Filhos “leva-e-traz”

Uma das coisas mais comuns quando de uma separação é fazer os filhos de “leva-e traz”. Mensagens sarcásticas, piadinhas maldosas, investigações, perguntas e respostas são todas delegadas aos filhos como se eles fossem legítimos pombos-correio. Prefiro achar que os pais não têm idéia do que isso representa e do mal que faz os seus filhos. Mas alguns pais, mesmo orientados naquilo que estão fazendo, preferem usar o golpe mais baixo que conhecem. E este golpe é usar seus próprios filhos.

Determinados golpes deveriam ser proibidos, assim como nas lutas esportivas. Nestas lutas é proibido dedo no olho, chute no saco e dedo em outros lugares. Enfim, são golpes que desconcertam o “inimigo”. Nas separações deveria ser terminantemente proibido o uso dos filhos.

Mas sabe como é, golpes baixos sempre exercem uma atração imensa quando se quer ganhar a qualquer preço. Algumas pessoas lutam contra quem foi seu parceiro, principalmente quando o vê feliz, (ou assim imagina) determinadas à sua destruição total. O egoísmo e a inveja se sobrepõem aos sentimentos dos filhos. E quem perde? Todo mundo perde.

Hoje em dia os filhos não são mais bobos. Não querem ter lealdade para com o pai ou mãe. Querem ver todos bem. Os pais é que muitas vezes não os deixam ficar bem. Colocações claras do tipo “se você é do meu time é contra o time do seu pai” ou vice-versa, são mais comuns do que podemos imaginar.

Nem a famosa frase-clichê “ser civilizado” conta mais. O que conta mesmo são as disputas, as escaladas e os golpes cada vez mais baixos. O ministério da saúde não adverte, mas eu advirto: usar os filhos é prejudicial à saúde, tanto deles quanto a de quem os usam.

Nem sempre as crianças ou mesmo os adolescentes têm noção exata das conseqüências de ser um leva-e-traz. O que pode passar por uma brincadeira sem conseqüências num momento, uma forma de agradar um dos pais sem a intenção de cometer maldade alguma, pode acabar provocando coisas muito sérias em adultos enraivecidos. E, infelizmente, mais uma vez quem sofre são os filhos, os quais sequer imaginavam que o que eles contaram ou comentaram pudesse causar um estrago tão grande.

O sentimento ruim neste caso fica com todos, mas, principalmente, com os filhos que se sentem culpados e responsáveis por uma situação em que eles foram deliberadamente colocados. Pois pense, você teria coragem de fazer algo assim com um filho seu?

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