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Mezzo quente, mezzo congelada

Por Jorge Trenz

Ele tem sobrenome alemão, nasceu no interior de Guaporé e tem os dois pés na cozinha italiana. Edemir Kronhardt e o irmão Clóvis – falecido há 2 anos – chegaram a Novo Hamburgo em 1979. O sobrenome e o negócio que eles montaram todo o Vale do Sinos conhece: a Pizzaria Kronhardt. Mas até o reconhecimento e a fama da marca própria, houve sol e trovoadas, e muitas histórias que pavimentaram a trajetória, que segue agora na companhia do sobrinho Douglas.

“Para estudar, caminhava 3 km para ir e 3km para voltar, com chuva e barro ou sol e pó. Era meio-dia de estudo e meio-dia na roça.” Formado nas intempéries, acostumado com as distâncias que separam o ponto de partida do ponto de chegada, cedo aventurou-se Brasil afora. Em 1976, com 16 anos, foi convidado para trabalhar com um tio numa churrascaria em Curitiba. E lá foi ele.

Passado algum tempo, já mais experiente, aceitou uma proposta para ser gerente de churrascaria em Campinas (SP), na Via Anhanguera. “Foram mais três anos e meio de aprendizado no ramo da alimentação e lá comecei a conhecer outras coisas, entre elas, comer uma boa pizza.”

Em 1979 conheceu Novo Hamburgo. Como milhares de outros hamburguenses de fora, gostou da cidade e resolveu ficar. “A expansão do calçado era linda, maravilhoso de se ver. Então eu, meu irmão e um primo começamos a idealizar um projeto próprio: abrir alguma coisa que não tinha na cidade. Numa troca de ideias com amigos de Campinas, surgiu o rodizio de pizzas. Por capricho do destino, um parente que também era sobrinho do presidente do Grêmio dos Funcionários Municipais da época, nos convidou para assumir a economia do local, no bairro histórico de Hamburgo Velho, no Antigo Aliança. Foi onde tudo começou. ”

Edemir lembra que não havia rodízio de pizzas em Novo Hamburgo e nem no Estado. “Fomos os pioneiros aqui. Depois começaram a abrir outras, o que é natural em qualquer tipo de empreendimento”, afirma. Como também é natural ter pedras e espinhos no caminho. “Cidade nova, falta de conhecimento,  pouco dinheiro. Mas tínhamos uma coisa em comum com os hamburguenses: fibra e capacidade de trabalhar, de inovar. Aos poucos fomos sendo aceitos e nos encaixando.”

Ele, o irmão Clóvis, a mãe e a irmã buscaram locais para concretizar o sonho. “Tive o grande prazer de conhecer um senhor chamado Júlio Weissheimer, que acreditou no nosso projeto e me ajudou muito até concluir o estabelecimento para começar a trabalhar. No restaurante, recebíamos muitos importadores, ao meio-dia com almoço e à noite, com pizza.”

A divulgação foi acontecendo no boca a boca. Priorizando o atendimento, os Kronhardt foram ouvindo os clientes, muitos deles de companhias de exportação, gente que viajava o mundo, trazia ideias, sugeria adaptações, incentivava a criatividade.

Para Edemir, manter sempre um pedaço de pizza no prato do cliente, impulsionou o negócio.

“De repente, chegava o pessoal de São Paulo, da Bahia e perguntavam por que chocolate no rodízio de pizzas salgadas? Também fomos pioneiros nisso. Embora já existissem pizzas doces, a maneira como nós introduzimos, com vários sabores, foi inovadora.”

Sempre cuidadosa com a qualidade, a Kronhardt levou a Rodapizza para São Leopoldo e logo foi obrigada a investir numa fábrica própria de laticínios em Glorinha, para produzir seu próprio queijo. “Comprávamos de uma única empresa. Um dia quando cheguei para carregar, o diretor de vendas disse que não tinha queijo para aquele dia e não sabia quando teria para nós. Foi o que nos levou a tomar aquela decisão.”

Atualmente, a Kronhardt mantém uma unidade com pizza quente em São Leopoldo e, em Novo Hamburgo, remodelou-se e virou uma indústria de pizzas congeladas.

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