Seleção de Portugal

Entrevista realizada no dia 05/12/2006, na redação do portal novohamburgo.org

Vai trabalhar lá quanto tempo?
Dois anos

Esses dois anos são uma preparação para as Olimpíadas?
Especificamente. Portugal nunca classificou uma equipe de esporte coletivo para as Olimpíadas. Então eles pegaram esse ano quatro ou cinco esportes onde investiram. Um dos investimentos foi o Felipão, que está na seleção Olímpica também. Eles acham o esporte hoje na Europa muito rentável. É muita coisa para dar negócio, e hoje se abriu uma outra coisa muito claramente: o esporte está denominando a política internacional. O jogo do Irã e do Afeganistão na Copa foi um exemplo disso. Os caras estão usando o esporte para amenizar certas diferenças religiosas, políticas. Para Portugal, que é um membro da Comunidade Européia hoje, acho que é uma janela totalmente utilizável, e eles estão fazendo a coisa certa, no meu modo de ver.

E como é que será o vôlei lá em Portugal? Tu já tens essa noção?
Vamos dar um chute: está entre as 12 ou 18 seleções do mundo. Agora o campeonato mundial são 24 equipes, só que não são as 24 melhores, é tudo por continente.

É inevitável a comparação tua com Felipão. Existe alguma aproximação de vocês?
Ele é muito mais velho do que eu (risos). Quando recebi o convite, a primeira coisa que eu fiz foi ligar para o meu amigo Paulo Paixão, que foi preparador físico do Inter e está na seleção de Portugal. Aí eu pedi pra ele: “Escuta, preciso falar com o Felipão”. Daí o Paulo disse: “Não, seguinte, ele está chegando no Brasil hoje”. Então deu tudo certo, liguei para ele e disse: “Oi, aqui é o Jorginho”. E ele: “Oh cara! Como é que tu estás?” Expliquei para ele o que estava acontecendo e ele disse: “Vem embora”. Foram as duas primeiras palavras que ele disse.

A figura do Bernardinho também é atração. Até que ponto isso pra mídia chama mais atenção do que o próprio espetáculo que as pessoas foram assistir.
Toda pessoa que luta por alguma coisa, ela parece ser mais fiel. Aquele negócio de “ah deixa!”, como ocorre no Congresso, onde os caras ficam sentados, assim não dá. Agora quando vai o cara, entusiasticamente falando, que se estressa, briga pela coisa, transparece o esforço dele. Um exemplo: o Rodrigo diz para a Cristiane fazer uma reportagem em tais moldes. Daí ela faz errado. O Rodrigo explica de novo, do jeito que tem que ser e ela faz errado de novo. Na última tentativa, ele manda outra pessoa. Assim somos nós na quadra. Treinamos, treinamos e treinamos a semana inteira, aí o cara vai lá na quadra e faz errado! Minha mulher disse que eu fico um moranguinho de vermelho. Vocês viram o Bernardinho como estava tranqüilo no jogo de domingo? Porque tudo saiu através do plano que se fez.

E essa cobrança é de um pai para um filho como uma família ou é do técnico pro atleta?
Muitas vezes eles me chamam de pai como gozação.

E tu gostas dessa maneira deles te chamarem?
Ah, gosto. Sabe por quê? Porque há fidelidade. É aquela história: quando um ganha, ganha todo mundo, agora quando perde todo mundo, daí perde todo mundo.

Que espírito é esse?
Não sei vocês viram quando acabou o jogo da final da Liga Mundial, mas nesse momento o Riardinho pegou uma câmera e começou a filmar. Então ele deu um beijo na careca do Bernardinho de cima. Essa brincadeira, esse desafio com o pai, o treinador ou mestre, isso é saudável em certos momentos. Porque tu tens que te igualar a eles, mas lá na quadra quem manda, ou lá na hora do pai e filho, tu tens que dar a verdade, falar alguma coisa. Isso é uma escola.

Várias vezes tu foste lembrado para ser técnico da seleção. Por que isso nunca aconteceu? Por que Portugal conseguiu isso antes do Brasil?
Vamos ver sob duas óticas. O lado político, financeiro e econômico não tem como ser aqui. Então os investimentos no lado filosófico das coisas estão lá no centro país. Nós temos pessoas qualificadas, mas se alguém de lá divulgar a mesma coisa que eu escuto tu falares, a dele significa mais. Então essa é uma ótica de ver as coisas. Isso não me causa rebeldia nenhuma, sempre treinei equipes não investidoras de marketing, a Ulbra, a Ginástica a On-line, nunca foram investidores. Uma Unesul da vida, uma Fimed, agora que investe nos maiores produtos farmacêuticos do país, gasta dinheiro. O Bradesco, a Teleligue. A mídia divulga muito mais a Jéssica porque ela é investidora do Votorantin do que o cimento Estância Velha. Então isso acarretou algumas coisas. Claro que eu já sabia disso. E tem mais uma coisa: o Brasil, hoje, nas mãos do Bernardinho e do Zé Roberto, só com uma 12 pra tirar eles, porque eles são muito bons, os dois.

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