“Mais quantas crianças perderão a vida?”, questionam manifestantes no Kephas

Grupo que teve suas casas condenadas pelas chuvas do último mês organizou protesto para cobrar que a Prefeitura resolva imediatamente onde irão morar as cerca de 300 famílias desalojadas.

Cristiane Cunda cris@novohamburgo.org (Siga no Twitter)

Reclamando um lugar para morar e a falta de posicionamento da Administração Municipal em alojar as famílias atingidas pelas chuvas de abril, cerca de 50 pessoas organizaram uma manifestação na Rua Vicente Kielling no bairro São José Kephas, na tarde desta sexta-feira, dia 05.

Os manifestantes montaram uma barraca no meio da rua, que é a principal do bairro, dificultando o trânsito local. Eles carregavam cartazes com dizeres, como: “Mais quantas crianças perderão a vida?”; “Solução hoje, não amanhã”; “Para que prefeito é a cobrança de impostos?”, “Solução já!”.

Representantes da Brigada Militar, Defesa Civil e Ação Solidária vieram ao local para acalmar os manifestantes. O Secretario de Habitação de Novo Hamburgo, Juarez Kaiser, também compareceu ao local para dar explicações aos manifestantes.

Manifestantes querem soluções imediatas

Paula Cristina da Silva é coordenadora do grupo de manifestantes, defendendo os interesses das cerca de 300 famílias que eram moradoras do loteamento Kephas e ficaram desalojadas desde as fortes do final no final de abril.

“Queremos uma área para morar, ficaram de arrumar um lugar para as famílias que estão com as casas condenadas, mas não definiram nada”, argumenta Paula.

Daniel Fabrício da Rosa, casado, é pai de dois filhos e afirma estar temeroso pela segurança das crianças, relembrando a tragédia ocorrida na última sexta-feira Santa, dia 22 de abril, quando três crianças morreram.

As vítimas de nove, 11 e 13 anos foram soterradas com a queda da casa onde moravam na Vila Esperança, Kephas. Os outros moradores da casa, pais e mais dois filhos, conseguiram se salvar.

“Nossas casas foram condenadas pela Defesa Civil de Novo Hamburgo. Agora prometeram um valor para que pudéssemos pagar aluguel. Não queremos esmola, queremos um lugar digno para morar e criar nossos filhos. Esperávamos que a Prefeitura nos colocasse em um lugar apropriado, pagaríamos por este pedaço de terra e é isso que estamos reivindicando hoje”, diz Daniel Rosa.

Alojamento sem saneamento básico

Jaquelino Soares, aposentado, estava representando seu filho e netos na manifestação. “Meu filho está trabalhando e estou aqui batalhando por ele e pelos meus netos. Estamos com muito medo! O local onde eles estão não tem água. Todos queriam muito voltar para sua casa, mas ela foi condenada. Para alugarmos uma casa como o Prefeito está nos propondo, precisamos de um avalista, meu filho não tem um avalista”, questiona Soreas.

Maria dos Santos viúva, de 59 anos, disse que nesta sexta-feira, 5 de maio, a casa de sua filha que tem cinco filhos desmoronou, por sorte não havia ninguém no local. “Estamos acampados em uma antiga praça, que hoje é uma espécie de lixão sem a menor condição”.

Não há negociação ao que os manifestantes

estão pedindo, diz secretário Kaiser

O secretário de Habitação de Novo Hamburgo, Juarez Kaiser, compareceu ao local para conversar, dar explicações e instruções aos manifestantes. Segundo ele, não há negociação ao que os manifestantes estão pedindo no momento, mas destacou que resolver a situação das famílias desalojadas é prioridade.

“Nós temos políticas habitacionais definidas como o bolsa aluguel de R$ 350,00 até definirmos o que será melhor para resolver a situação destas famílias. Em um primeiro momento ficou definido que teríamos três meses e passaram apenas duas semanas.  A defesa civil ainda está trabalhando no local e tem algumas casas que estão fora da área de risco. Primeiro é preciso saber quem poderá retornar a sua casa”.

O local atingido pelas chuvas de abril possui casas que foram classificadas como Casas A e Casas B. As moradias em situação ‘A’ foram condenadas e não há possibilidade de retorno. As casas classificadas como ‘B’ não foram tão afetadas, mas devem passar por nova avaliação para serem liberadas.

Fotos: Cristiane Cunda

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