|
|
![]() |
Por Gabriela Schuch
Cada vez mais cedo, passamos a nos dedicar a experiência de poder conhecer novas culturas na prática. As opções de intercâmbio vêm crescendo a cada dia que passa, mas a preferência ainda é pelos países cuja língua matriz é o inglês.
Ir para os EUA somente para mudar de vida não é mais a única hipótese levantada pelos jovens brasileiros. Muitos deles vão para a terra do Tio Sam com a única finalidade de conhecer um pouco mais. Outros tantos preferem conhecer a América do Norte através do Canadá, que vem se aperfeiçoando a cada dia que passa no quesito de receber intercambistas de várias partes do mundo.
A Europa, e a facilidade de poder conhecer vários países ao mesmo tempo, também está na lista de opções. Além de linda, ainda a possibilidade de conhecer Londres, Paris, Roma e Berlim apenas com um trem ou carro é fascinante, sem contar a riqueza cultural do “Velho Mundo”.
Mas e como fica a família? Como se virar sozinho em um lugar longe? Dois depoimentos, duas histórias. A primeira de uma corajosa menina que largou a vida de filha única para durante 10 meses ser a 4ª filha de uma família americana.
A segunda, de uma jovem que aperfeiçoou seus estudos de língua inglesa juntamente com seu irmão em uma linda viagem para o Canadá, que teve a duração de um mês.
Bruna Poersch da Rosa tem 19 anos e é estudante de Relações Públicas. Abaixo, ela fala um pouquinho sobre a experiência de quase um ano longe de casa:
“A idéia de viajar surgiu quando eu tinha 15 anos. Minha professora de inglês fez intercâmbio para a Bélgica e eu me encantava com as historias que ela contava. Antes de viajar, recebi uma intercambista do Canadá em minha casa. A experiência foi ótima, pois pude aprender com ela como seria a vida de um intercambista num país desconhecido, com costumes diferentes e língua ‘estranha’. Isso foi de 2003 para 2004.
Bom, a idéia de ser intercambista foi amadurecendo, e comecei a fazer contatos com a agência de intercâmbio que minha professora havia indicado. E tudo correu bem. Foi um ano inteiro de preparação, reuniões e encontros de todos os candidatos do Estado.
Nesses encontros de orientação, pude aprender muito. Nós, os candidatos, tínhamos de fazer várias oficinas com simulações de possíveis situações que poderiam acontecer durante nossa experiência. Por exemplo: como se portar na mesa de jantar, o que fazer em situações de briga, ou desentendimento, limpar banheiros, lavar louça, etc..
O país que eu escolhi foi os Estados Unidos, porque é possui história e modernidade. Alguns meses antes de viajar, ganhei uma carta que continha as informações sobre minha futura família americana. Que dia mais feliz! Meu estado foi a Pensilvânia, e minha cidade Sellersville (a 100 km da Filadélfia). Bom, após essas informações eu já podia viajar. Até que enfim o dia chegou, e decolei para Nova York.
O próximo passo era conhecer minha família hospedeira (é assim que se chamam as famílias que hospedam intercambistas em suas casas). Tinha 3 irmãs e meus pais. No começo, foi um pouco difícil me acostumar com estranhos, mas logo depois já os chamava de pai e mãe, irmão e irmã.
Minha experiência foi muito boa, incrível! Fiz muitos amigos, morei com uma família maravilhosa, estudei em um colégio muito bom, conheci lugares, e não tive nenhum problema de adaptação quanto à comida, costumes e tal.
Acho que depois dessa experiência de um ano, aprendi a dar mais valor a tudo que eu tenho e a valorizar as pessoas que eu amo. Senti saudades, mas sinto mais saudades ainda de tudo que vivi lá fora. Me conheci melhor, consegui perceber que sou capaz de muito mais do que eu imaginava. Aprendi também que amizade é algo que uma vez conquistado nunca mais se perde, e que não há melhor coisa no mundo do que ter uma família que me ama.”

