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Por Gabriela Schuch
Passada a temporada “light” das férias, o Ferro Velho decidiu abordar um assunto sério: a depressão no período da adolescência. Até algum tempo atrás, falar a respeito de depressão em jovens era tido como algo absurdo, uma vez que a mesma é associada exclusivamente como uma resposta a problemas. Como era sempre assimilada a idéia de que jovem não tinha problema, então também não teria depressão.
O avanço da medicina fez com que as pessoas vissem gradativamente a real verdade: os jovens podem ser depressivos na mesma proporção de probabilidade que um adulto. É importante salientar também que os jovens podem sofrer com as influências de uma tendência depressiva diariamente.
Claro que não se pode confundir as coisas. Momentos de tristeza fazem parte da vida. Todos nós, crianças, jovens, adultos ou idosos, passamos por esses maus dias (ou até más semanas, maus meses). O importante é saber que nem tudo é depressão. A tristeza é tão importante na nossa vida quanto a alegria. Inclusive, precisamos de uma para aprender a valorizar a outra. Tristeza tende a passar naturalmente, por isso não se preocupe além do que o necessário para resolver o que lhe aflige.
Ao citar o assunto depressão, estou me referindo a uma doença, que como tal tem seus sintomas, necessita de tratamentos e pode sim comprometer uma vida normal. Doença essa que estatisticamente afeta todas as idades e nacionalidades, sendo já tida, juntamente com o estresse, com o mal do século. Estima-se que 5% da população sofre de depressão e 25% apresentará ao longo da vida episódios depressivos.

Essa doença de fato vêm se agravando entre os jovens nas últimas décadas. Estima-se que 20% dos adolescentes que são estudantes do 2° grau já sofrem com essa doença. E por quê? Porque a cada dia que passa o mundo está se tornando mais rígido, exigente e confuso e é normal que os jovens tenham dificuldade em lidar com as mudanças que encontram pela frente e que tendem a se multiplicar a cada dia.
De modo geral, os adolescentes se deparam com várias situações novas e pressões sociais, favorecendo condições próprias para que apresentem flutuações do humor e mudanças expressivas no comportamento. Alguns, entretanto, mais sensíveis e sentimentais, podem desenvolver quadros francamente depressivos com notáveis sintomas de descontentamento, confusão, solidão, incompreensão e atitudes de rebeldia. Esse quadro pode indicar depressão, ainda que os sentimentos de tristeza não sejam os mais evidentes.
Nos dias de hoje, muitos pais se orgulham com todas as condições e tecnologias às quais expõe seu filho. Nada de errado nisso, se não fosse o paradigma que se cria juntamente com essa situação: “As crianças de hoje são mais espertas que as de antigamente”. Não funciona assim. As crianças e os adolescentes estão cercados com maiores oportunidades.
O conflito surge quando o jovem se enxerga em uma posição contraditória. Ao mesmo tempo em que, devido ao meio, se torna mais difícil ser criança, o protocolo ainda não os ensinou a serem adultos.
Assim sendo, os adolescentes se encontram imersos num mundo de ambigüidades e contradições. Entre as pulsões para “abraçar o mundo”, passando por cima de tudo e de todos, e momentos de depressão e frustração, o adolescente se ressente da falta de liberdade e autonomia dos adultos e, ao mesmo tempo, não pode usufruir a irresponsabilidade da infância.

• É importante lembrar que o jovem tende a mostrar uma dificuldade através dos seus atos, por isso muitos dos que se sentem depressivos, tristes e pressionados podem vir a descontar isso na fuga através de álcool, drogas e até mesmo sexo precoce.
• Angustiados e confusos, podem adotar comportamentos agressivos e destrutivos contra a sociedade. Por isso tem sido comum observarmos o adolescente manifestar sua depressão através uma inexplicável rebeldia.
• Entre adolescentes, a depressão também pode ser “mascarada” por problemas físicos e queixas somáticas que parecem não ter relação com as emoções.
• Problemas de alteração de apetite, assim como distúrbios alimentares. Alguns adolescentes deprimidos podem também se sentir extremamente cansados e sonolentos o tempo todo e exaustos mesmo depois de terem dormido por várias horas.
• Durante um episódio depressivo, o jovem costuma sentir-se inquieto ou irritado, isolar-se de amigos ou familiares, ter dificuldade de se concentrar nas tarefas, perder o interesse ou o prazer em atividades que antes gostava de realizar, sentir-se desesperançado e ter sentimentos de culpa e perda do prazer em viver.

• Existem programas de tratamento adequados para jovens depressivos. Evidentemente a primeira atitude a ser tomada é a procura de um profissional que possa chegar a um diagnóstico, aconselhamento, tratamento e ajuda.
• Juntamente com o adolescente, os familiares e o médico podem chegar a uma decisão sobre o tipo mais adequado tratamento para o paciente. Para alguns adolescentes, o aconselhamento pode ser a única terapia necessária. Outros necessitam de uma caminhada juntamente com a família, ou seja, os pais devem se envolver na doença do filho.
• Em casos mais sérios, ainda ocorre a prescrição de medicamentos. Existem vários antidepressivos eficazes que podem ser utilizados no tratamento da depressão na adolescência, especialmente nos casos mais graves.
• Além de evitar doenças físicas, evitar cigarro, bebidas alcoólicas, ter alimentação balanceada e praticar atividades físicas, também ajudam a evitar distúrbios psicológicos como no caso da depressão.
• A atividade física é importante porque ajuda a relaxar, tranqüilizar e melhora a auto-estima. Procure achar aquela que mais se encaixa ao seu estilo de vida.

Depressão não é loucura, logo não podemos julgar um depressivo, devemos sim ajudá-lo a sair dessa situação. Claro, que hoje em dia tem muita gente que usa dessa doença tão séria para chamar a atenção. Só que não podemos julgar a todos por essas pessoas, pois existe sim a necessidade de ajuda.
Lembre-se sempre de dar um sorriso para os outros e para você mesmo, e sempre que possível abrace sinceramente as pessoas as quais são importantes na sua vida. É pouco, mas certamente trará a felicidade. E um sorriso, um abraço, um carinho, podem salvar e ainda assim não custam nada.
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