Coalizão e reformas no Brasil

Coalizão e reformas no Brasil

Coalizão e reformas no Brasil

novohamburgo.org – O Brasil não precisa dessa coalizão?

Ralfe – Não precisa dessa coalizão. Acho ao contrário, o Brasil não permitiria uma coalizão. O Brasil não tem programa nenhum sendo efetivamente consolidado, por causa da coalizão. Tu repartes o Ministério da Saúde para partido tal, o Ministério dos Transportes para partido tal, daí a Petrobrás, porque tem bastante dinheiro, fica com o PT. A governabilidade é a manutenção de um governo, hoje nesse sistema. Tem servido, a pau e corda, para dar maioria ao governo no Congresso.

O que interessa e interessou no passado? Reforma da previdência interessou no governo Fernando Henrique, privatização interessou, reeleição interessou. O Lula conseguiu fazer reforma na previdência, no setor público, que não havia sido feito até então, quando historicamente todos condenavam esse tipo de mecanismo, e veio para o segundo mandato apresentando a reforma trabalhista, a reforma sindical e uma nova reforma previdenciária.

novohamburgo.org – E a tributária?

Ralfe – O que chamam de reforma tributária é paliativo. Quanto tempo dura? Não tem como fazer uma reforma dessas sem discutir amplamente com a sociedade. A arrecadação no Brasil vem aumentando ano a ano. A arrecadação em Novo Hamburgo vem aumentando ano a ano. Então não é problema de caixa. O dinheiro é muito mal direcionado.

O governo cria mecanismos que vêm onerando cada vez mais o contribuinte, o empresário. Esse recurso não tem servido para melhora da condição de vida, porque o Bolsa Família não sai desse dinheiro. O Bolsa Família sai do achatamento da classe média. O cara do andar de cima, aquele multimilionário, especulador, ganha mais do que ganhava.

Não diminuiu a distância entre quem ganha menos e quem ganha mais por conta de quem ganha mais. A classe média é que foi achatada, seja pelo reajuste do imposto de renda, que é aquém do necessário. Pegue como exemplo o subsídio do vereador, que é de R$ 4.770,00. Se não me engano, são aproximadamente R$ 9.000,00 por ano.

Nesse caso, se discute que é dinheiro para político, mas se eu fosse professor da UFRGS, seria a mesma coisa. É salário. Isso não é dinheiro de uma renda de capitalização. Não, isso é salário, é suor. Então que discussão é essa que temos de fazer? Não adianta fazer a reforma pela metade. Então, o Supersimples pode ser algo bom, mas que negociação foi feita para colocar na pauta? Isso nunca vamos saber.

E a reforma política é outra coisa que não vai acontecer. A bancada de um partido hoje muda pouquíssimo. Muda porque um foi eleito prefeito, o outro foi candidato a vice-governador.

novohamburgo.org – Dentro dessa reforma política, como tu vês a questão da lista?

Ralfe – Eu acho que a lista é o que deveria acontecer. Mesmo que internamente a maior parte dos partidos tenha cacique. Mas acho que se forem legítimas as lideranças elas efetivamente conseguem romper com essa barreira.

novohamburgo.org – E o financiamento público de campanhas?

Ralfe – É outra coisa que se for bem feita é a solução. Se for para ganhar boca não serve. Se for para continuar ganhando dinheiro da iniciativa privada, não adianta. E tem outra coisa: eu faço anúncio no jornal A, mas o outro é amigo do dono do jornal B, que emite nota para um anúncio e o cara aparece em três anúncios. E quando o político diz que fez 50.000 santinhos, 5.000 santinhos… onde é que tu vais catar se é verdade ou não?

É muito difícil construir isso, mas não tenho dúvida de que esse é o único caminho. A fiscalização é determinante no quanto arrecada, na forma como arrecada. Tem que fiscalizar a eleição efetivamente, não de olho fechado. Ano que vem teremos gente comendo de graça e sendo amontoados nas esquinas.

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