Posicionamento político e o voto

Sobre Brasília, mensalão, corrupção, pizzas, qual a solução para isto tudo?

Amorim – Educação. E a questão do voto também. Defendemos a democracia, dizemos que o povo está aprendendo a votar. Mas a cada eleição a gente se pergunta se o povo está aprendendo a votar mesmo. Ainda acho que esta questão pode ser melhor trabalhada através do voto. Já através da Justiça, da punição dos atos, ainda estamos muito longe. Nós sabemos, e vou me limitar a dizer isso, que acontecem coisas lá muito mais escabrosas do que aparecem na mídia. Tem algumas coisas que não posso falar.

Ainda no campo político: o promotor Amorim é de esquerda ou de direita?

Amorim – Eu sou um vaidoso humilde, um carismático, tudo bem… mas muita coisa do que eu disse aqui nesta entrevista, eu não tenho razão. Estou errado. Mas quero sempre ter a tranqüilidade de expor minhas opiniões, aceitar que pensem diferente, ouvir os que pensam diferente e, muitas vezes, me convencer de que devo ser diferente. Muitos dos conceitos que expus aqui, antigamente eu pensava exatamente o contrário.

Eu sou um homem que votou no Afif Domingos, que votou no segundo turno no Fernando Collor de Mello e que votou duas vezes no Lula.

Eu sou um homem que votou no Afif Domingos, que votou no segundo turno no Fernando Collor de Mello e que votou duas vezes no Lula. Não sou mais promotor eleitoral, então posso falar isso. E digo mais: podem me chamar de louco, mas eu sou desses que votou no primeiro turno no PSDB e o segundo no PT. Votaram na Yeda para tirar o Olívio da disputa, não foi? Eu votei na Yeda – e eu não sei votar – porque ela não tinha governado.

Eu tenho o meu medo com o PT porque a esquerda jurídica é muito ruim, é terrível, porque ela protege muito o marginal. Mas ainda assim votei e fiquei pensando: tem um cara de Novo Hamburgo, não vou dizer o nome dele, que está com a Yeda. Então não posso votar na Yeda. E reformulei o meu voto e “bigodiei”. Sei que o “Bigode” também tem muitas más companhias, mas o “Bigode” é um cara bom.

Mas aí fomos a Brasília e lá a coisa era mais difícil, com ninhos de cobras dos dois lados, porque o PT me decepcionou. E eu votei no Lula porque tinha que votar em alguém, não podia votar em branco. Acabo não votando no partido, mas votando nos homens. E é assim que eu sou de esquerda e de direita. Posso votar no Olívio Dutra e no Frederico Antunes (deputado do PP) sem nenhum problema.

Pra deputado eu votei no Beto Albuquerque (PSB). Voto no Beto sempre. E pra estadual no Jair Soares (PP). Está vendo? Jair Soares e Beto Albuquerque! E ainda indiquei o Enio Bacci (PDT) pra minha mulher. E na outra eleição votei no Estilac Xavier (PT). Então, que viagem não é? “Esse cara é louco”, é o que todos me falam.

O senhor não votou em nenhum candidato de Novo Hamburgo. É sinal de uma desilusão com a política local?

Amorim – Nunca votei nesse negócio de candidatos da região. Ou votaria no Eliseu Padilha, que minha irmã votou e acho que ela vai carregar essa mácula para o resto da vida. Então eu voto em que eu acho que possa ser melhor no contexto todo. O cara pode ser do PFL, do PSOL, só não pode ser canalha. A Heloisa Helena e o Jorge Bornhausen poderiam ter muitas afinidades, por exemplo. E não tem por quê? Porque a Heloísa Helena não é canalha.

Mas eu me permito dizer que a política em Novo Hamburgo está carente. Por isso que fui procurado e todos que me procuravam diziam que faltava liderança.

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