O enfrentamento com Maradona

Voltando ao tema da sua atuação profissional, nós teremos em breve o julgamento de Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona. Enfrentar alguém tão perigoso lhe causa medo?

Amorim – A curiosidade é que o Maradona está envolvido em drogas. Não sei se ele é Maradona porque joga bem ou por causa disto. Sobre este rapaz, dizem que ele mandou matar o Melara (Dilonei Melara, famoso criminoso gaúcho, morto em janeiro de 2005) e que assumiu o comando da facção que manda no Presídio. É um criminoso poderoso.

Está tudo errado, pois prenderam um cara do PCC aqui e colocaram ele na cela do Maradona. Deram uma pós-graduação ao Maradona. O Regime Disciplinar Diferenciado, com o cara sozinho na cela, como fizeram em São Paulo, ainda não fizeram aqui. E aí eu critico a questão dos direitos humanos, porque tem que ter uma responsabilidade social também.

Prenderam um cara do PCC aqui e colocaram ele na cela do Maradona. Deram uma pós-graduação ao Maradona.

Lá nos Estados Unidos e em alguns países, tem criminoso que fica isolado. Até é algo exagerado, sem direito a visita íntima, pois acho que não precisa deixar o cara sem sexo. Mas sozinho, vigiado, dá pra fazer aqui.

Então dizem que esse Maradona mandou matar o Melara, que é um cara perigoso. Não tenho medo, não ando armado? Eu ando armado. Odeio armas, não posso nem enxergar, mas ando armado e sei atirar. Agora, tenho um amigo em São Paulo que faz júri do PCC, o Nadir de Campos Júnior. Ando com ele em São Paulo e eu digo pra ele: “mas nem um canivete tu carregas, Nadir?”. E ele responde: “O que você quer? Contra o PCC? Que eu ande de fuzil?”

Eu sempre digo: mataram o J. F. Kennedy, com toda a segurança que ele tinha. Medo a gente tem mais é de faltar para as pessoas que a gente gosta. E eu quero viver, a vida é bela. Quero viver bem, ser um Matusálem, viver uns 200 anos com saúde, jogar minha bola com 90 anos, mas o trabalho tem que ser feito.

E outra: morrer não dói. Isso eu aprendi quando estive quase lá do outro lado. Eu tive uma perfuração de pleura, com uma fratura de costela. Foram dois litros de hemorragia interna – os caras morrem com um litro, mas como meu anjo é forte, eu voltei. E aí descobri que morrer não dói. É uma experiência de vida fantástica a quase morte. Aquela história de túnel, de ver o corpo de fora, aquilo não é viagem, é real.

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