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› Opinião - A democracia está adormecida
25/06/2008 às 15:37
Por Daniela Cristina Machado para o novohamburgo.org
Numa época em que participar de um movimento estudantil significava correr muitos riscos, entre eles até a morte, os jovens não se acuaram, pelo contrário, lutaram bravamente. Tanto que, até hoje, as suas vozes ecoam pelos cantos do país.
Contudo, essas são histórias do passado. Nos dias atuais, a maioria dos jovens não pensa coletivamente, isola-se do mundo e, às vezes, luta pelos seus ideais particulares. Nem os escândalos políticos do governo Lula mobilizaram os estudantes. Nenhuma bandeira foi levantada, nenhuma faixa foi lida e nenhuma voz foi escutada.
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Mesmo assim, ainda existem aqueles que desenvolvem uma consciência política, discutindo e amadurecendo as suas idéias em pequenos espaços. É o caso dos Grêmios Estudantis nas escolas e dos Diretórios Acadêmicos (D.A) e dos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCE) das faculdades e universidades.
Na semana passada aconteceu às eleições do novo Diretório Acadêmico da Ciências da Comunicação da Unisinos, que representa todos os estudantes dos cursos de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Jornalismo.
Porém, o número de votos foi baixíssimo. Fiquei espantada com a falta de conhecimento dos estudantes. Fiz uma pequena enquete com alguns alunos e maioria não sabe o que é um D.A, para que ele serve e onde ele se localiza dentro do campus. E os alunos que o conhecem, geralmente não costumam participar de suas ações, de suas eleições e muito menos de sua formação. O D.A da Unisinos está localizado em cima do restaurante Fratello, mas apenas um cartaz torto, contendo os eventos realizados pelo diretório durante a sua gestão, identifica o lugar.
Como explicar tamanho descaso com um grupo que, pelo menos na teoria, representa a voz dos alunos de comunicação e luta por melhorias no ensino e na universidade? Talvez seja pela falta de envolvimento e divulgação do próprio D.A. Não é comum presenciarmos reivindicações, projetos, eventos e discussões organizadas pelo diretório. Falta de Comunicação em um D.A que representa os alunos da área de comunicação é algo grave.
Mais grave ainda é a falta de interesse dos estudantes. Para ser eleita uma chapa precisa de, no mínimo, 10% de votos do número total de estudantes do Centro da Comunicação. O que não tem sido tarefa fácil. Deve ser pela falta de cumprimento das promessas, que ano após ano, são pronunciadas nos discursos e publicadas nos panfletos, mas nunca são colocadas em prática.
Está cada vez mais difícil encontrarmos jovens interessados em exercer a democracia. No mês passado participei de uma palestra sobre a importância do voto aos 16 anos. O assunto que dominava a sala lotada de jovens entre 15 e 17 anos não era o debate sobre a participação dos estudantes no processo eleitoral do país, mas sim a atualização das fofocas do final de semana.
Se a participação política em pequenos espaços já é pequena, imagina em esfera nacional. O cenário político do Brasil está cada vez mais se encaminhando para a corrupção e para o descaso com a população. Nós eleitores, esquecemos-nos do poder que temos na mão quando não atribuímos o devido valor ao voto.


concordo que ha uma onda pos moderma de individualismo entre os jovens,porem discordo que para fazer movimento estudantil hoje deveriam os jovens ter que correr risco de vida,nao serve de criterio de comparacao .cada contesto no seu devido momento histórico.porem a une nao entrou na canoa furada do fora lula,mas se analisarmos o movimento hoje veremos que os estudantes sim estao dizendo fora yeda,e nao é só na capital mas aqui tambem.ficou um pouco parcial a foto do jornal nh na capa de ontem,pois escolheram uma foto de costas para nao mostrar as fotos das faixas de fora yeda.seria bom se o blog entrevistase a presidente desta entidade para ver seu ponto de vista sobre o movimento estudantil,acredito que seria outra opiniao,pelo menos mais atual.obrigado pelo espaco.
fabio wasem
28/06/2008 às 10:30
Concordo com o rapaz acima, acredito que não existe a necessidade de correr riscos, mas a intenção não é essa, e pelo que entendi, não é o que este texto propõe. A colocação sobre como eram os jovens do passado, as grandes lutas são apenas para ilustrar e porque não, motivar os jovens de hoje, que têm direito a democracia, mas não a usam como deveriam. Hoje temos liberdade de se expressar, dizer que isso ou aquilo é ruim e não o fazemos. E pior, me sinto mal por não lutar pelas coisas e deixar que os outros decidam o nosso futuro por nós. Sou muito a favor dos movimentos, e espero em breve, ter orgulho deles novamente.
Gabi de NH
28/06/2008 às 15:32
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Parabéns Dani....
Sua crítica demonstra qualidade e seriedade. Uma profissional de muita inteligência e boas idéias.