Luiz Almeida Marins Filho

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Menos choro, mais ação

Menos choro, mais ação
Esta é a receita do professor Luiz Marins para o Vale do Sinos reagir e superar a atual crise econômica
A passagem do antropólogo Luiz Almeida Marins Filho por Porto Alegre, durante a Expoagas, serviu como um puxão de orelhas aos empreendedores e, principalmente, a alguns empresários do Vale do Sinos que optam por reclamar ao invés de buscar soluções.
Marins palestrou na Fiergs sobre “Liderança Pelo Exemplo”, quando abordou as principais falhas que as empresas apresentam em sua relação com funcionários e clientes e apresentou uma pesquisa que concentrou no mau atendimento a causa do fracasso.
O portal novohamburgo.org conversou com ele e questionou sobre as saídas para a crise do calçado, principalmente, que tanto afetam a região. E Marins foi enfático: a receita é parar de chorar e passar a agir. Confira como foi este bate-papo:

novohamburgo.org – Qual o significado maior de sua palestra, intitulada Liderança Pelo Exemplo?

Luís Marins Filho – A grande verdade é que tem um ditado latino que diz: “As palavras movem e os exemplos arrastam”. Não adianta querer fazer nada em uma empresa que o dono não dá o exemplo.

A pesquisa que eu apresento mostra que a irritação de todo mundo que trabalha em uma empresa é a falta de coerência entre o discurso e a prática. A gente fala uma coisa e faz outra. Quer dizer, falta execução. O líder tem que executar. Tem que estar lá junto. Não adianta dizer: “Eu deleguei”. Delegar é uma coisa, abdicar é outra. A maioria dos empresários não têm delegado, têm abdicado da sua função, que é a função do dono da empresa, que é a função de empreendedor, que é a função de líder.

Eu devo saber o que o meu mercado paga e fazer com que ele pague.

A liderança pelo exemplo é a única saída que eu vejo para as empresas. Nós temos muitos concorrentes, todos com qualidades semelhantes e preços similares. Mas como vou fazer a diferença? Sem aumentar o custo. Porque a maioria das diferenças são colocadas no custo e o empresário não vende. Aumenta o custo da empresa e o cliente não percebe aquilo como valor para ele, e o cliente não paga.

Daí o empresário diz assim: “Meus clientes só querem preço”. Não é verdade. É que a diferença percebida pelo cliente é preço. Se eu vou na churrascaria, e uma cobra R$ 20,00, a outra R$ 18,00 e a outra R$ 15,00, eu vou na de R$ 15,00. Qual a diferença de valor para mim? Nenhum, é preço. Então, eu devo saber o que o meu mercado paga e fazer com que ele pague. E então executar com foco.

novohamburgo.org – Professor, em poucas palavras, o que é ser líder?

Marins – A melhor definição de líder é do Eisenhower (Dwight D. Eisenhower – ex-presidente dos EUA): “Líder é aquele que consegue fazer com que as pessoas façam aquilo que elas mais querem fazer”. Então, o líder é aquele que conhece tanto os seus liderados, que conseguem extrair dos seus liderados que eles façam aquilo que eles sabem fazer, portanto que eles querem fazer e que eles fazem bem.

novohamburgo.org – Quais as principais dicas para as pessoas viverem com entusiasmo?

Marins – A primeira é muito fácil: afastem-se das pessoas que pensam de forma negativa. O mundo já é tão difícil, você não pode viver com alguém te puxando para trás. A segunda é: acredite em você, valorize suas idéias, intuições. Às vezes, eu vejo empresários que ficam falando que tiveram aquela idéia há muitos anos. Só que ele fez, e você não fez.

Eu conheço velhos de vinte anos e jovens de noventa. Cuidar da cabeça é fundamental.

Terceira: não reclame e não fale mal dos outros. Como dizia minha avó, além de tudo é feio. Quarta: cultive o bom humor, o sorriso e a alegria de viver. Porque mau humor, além de tudo, é falta de educação. A quinta é: não fique parado. Viver é aprender. Eu conheço velhos de vinte anos e jovens de noventa. Cuidar da cabeça é fundamental.

A sexta é: coopere, participe, ajude e estenda a mão ao outro. Até porque você se acha a pessoa mais desgraçada do mundo e você vai ver que não é. A sétima é: comprometa-se, faça mais do que esperam de você. Ande um quilômetro extra. Faça alguma surpresa às pessoas.

A oitava é: preste atenção aos detalhes. Até porque um detalhe pode matar alguém ou salvar alguém. A nona é: cuide-se, goste da sua imagem, invista em você. A décima é: não chore, passe do plano do choro para o plano da ação.

novohamburgo.org – Como o senhor avalia a falta de incentivo ao empreendedorismo, desde pequeno, em casa, na escola, na formação do futuro empreendedor?

Marins – O problema do empreendedor é que ele tem que transformar sonhos em ação, o que muita gente faz, mas ação em resultado. Você tem que fazer coisas que o mercado pague. E isso começa em casa, quando você não é levado a pensar em resultado. Quer dizer, você trabalha muito bem, sonha, sonha, e acredita e acredita, mas não consegue fazer o resultado.

novohamburgo.org – O Vale do Sinos vive uma crise por conta de vários fatores. Qual receita o senhor dá para os empresários da nossa região?

Marins – Parar de chorar. Passar do plano do choro para o plano da ação. Eu vou muito para a região. Há trinta anos, Novo Hamburgo vivia o auge. O pessoal nadava em dinheiro. E eu pergunto: o que isso ensinou para nós?

A realidade do dólar, do mundo, da China, são realidades. Está aí. Agora, tem regiões que estão se dando bem. O que será que eles estão fazendo? Será que a gente está estudando o que eles estão fazendo, ao invés de ficar chorando?

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