Trajetória Pessoal

Entrevista realizada no dia 05/12/2006, na redação do portal novohamburgo.org

Jorginho, conte um pouco da sua ligação e da sua paixão como vôlei.

Não teria como não ser diferente. Meus dois pais eram treinadores de vôlei. Minha mãe mora até hoje a 150 metros de distância da Sociedade Ginástica. No tempo que eu era moleque, ela assobiava para dizer a hora em que eu tinha que voltar para casa. Dentro da Sociedade Ginástica, eu não tinha como não ter uma ligação esportiva. Acho que pratiquei quase todos os esportes do clube: joguei tênis, bolão, bocha, punhobol, vôlei e nadei. Então, acho muito difícil eu não cair em cima de disso. Mas a partir do momento em que vi que o esporte seria atrativo, comecei a ver a rentabilidade disso.

Por quê?

Na medida em que se chega numa certa idade, não basta ser só bonito e forte, tu vais estudar, tu vais começando a te profissionalizar. Logicamente fiz educação física e vi que o voleibol tinha futuro. Essa visão me aparecia seguidamente e comecei a ter grande dedicação ao vôlei. A educação física me encaminhou, mas a formação de técnico de desporto foi outra coisa. Essa é uma especificação do esporte. Um certo tempo depois, o vôlei passou a ser negócio, comecei a rentabilizá-lo através de campeonatos, rifas, patrocínios, de tudo isso aí. Essa parte de marketing, de busca de patrocínio, isso foi invenção do que o vôlei acarretou para a gente. Acho que todos nós que somos professores e educadores, nós acabamos sendo marqueteiros porque vendemos alguma coisa. Tenho que vender o meu time, vender o meu trabalho e vender uma posição, e isso praticamente me diz aonde é que eu cheguei até hoje, sempre tentando vender aquilo que eu entendia.

E esse trabalho é muito difícil?

Muito. Acho que hoje a situação de buscar alguma coisa permite uma obsessão. Sempre fui um cara que lutou pelas coisas, sempre gostei do que eu fiz, então sou muito feliz, sortudo. É muito bom aquilo que mais gosto de fazer ser a minha rentabilidade de ordem financeira e profissional. Até mais ainda, é a rentabilidade da minha família, porque acabaram sendo os meus dois filhos jogadores de vôlei também. Então a sorte não está junto com a capacidade, mas a capacidade precisa de sorte. Assim, acho que eu sou um cara muito obstinado nessas coisas e tive, com certeza, muita sorte.

O período da primeira medalha de ouro em Olimpíadas, em 1992, era uma época mais fácil para o vôlei?

Com certeza. O ano de 1992 foi um estalo na parte profissional dos atletas. Isso porque, nos anos 80, o narrador esportivo Luciano do Vale o Nussman, que era o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), começaram a fazer a divulgação. Houve, ainda, o Campeonato Mundial Juvenil no Rio de Janeiro. Então, de 80 em diante, aconteceu um estalo do vôlei e tudo foi confirmado com as Olimpíadas de 1992. Então passou a ser negócio investir no esporte. Vencer no esporte é uma coisa dificílima, primeiro porque eu acho que depende de talento. Há pessoas que podem tentar de tudo o que é jeito, mas se não tiverem talento não terão sucesso. Mecanicamente poucos vencem.

Depois de 1992, houve alguma queda na popularidade do vôlei?

Só aumentou. Nós temos uma felicidade de ter bons dirigentes. E ter bons dirigentes é um o grande problema do esporte no mundo, não só no Brasil. Quem dirige o esporte tem que ser sério.Acho difícil, hoje, que ocorra alguma coisa grave no vôlei brasileiro. Ele está muito seguro, está sendo administrado por pessoas que usam o vôlei para negócios. Eu tenho usado essa palavra por um bom tempo. Todo mundo tem que ganhar. No momento em que todo mundo passou a se engajar nesse princípio, o vôlei começou a dar retorno. Como eu falei antes, tem que rentabilizar. E, assim, todo mundo vai lutar. Isso é muito positivo no vôlei hoje, até a competição é saudável.

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