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Céu, sol, sul, terra e cor

Por Jorge Trenz

Uma das músicas mais conhecidas e cantadas pelos gaúchos foi recebida em primeira mão por ele, o então Pastor Hilmar Kannenberg, da IECLB, numa segunda-feira de manhã, quando chegava ao escritório da Secretaria de Comunicação. Mas a história do Pastor Hilmar começa muitos anos antes, tem capítulos na Alemanha, envolve música e, talvez, uma benção especial para quem nasceu num domingo de Pentecostes.

Quando criança, Hilmar apreciava percorrer três quilômetros para ir à escola no interior de Santa Rosa, todos os dias. Os sons da natureza, as cores do caminho, entretiam o menino. A família, depois, voltou de mala e cuia para Ati Açu, uma vila embrenhada em Sarandi, onde ele havia nascido. Fez ali até o quarto ano do primário e depois foi morar com parentes em Carazinho para concluir o quinto ano e a admissão para o ginásio. Com o apoio do Pastor local, foi estudar em São Leopoldo em 1955 como bolsista de uma das melhores escolas de línguas do sul do Brasil, o Instituto Pré-Teológico, hoje Centro Diretivo da Faculdades EST.

No IPT, aprendeu alemão clássico, latim, grego e um pouco de espanhol – e isso acabaria influenciando seu futuro. Em 1959, enquanto trabalhava como vendedor numa loja em Venâncio Aires, eis que entra um senhor bem apessoado e com voz grave diz:

– Vim falar com o Kannemberg.

– Sou eu – respondeu acanhado.

– Disseram-me que falas o alemão!? Preciso que faças o programa em alemão na rádio. O responsável está acamado. Te mostro e ensino tudo.

Hilmar diz que sua vida está marcada pelo “SIM”.

Assim começou, em 1961, uma trajetória profissional que apoiou e influenciou muita gente. No programa, usava discos de sucessos alemães emprestados por amigos. Ao final do bacharelado em Teologia seu professor de Antigo Testamento, alemão muito sério e exigente o chamou. “ – Ouço teu programa no rádio. É bem ruizinho. Mas, sei que vais ganhar uma bolsa para o exterior e tenho um cunhado na Rádio de Frankfurt. Se queres aprender mais …”

Já na Alemanha, o jovem Kannenberg estagiou nas rádios de Frankfurt, Berlim (na Universidade Livre), Munique, na BBC de Londres, na WACC (Associação Cristã Mundial para a Comunicação) e na Holanda. Retornou ao Brasil e, em 1967, casou-se com Martha Ingeborg Pommer e foi ser Pastor em Tuparendi, na barranca do Uruguai. Em setembro do mesmo ano saiu em viagem de 100 dias pelo país com um enviado da Igreja e da TV alemã para fotografar e filmar instituições educativas, sociais e de saúde apoiadas pela agência “Pão para o Mundo”.

Com toda sua bagagem, Hilmar foi procurado e atendeu ao chamado para participar do preparo da Assembléia Luterana Mundial, para criar a Secretaria de Comunicação e, sobretudo, da criação de uma estúdio profissional para gravação de programas radiofônicos e música, a ISAEC – Gravações e Produções. “Foi a primeira gravadora que abriu o estúdio para produção de discos. Houve aí a explosão da música nativista”, relembra. Para quem não sabe, a ISAEC teve uma contribuição ímpar para a cultura gaúcha.

“O objetivo do estúdio era prestar serviço às bases da Igreja Luterana, suas comunidades e público em geral. Mas, tinha que ser autossustentável e isso se fez pela gravação e promoção da música gaúcha, da música coral, da nossa música e de comerciais/jingles. E naquela segunda-feira, bate na porta um sujeito e diz: ‘Pastor, bom dia! Trouxe uma composição de presente para ti, em reconhecimento ao que estão fazendo pela música gaúcha’. Era o Leonardo – já falecido – na sua simplicidade, apresentando-me uma obra-prima, conhecida e cantada com orgulho por todos os gaúchos.

“Depois de ouvir, emocionado eu disse: – Considero essa música tão boa que tu não vais me dar de presente. Vamos registrá-la, como registramos todas as músicas inéditas gravadas aqui, e vais ganhar pelos direitos autorais, dinheiro, merecido, com tua obra”.

Hilmar Kannenberg, que se considera uma pessoa feliz, liderou o movimento que, em 6 de março de 1980, resultou na abertura da Rádio União FM, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul – Céu, Sol, Sul, Terra e Cor.

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