Mudanças começam com diálogo

Mudanças começam com diálogo

Mudanças começam com diálogo

novohamburgo.org – Isto te faz pensar que haverá reação?

Ralfe – Há alguns movimentos populares. Em Florianópolis, tivemos um movimento muito forte contra aumento da passagem de ônibus. Em Florianópolis, a cada aumento, a gurizada toma a rua e vira palco de guerra. E como fica isso? A USP, agora há pouco, teve a ocupação da reitoria por um decreto que não queria mal de ninguém, mas tirava a autonomia da universidade.

novohamburgo.org – E na nossa cidade? Em diversas vezes, em outras épocas, os estudantes foram para a rua.

Ralfe – O Fora Collor foi isso, mas havia um presidente caindo, a imprensa nacional cobrindo. Era fácil colocar 2.000 estudantes na rua. Hoje, a União de Estudantes de Novo Hamburgo não vai para a rua. Assim como não vai nenhum movimento social. Acho que inclusive isso dá o limite do movimento. Que o movimento não está em movimento.

Eu penso que a gente, enquanto comunidade, enquanto sociedade, vai encher o saco de ficar parada, e vai atropelar. Estou apostando nisso. Cada conversa que eu tenho participado, e não são poucas que eu faço por semana, elas não são para construir o partido necessariamente, elas são para alertar as pessoas de que a tua vida está na tua mão. Teu lugar de moradia, tua casa, está na tua mão.

Se não tem médico ali, não que tu seja responsável por fazer o médico chegar, mas tu é responsável por não fazer nada se o médico não está ali. Seja no sentido de denunciar, seja no sentido da titulação da tua rua para cobrar isso. E funciona. Aquela conversa que foi com duas pessoas na primeira semana, na outra são três. Na outra são duas de novo, na outra são dez.

novohamburgo.org – Mas por essa apatia, parecem ser poucas pessoas para multiplicar.

Ralfe – São poucas, mas todas que são atingidas são sólidas. Eu não tenho nada para oferecer para as pessoas. Não tenho cargo, não tenho grana, não tenho poder, e não me proponho a isso. Eu não tenho o que oferecer. E é legal porque eu vejo pela reação das pessoas. Elas nos recebem na sua casa, na escola, na calçada. E isso dá lugar em seguida para essa gana: dá para fazer, gurizada!

novohamburgo.org – Tu não tens tido problema em entrar em alguns lugares, sobretudo pelas forças que dominam muitas vilas?

Ralfe – Não, não tenho tido esse tipo de problema. O tráfico é uma realidade crescente na nossa cidade, é um grande poder, mas não tem impedido de fazermos este trabalho, mesmo que seja contra os interesses desse poder. Se eu fosse polícia, eu tinha entregue tudo já. Arma, distintivo e contra-cheque. Porque não há possibilidade de um trabalho digno em nenhum aspecto.

Acho que isso não serve como discurso, mas acho que não há, por exemplo, 10 pessoas trabalhando na DP do Santo Afonso. Se perguntarmos a qualquer policial quantos processos de arrombamento à residência estão sendo investigados, o cara vai primeiro perguntar: mataram alguém? Esse alguém era alguém? Se for, está sendo investigado como latrocínio, pela questão do homicídio.

Arrombamento: foram na tua casa, pegaram teu computador, teu DVD, pegaram tudo, e botaram fogo no quarto e não pegou fogo na casa toda. Então, isso não está sendo investigado.

Esse é o poder do Estado. Não acho que 30 policiais na Santo Afonso resolvam o problema da segurança, mas acho que podem dar segurança e condição de trabalho a quem trabalha na segurança pública, mas precisa vir acompanhado de carro, colete, armamento, aliado a uma medida de investimento público em políticas de saúde, educação, cultura.
“>Descrédito da juventude com a realidade

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