Descrédito da juventude com a realidade

Descrédito da juventude com a realidade

Descrédito da juventude com a realidade

novohamburgo.org – Esse é o caminho para a nossa sociedade?

Ralfe – A música, as artes, a educação. Aí é que está. Temos hoje a maior fatia de desempregados até 24 anos, e cada vez mais, até 30. E ao mesmo tempo quem mais mata e quem mais morre também está nessa faixa etária. Ao mesmo tempo, tu não tens um incentivo para geração de trabalho e renda, tu não tens ocupação quando a figura ainda freqüenta o banco escolar e não tens perspectiva de acesso a uma faculdade, ou qualquer outra coisa que projete a vida do cara diferente ou melhor do que foi a do pai ou da mãe dele.

Em recente pesquisa, 60% da juventude brasileira achava que a sua vida seria pior do que foi a vida dos pais. Emprego vai ser pior do que o dele, não que gostaria, mas que achava que seria. Tu enterras aí uma geração, ou uma década inteira. Mata o sonho e a esperança.

Tu vais em uma vila hoje: a menina se prostitui por R$ 3,00, por R$ 10,00. Que sonho tem ela? O menino compra crack por R$ 3,00 a pedra, por R$ 8,00, por ser abusado pelo cara da “boca”. Que sonho tem esse guri?

novohamburgo.org – Parece que estás falando do Rio de Janeiro.

Ralfe – Não, estou falando do Vale do Sinos. Essa é Novo Hamburgo. A nossa cidade. E quem pode localizar essa realidade, sabe localizar. E não estou falando da polícia, mas da assistência social. Sabe onde está e sabe do que precisa. Há programas hoje que remuneram a política pública nesse aspecto.

Novo Hamburgo arrecada R$ 300 milhões. A folha de pagamento é muito alta e não sei mais o quê. Sobram R$ 100 milhões, para investimento e custeio. Segundo a prefeitura, R$ 30 milhões são investimentos para 2007, o que já não é pouca coisa. Ah, mas tem muita coisa para fazer na cidade? Tem. E algum dinheiro então tem. Tem que priorizar.

novohamburgo.org – O que é prioridade na cidade?

Ralfe – Essa cidade que hoje acorda chocada lendo no jornal, na internet, ouvindo no rádio ou vendo na TV que mais um foi morto. Se o problema é segurança, e metade das pessoas querem que se cuide da segurança pública, não vamos mais discutir: se investe em segurança.

É preciso que se discuta tudo isso para que se determine conjuntamente o que se quer resolver. Se a outra metade quer que se cuide da causa, e não da conseqüência, para onde também deve ir esse dinheiro? Para a educação, cultura, geração de emprego e renda.

A principal discussão que deve ser feita é onde o dinheiro deve ser investido, se é um posto de saúde em cada bairro ou um posto de saúde bem aparelhado, a construção de salas de aulas em todos os cantos ou uma escola modelo. A assistência social vem fazendo mal na cidade e tem responsabilidade compartilhada e fundamental, e envolve a sociedade que não reage.

novohamburgo.org – No mundo de hoje com toda a informação existe espaço para um revolução socialista?

Ralfe – Com a evolução da barbárie, eu não sei quem sai vivo disso. Mano Brown disse: enquanto o morro estiver atirando contra o morro está tudo bem. Quanto tempo quem vem sendo excluído de tudo ainda tolera? Acho que as pessoas e o próprio tráfico sabem disso. Senão, as pessoas não aceitariam o tráfico. Quanto tempo leva para as pessoas saberem que elas podem sair do morro e tomar o Estado? E triste isso, mas acho que é para esse meio que corre.

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