Deus, ideologia e mensagem final

novohamburgo.org – Não é esse tipo de notícia que o senhor recebe do Brasil, lá na Itália?

Scheffel – É complicado. Lá é muito mais publicado. Isso acontece quando se transforma do comunitário para uma sociedade que não se conhece mais. Só o que vale é dinheiro. Hoje, temos o Deus dinheiro. O mercado é que decide tudo.

Como sair dessa? Eu não sei. É preciso criar maior consciência. Há muita comunicação. Como as pessoas estão singularmente se desenvolvendo, as pessoas que tem desenvolvimento, aceitam. As outras vão na onda, ou nem querem saber.

novohamburgo.org – O senhor acredita em Deus?

Scheffel – Eu vou pegar o que eu escrevi há dois dias. (Scheffel começa a ler manuscrito que produziu).

Só o que vale é dinheiro. Hoje, temos o Deus dinheiro. O mercado é que decide tudo.

“Domingo, 26 de agosto, em Hamburgo Velho. A borboleta pode ter um monólogo, e não diálogo, com os gatos. Os gatos, por sua vez, em relação aos cachorros, permanecem limitados a própria categoria. Porque vivem evolutivamente separados. Insistir na possibilidade de diálogo com um deus ou entidade superior a nós, seres semoventes, do reino animal, com a pretensão de escolhidos, eleitos por um espaço sagrado a nossa espera no fim da linha ou infinita miragem é argumento furado, é demonstração de nossa incapacidade de discernimento necessário a penetrar num espaço que não é o nosso e justamente prova de que ainda não aprendemos a ser coerentes com o que somos e não temos a necessária e modesta paciência aconselhada por Jesus.”

novohamburgo.org – As suas obras conversam com o senhor ou elas são fotografias de um momento da sua vida?

Scheffel – Elas vão em diversas direções. Às vezes, são simplesmente para nosso deleite, relaxamento. Ou recordar fatos históricos ou mitológicos. São coisas que nós precisamos. E não tudo realizei. Parece que não vou poder realizar a grande obra, que é a visão de mundo. Algo que sempre imaginei que iria realizar em uma grande tela. Mas eu precisava primeiro conhecer melhor. E eu levei muito tempo. Só em 1986 é que me deu essa luz e comecei a trabalhar. E eu não tenho aqui espaço. Mas eu vou mostrar a imagem básica. Isso aí eu tenho muitos estudos.

Quero mostrar os problemas principais que a humanidade está resolvendo. Mas a estrutura é aquela da fazenda. É a cenografia que eu havia criado já há muitos anos, mas eu evitava continuar porque precisava primeiro entender toda a estrutura, pelo lado filosófico.

Os textos eu escrevi, mas não se encontram, não estão estruturados ainda. Somente de 86 para cá é que eu estou fazendo textos partindo do mundo em que vivemos. É uma síntese. E a partir disso é que eu posso dar um quadro, um esquema que vai servir para quem vai estudar filosofia.

Hoje as pessoas vão votar num partido ou noutro, pensando que a ideologia funciona. Não tem ideologia. É tudo teatro.

Hoje as pessoas vão votar num partido ou noutro, pensando que a ideologia funciona. Não tem ideologia. É tudo teatro. O que funciona é a função. Essas duas partes com a divisão no meio. Isso é que conta! As pessoas se transformam. Se não se transformam, cai fora.

novohamburgo.org – Gostaríamos que o senhor deixasse uma mensagem para as pessoas.

Scheffel – A mensagem que posso deixar é a mensagem de muitos pensadores. É simplesmente continuar naquilo que se está fazendo. Porque cada um está fazendo o seu melhor. E nem é possível o contrário. Nós não caminhamos para trás.

Cada um de nós, por pior que seja a pessoa, está procurando melhorar-se. Apesar de que ela não sabe, mesmo que ignore, ela tem esperança. Isso é mitologia coletiva. São os significados que a humanidade mesmo desenvolveu e que continua desenvolvendo. E são essas coisas que nos fazem desenvolver a cultura, que é o trabalho.

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