O limite e alianças do PSOL

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O limite e alianças do PSOL

novohamburgo.org – Disputar uma eleição pelo PSOL não te limitas?

Ralfe – Existem duas coisas que vem sendo confundidas ao longo do tempo. As pessoas estão sendo levadas a pensar que fazer política se limita a não roubar e ser ético. Isso é o óbvio. Qualquer um tem que ser em qualquer espaço. Isso é importante, mas é óbvio que não se deve fazer política sem isso!

A segunda é a perna ideológica. Infelizmente, as pessoas observam menos. Acho que todos que fazem política, alguma ideologia tem. E a perna pode ser atrofiada ou hipertrofiada. Acho que tem perna exata, tem medida certa, mas essa é menos avaliada. E isso é um desserviço à democracia. E nem falo do governo, mas dessa pedagogia. Cada vez mais política é só ser limpinho, só andar certinho, ser arrumadinho. Não é. Não pode ser.

novohamburgo.org – Qual a política de alianças para o PSOL para as próximas eleições?

Ralfe – Na cidade, eu não imagino, mas em âmbito nacional eu vejo com bons olhos o bloco de esquerda, a frente de esquerda, onde se alinham PSOL, PCB e PSTU. Novo Hamburgo não tem nem um, nem outro. É o que eu falava: eleitoralmente é pior.

Se o que importava é a eleição, ou a reeleição, poderíamos ter aceitado o aceno do PDT no ano passado, com a candidatura da Heloísa Helena e o Buarque como vice. Faria mais voto. Faria 15 milhões de votos, e não 7 milhões. Teria mais tempo de propaganda eleitoral gratuita. Assim como o PSOL discutindo com outros partidos sem nenhum critério que não a vitória na eleição, o resultado é outro. Mas não é.

Eu acho que partido político é mais do que isso. Tem de ser mais do que isso. Tem que ter inserção social, filiação verdadeira, tem que ter programa partidário, identidade. Isso não dá para fazer abraçado no PDT, respeitando as pessoas que estão no PDT.

novohamburgo.org – Mas esse discurso não ganha eleições. O partido vai crescer dentro desse ideal? Outros partidos, como o PSTU, não cresceram.

Ralfe – O PSTU não cresce porque ele escolheu não crescer. O PSTU não dialoga com a sociedade. O PSOL se propõe dialogar. Mas isso não quer dizer passar por cima de qualquer princípio ou fazer qualquer tipo de aliança para ganhar uma eleição.

novohamburgo.org – Quer dizer que uma aliança com o PCdoB jamais será feita?

Ralfe – No que depender de mim, jamais. O PCdoB é o partido que domina a UNE (União Nacional de Estudantes), que domina a UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), que domina a União de Estudantes de Novo Hamburgo, e vamos combinar que não é o melhor bom senso.

E mais do que isso: sustenta o governo Lula e o sustentou em todos os episódios de escândalos que ele viveu e vive. Também é parte do governo Jair. E não indico o governo Jair como corrupto, como indico o governo Lula. Acho que o governo local é inoperante, que é irresponsável, por exemplo, na questão do transporte coletivo, mas não acho que seja corrupto.

Diferente do governo Lula que acho que é corrupto, inoperante em uma série de setores e irresponsável em uma série de setores. Então, como criar espaço para dialogar com o PCdoB? Dialogar o que com o PCdoB? Aqui dialoga com a gente e em São Paulo dialoga com o PMDB? Parte do governo é composta por ele, mas outra parte é composta pelo PP do Severino Cavalcanti. Tu escolhes participar do governo. Ninguém obriga ninguém a isso. Não impuseram isso. Tu estás ali porque tu queres estar ali.

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