Consciência política também se dá pela educação

0910_bassani5novohamburgo.org – E é possível um mundo diferente, considerando que na base o pai ensina que o filho deve ser honesto, seguir as normas, mas vai comprar na esquina um lápis e não pede nota fiscal? Isso não é uma ética dentro da sociedade?

Bassani – Tudo, tudo, tudo, tudo! O dia-a-dia na família. São os amigos. É um conjunto. É aquele que está mais preocupado em trabalhar pelo que ganha, e não pela responsabilidade que tem. Hoje defendem, amanhã aquilo tudo não vale mais nada.

Mas quem tem uma formação, uma educação. Por exemplo, não jogar papel para fora da janela do carro. Todo mundo reclama, se alguém faz isso. Esse aspecto da educação, pelo menos, está bastante consolidado.

No trânsito, morre tanta gente. Eu até acho que morre muito pouco diante do que a gente vê no trânsito. Algumas coisas a gente internaliza, outras nem tanto. Geralmente é assim: a lei é para ele!

Agora, a questão do IPTU. Tem cada coisa. Lá no hospital, é empresário pedindo um quarto privado para a mãe, pelo SUS. Alguém que poderia dar um quarto em um hospital particular, usando do público e querendo atendimento VIP. Onde está o princípio da lealdade com a sociedade? Isso é um processo longo, lento. De repente acontecimentos como esse, do Congresso, nos deixam tristes, mas nos levam a um novo posicionamento, postura. No voto, na escolha.

novohamburgo.org – E iniciativas como a que o DCE da Feevale teve de levar velas, caixão, fazer um sepultamento? Chocando, mas buscando conscientizar a comunidade. Tu apóias esse tipo de atitude?

Bassani – Para mim, o sepultamento seria a própria negligência dos estudantes! Não precisa de ato. Pode ser mais para chamar algum político lá. Uma mesa para falar e se mostrar como representante dos. Um mero componente político. Para mim, os estudantes são negligentes, não participam. Nós não estamos vendo a classe estudantil, que batalhou pelas Diretas Já, se movimentar contra tanta coisa errada.

Esses dias, eu vi uma passeata de estudantes de 2º grau, gritando: “queremos estudar e a Yeda não quer deixar”. Agora, será que algum estudante sabe o que é enturmação? Vamos ler o relatório. Eu fiquei abobado. Há 2422 turmas com 4, 6, 8, 10 alunos. E o Estado mantém essas turmas. Um colégio particular manteria turmas com 6 alunos? Nem abriria. O Estado está quebrado. Que atitude nós vamos tomar? Temos de tomar uma direção.

novohamburgo.org – Acreditas que seja falta de informação?

Bassani – Um problema que vem aí é a própria cobertura da mídia ao trabalho de cada parlamentar. Tem moção que nem foi feita e já estão divulgando. Coisas pequenas que são mostradas, que ganham destaque. Jogar para a torcida, como se diz. Coisas importantes nem são divulgadas. Quem perde com isso é a sociedade.

Quando fomos presidente, ampliamos o relacionamento social. Além de criarmos a TV, entrevistas com os vereadores antes da sessão, a pauta, a discussão dos assuntos que seriam debatidos na sessão. Tornar a ordem do dia mais atrativa. Nossa sessão é muito formalista. No passado, quando éramos presidente, tivemos um evento sobre competitividade das empresas e não saiu uma linha na imprensa.

novohamburgo.org – As pessoas participam muito pouco da vida legislativa da cidade. A que fator o senhor atribui esse desinteresse?

Bassani – As pessoas vão muito quando há votação de algum tema de interesse de um segmento. Tem dias que lota! Mas por que não há interesse maior? Acho que carecemos de uma vivência política maior.

Turismo
home_central_vertical