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› Roubadas no estágio?
25/08/2008 às 10:41
Veja como não cair em situações inconvenientes em seu estágio .Para aprender é preciso ter paciência, pois nem todo programa ensina
Já imaginou entrar num programa de estágio para trocar o lixo do escritório? Ou quem sabe para comprar cigarros para seu chefe? Parece inacreditável, mas muitos estudantes passam por situações humilhantes quando na verdade buscam oportunidades de aprender na prática aquilo que viam na Universidade.
É claro que essas atividades são tão dignas quanto quaisquer outras, mas é igualmente evidente que nenhum estudante universitário tem como meta de estágio servir café, ou atender pedidos de profissionais que nem fazem parte do seu departamento. Quem está na universidade certamente tem o objetivo de ingressar num estágio para iniciar a vida profissional. Quer colocar em prática todo conteúdo visto durante a graduação e encontrar profissionais experientes que possam ensinar. Porém, nem todo estudante tem a sorte de encontrar uma empresa que proporcione este conjunto.
A estudante e estagiária de Recursos Humanos, Michelle Nunes Vieira, 19 anos, reconhece que no mundo real do estágio é preciso ter paciência como aliada para conseguir atingir o objetivo principal: aprender. "No começo do programa fazia café, trocava o lixo, buscava correspondência pessoal e depositava cheques. Sentia-me avacalhada", diz a aprendiz, que está há seis meses na empresa. No entanto, o fim da humilhação só veio quando Michelle resolveu se impor. Por causa do aumento do volume de trabalho, a estudante percebeu que os "favores", além de inconvenientes, atrapalhariam a sua função primária no estágio. "Depois deste período, me posicionei e não aceito os pedidos. Hoje faço as atividades que correspondem ao meu estudo", garante ela.

Embora a estudante tenha aceitado os serviços, a coordenadora de estágios da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), Simone Tavit, explica que o objetivo do estágio é aprender na prática o que se vê na teoria. Algo que ficará mais claro ainda com a nova lei de estágio. "O objetivo do estágio é gerar aprendizado, colocar o estudante em contato com profissionais e com novas responsabilidades. Além disso, proporcionar crescimento pessoal", explica Simone. Ao contrário do argumento da coordenadora, Michelle diz que não sente que possui o direito de aprender. "A responsabilidade que tenho é de algo que não poderia ter. Não faço as funções prometidas e sinto que não posso errar", revela a estudante.
De acordo com a coordenadora de estágios da FAAP, não é errado aceitar um trabalho que não tenha a ver com o curso do estudante, porém, as principais tarefas devem estar ligadas à graduação. "Quando o estagiário começa a trabalhar, faz um pouco de tudo. Entretanto, cabe a ele analisar e ver se aprenderá alguma coisa. Um acordo com o superior e uma análise do que está previsto no contrato, podem esclarecer dúvidas", sugere Simone. O mais importante para o estagiário, na opinião dela, é ter o espírito para fazer o melhor. "O estudante não pode aceitar só tarefas básicas como tirar cópias e furar folhas. Porém, é bom mostrar cuidado com a empresa e vontade de servir", diz a coordenadora, que aconselha o estudante a deixar o estágio se o interesse da empresa for só esse.
Fonte: Universia

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