A organização pela qual Bruna viajou se chama AFS. Trata-se de uma ONG, onde as famílias adotam um intercambista sem remuneração. O programa descrito acima foi o High School, com a duração de 10 meses. Ele visa a experiência cultural e o intercambista pode escolher um país de sua preferencia, para ir estudar e morar com uma família. Maiores informações em www.afs.org.br.
A estudante de ciências farmacêuticas Larissa Selbach Dries, 20 anos, viveu uma experiência única: passar um mês aprendendo sobre novos costumes no Canadá.
“Meu irmão e eu sempre tivemos vontade de viajar. Desde sempre tentamos planejar alguma viagem, mas sempre esperamos e esperamos. Desde muito novos estudamos inglês e a vontade de pôr em prática era imensa! Então, descobrimos que uma das filiais da escola em que estudamos estaria levando um grupo de alunos e interessados, para o Canadá.
Bem, do momento em que pegamos o panfleto informativo nas mãos até a hora de decidirmos ir, foi um pulo! Tudo muito rápido. Nossa família sempre incentivou o aproveitamento desse tipo de oportunidade. O plano da viagem era estudar por um mês em uma escola canadense de línguas, além, é claro, de aproveitar a viagem num sentido geral.
A viagem foi muito bem planejada pelo organizador da viagem, que no caso é um representante desta escola canadense, aqui no Brasil. Tudo começou a ser pago e planejado em dezembro do ano passado, para então, viajarmos dia 7 de julho deste ano. Cada um do nosso grupo ficou em homestay, ou seja, casa de família. Mais de uma pessoa poderia ficar na mesma casa, mas meu irmão, eu e minha tia decidimos ficar separados, pela própria prática e vivência que queríamos adquirir.
Ficamos em Toronto. Uma cidade enorme! Mas linda e com uma baita de uma organização: no trânsito, nos estabelecimentos… Em tudo!
Nos primeiros dias dava um pouco de medo de pegar ônibus, metrô, caminhar pelas ruas. Mas assim que se entende como funciona, tu percebe como o sistema deles é simples. E, além disso, as pessoas são muito educadas e se tu te perdes ou precisa de qualquer tipo de ajuda, é só perguntar que eles te ajudam prontamente.
Mas o que mais impressiona é a facilidade de locomoção, pois há o metrô, que atravessa toda cidade e que cada estação, também é ponto de ônibus. Outro ponto legal também é a segurança. Às vezes ia pra casa eram onze horas e tinha que caminhar 15 minutos pra chegar até a minha casa e, por nenhum momento, me senti com medo. Às vezes até havia pessoas fazendo cooper na rua, passeando com os cachorros…
Minha família não era uma típica família canadense, são de origem grega. Eles me receberam muito bem! Apresentaram-me a casa, explicaram como funcionavam os horários deles e se mostraram muito prestativos pra tudo que eu precisasse. Claro que houve casos de pessoas no meu grupo que não se adequaram às famílias que ‘receberam’, por suas normas e tal, mas nenhum caso extremo. Mas é exatamente pra isso que se viaja, pra conhecer a cultura de outro povo.
Em questão de experiência, nossa… ilimitada! Nunca na minha vida havia ficado sozinha por muito tempo… Ficar lá esse mês me ensinou a fazer as coisas por conta própria, tomar certas iniciativas que antes, aqui, não eram necessárias. Não arrumou o quarto? Ah, ele vai estar igualzinho quando tu voltares pra casa! Perdeu-se em Toronto? Oras, Deus te deu uma boca e a escola te deu um mapa!
E falando com as pessoas, não apenas canadenses, mas pessoas do mundo inteiro que tu encontra, e aprendendo a lidar com elas, tu cresce, te desenvolve, muda tua forma de pensar. Bem, estar em contato com outro ambiente, outras pessoas e conseqüentemente outra cultura, muda muita coisa em ti. É um desenvolvimento inevitável. E é um desenvolvimento viciante! Acabei de voltar e já estou planejando a próxima viagem!
Quem tiver a oportunidade, não deve pensar duas vezes. No começo até se sente um pouco de pavor, mas quando tu chegas lá, percebe que tudo é muito mais fácil do que se imaginou. Certas dificuldades sempre se encontram, mas elas estão lá justamente para serem superadas! No final, TUDO valeu à pena e não dá vontade de ir embora. Se acostumar com a vida como é lá não é nada difícil, apesar da saudade de casa.”

O também estudante de ciências farmacêuticas, Samuel Selbach Dries de 18 anos, irmão de Larissa criou um blog especialmente para relatar a experiência vivida ao longo do mês de intercâmbio. Além do dia-a-dia é possível conferir fotos da viagem. O endereço é: http://samuel88.multiply.com/journal.
Sem dúvida alguma, mudar os ares é válido e nos ensina muito. Entretanto, é preciso pesar várias coisas. Primeiro: a adaptação. Você não terá seus pais por perto, provavelmente ninguém será teu conhecido e por isso é preciso mais do que domínio da língua mãe do pais escolhido, é preciso o discernimento de que só existe alguém por você e esse alguém é você mesmo.
Em segundo lugar aquela tecla que eu insisto sempre: responsabilidade! Para quem quer ir para fora é fundamental ter responsabilidade, afinal sem ela você não irá longe.
|
|

© 2013 novohamburgo.org. Todos os direitos reservados · topo



