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Tic – tac, tic – tac

Por Jorge Trenz

Criador do relógio no sentido anti-horário, hamburguense nascido em Rolante, colono-relojoeiro, Remi Scheffler, representante da terceira geração da joalheria batizada com o sobrenome da família, além dos títulos inusitados, é formado com excelência pela Escola Suíça de Relógios, e em administração de empresas. 

“Meu avô era um colono em Rolante e reparava tudo. Ele tinha esse dom de consertar. Era funileiro, relojoeiro, arrumava guarda-chuva e o que mais aparecesse. Com o passar do tempo,envelhecido, foi tendo dificuldade para enxergar. Como via talento no meu pai, que o acompanhava sempre, apelou para que o ajudasse na montagem de coisas mais delicadas.” 

Em 1953, Waldo Scheffler, pai do Remi, e o irmão dele, resolveram empreender e constituíram a empresa. O negócio deu muito certo em Rolante e os dois, então, vislumbraram a possibilidade de crescimento, desde que tivesse um mercado maior e mais atraente para conserto e venda de relógios e joias. Foi assim que vieram parar em Novo Hamburgo e foi assim que Remi tornou-se hamburguense de coração. “Isso foi em 12 de abril de 1962”, recorda. Até hoje, a Joalheria Schefflerestá no mesmo endereço, na Rua Bento Gonçalves, 2236.

O tic-tac dos ponteiros pontuam a vida deste relojoeiro desde a barriga da progenitora. “Minha mãe atendia o balcão enquanto o pai consertava os relógios e joias.” O guri cresceu dentro da loja. Via os relógios chegarem esfacelados e ficarem novos em folha depois de passarem pelas mãos talentosas, pela paciência e conhecimento do pai e aquilo o encantava. “Isso tudo eu achava uma coisa muito mágica.” 

O certificado de relojoeiro de excelência no estado do Rio Grande do Sul, pela Escola Suíça de Relógios, é um dos orgulhos do Remi. Eram poucos alunos que podiam participar, pois o curso, na época, tinha o custo de um Fusca. Foi ministrado em Porto Alegre por uma equipe vinda da Suíça, somente para quem já era relojoeiro, e teve a duração de meio ano. Era um curso para afinar, lapidar o conhecimento. 

 Muita paciência e conhecimento fazem do relojoeiro uma profissão mágica.

O relógio anti-horário “Certa vez, em 1985, sentado numa barbearia, pensei: – Vou inventar um relógio que, se tu colocar contra o espelho, ele vai andar certo. O cara achou engraçado. E eu me dediquei e fiz..Lógico, hoje se tornou de domínio público, tudo mundo faz, mas em 85 eu fiz esse relógio. Esse relógio girou o mundo. Fez muito sucesso. Eu vendi muito para tudo que é lugar. Até uma matéria ao vivo saiu na TV Record, em rede nacional. Um hamburguense que é o criador do relógio anti-horário. 

Remi ainda vê muito futuro para a Joalheria Scheffler. A filha, Aline, não conserta relógios, brinca. Mas é uma empreendedora. “Temos muitos projetos pela frente. Em breve devemos apresentar uma surpresa para a comunidade de Novo Hamburgo, audaciosa, diferenciada. Além disso, um dos meus projetos é ministrar cursos para relojoeiros.” 

Atenção, rapaziada! Relojoeiro, por parecer uma profissão em extinção, ficou muito valorizada. O empresário me confidenciou que quando procura um profissional encontra dificuldades. Os que existem estão empregados, são muito bem pagos e não saem do seu emprego. E a maioria dos jovens não têm se interessado. Fiquem de olho, portanto, porque Remi Scheffler deve lançar, em breve, um curso de relojoaria em Novo Hamburgo. 

Pergunto se empreender no centro é negócio. “Eu incentivo todas as pessoas que pensam em empreender, em abrir seu próprio negócio, que se animem e façam. No centro ou onde julgarem melhor em Novo Hamburgo. Hoje 62% da arrecadação de tributos do município vem do comércio varejista. O que mais precisamos fazer é a economia girar.” 

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