"O pai nunca foi levado no cabresto"

1008_lucas3novohamburgo.org – Mesmo a oposição reconhece a liderança e as qualidades dele.

Lucas Redecker – Para nós, foi o momento de comprovar algumas coisas. O pai sempre comentava que ele era amigo de todo o PT, tanto no Rio Grande do Sul quanto no Brasil. Que ele separava o caráter ideológico das amizades que ele tinha. Ele comentava que, depois que ele entrou no PSDB nacional, mudaram algumas coisas. Isso nós sabíamos que era verdade. Mas a dimensão era outra. Não era a dimensão que ele dava. Era muito maior do que nós imaginávamos.

Vem Tarso Genro te abraçar, chorando. Vem Olívio Dutra, Luciana Genro, Maria do Rosário, Rosseto, Henrique Fontana, Beto Albuquerque. Adversários históricos. De acirrados debates políticos. Pessoas que vêm e dizem: “o Júlio era meu amigo, gostava dele”. Isso sem falar no vínculo que o pai tinha com o Serra, Aécio Neves, com toda a cúpula do PSDB. Isso foi comprovado.

Até um deputado me ligou, e eu estive em Brasília conversando com ele, e ele me disse que tinha uma amizade tão grande com o pai, que ele queria que fosse uma amizade hereditária. Isso eu notei com o Aécio Neves, que me abraçou e me convidou para visitá-lo em Minas Gerais. O Serra me ligou duas vezes e me convidou para ir para lá. A Yeda, quando fui ao Palácio para agradecer, ela comentou do crescimento do partido quando o pai entrou no PSDB.

Quando o pai entrou no PSDB, foi a pior hora para ele.

novohamburgo.org – Quando o PSDB perdeu a eleição presidencial, não é?

Lucas Redecker – Quando o pai entrou no PSDB, foi a pior hora para ele. Porque o PSDB não era mais situação, era oposição. Em nível de estado, em relação ao partido que o pai estava filiado, era menor, querendo se desenvolver, mas com muitas dificuldades. E o pai com o vínculo que tinha com o Fernando Henrique, com o Serra e com aquela turma toda, ele com certeza escolheu o PSDB por convicção ideológica.

O PP mudou o nome e foi a hora ideal para ele sair. Ele não concordava com a política nacional do partido, e com um cacique do partido, alguém que se achava dono do partido. Dentro do estado, problema algum com o PP, muito pelo contrário, deixou grandes amigos, além de muitos que o seguiram na sua decisão. Mas o pai nunca foi levado no cabresto, até pelo caráter dele.

O pai só trocou de partido depois que assumiu a vaga de deputado eleito.

Na época da votação da reeleição, o pai era contra e o Britto tirou o secretário que tinha aqui, que assumiu a cadeira na Câmara e o pai ficou sem mandato meio ano. E ainda assim o pai só trocou de partido depois que assumiu a vaga de deputado eleito, para não prejudicar o tempo de propaganda eleitoral gratuita do PP. Entrou no PSDB, se realizou, e com certeza o partido cresceu muito depois que ele entrou.

novohamburgo.org – Tu acreditas em queda do PSDB a partir da perda do Júlio?

Lucas Redecker – Eu acho que o reflexo positivo ainda continua. O partido vai continuar crescendo, ainda mais agora que temos a governadora no comando do estado. Claro que um governo de um estado não é fácil de ser administrado, ainda mais com a crise das finanças do estado.

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