito que ela merece. Se ele fizer isto já fará um grande mandato. Ele será um grande administrador. Hoje em dia existem muitos interesses partidários e ele deve priorizar fazer o que é certo e este caminho passa necessariamente por fazer aquilo que é bom ao cidadão.

novohamburgo.org – Em qual frente o novo administrador da cidade deve centralizar suas forças?

Fátima Daudt – Quando eu penso em cidadão hamburguense estou visualizando uma pessoa podendo dispor de Saúde, Educação e Segurança. Para a iniciativa privada, o apoio que o administrador pode dar é não atrapalhar o crescimento. A gente até brinca com isto quando diz acreditar que o setor produtivo consegue crescer e gerar riqueza se nada e nem ninguém atrapalha-lo. Para isso é só administrar bem os recursos públicos. A gente sabe que a divisão do bolo tributário é muito injusta com os municípios ao destinar a eles um percentual ínfimo da arrecadação, porém, todo bom administrador não pode perder nunca de vista os recursos levantados e adaptar os seus gastos a receita obtida. Quem esta no comando deve prestar atenção ao fato de que o caixa é composto por entradas e saídas e ele não pode gastar mais do que arrecada. Administrar bem é encontrar caminhos para conseguir fazer cada mês mais em Saúde, Educação e Segurança.

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