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Ter
4
Mar '08

O empresário tem de pensar grande, mas nunca deixar de olhar o fluxo de caixa. (Luiza Helena Trajano)

Esta mensagem recebi de um amigo. Apresentava como sendo um texto de Antônio Ermírio de Moraes, publicado pela Revista Exame. Não tenho muita certeza, e pela internet não consegui confirmar a informação.

De qualquer sorte, nos proporciona uma leitura e posterior reflexão bem interessante.

Fica a dica!

Você sabe dizer não sei

Se você ainda não sabe qual é a sua verdadeira vocação, imagine a
seguinte cena:

Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente
algumas nuvens aqui e ali.

Aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta:

-Será que vai chover hoje?

Se você responder “com certeza”… a sua área é Vendas: o pessoal de Vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.

Se a resposta for “sei lá, estou pensando em outra coisa”… então a sua aérea é Marketing: o pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão
pensando.

Se você responder “sim, há uma boa probabilidade”… você é da área de Engenharia: o pessoal da Engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.

Se a resposta for “depende”… você nasceu para Recursos Humanos: uma área em que qualquer fato sempre estará na dependência de outros fatos.

Se você responder “ah, a meteorologia diz que não”… você é da área de Contabilidade: o pessoal da Contabilidade sempre confia mais nos dados no que nos próprios olhos.

Se a resposta for “sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuvas”: então seu lugar é na área Financeira que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.

Agora, se você responder “não sei”… há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando a diretoria da empresa.

De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder “não sei” quando não sabe.

Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação.

“Não sei” é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, e pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.

Parece simples, mas responder “não sei” é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida corporativa.

Por quê?

Eu sinceramente “não sei”.

Vários sites indicam que realmente esse texto teria sido publicado na Exame. Mas não é isso que importa, mas que este empresário é uma figura, ah isso é! Há tempos, em entrevista à  Isto É Dinheiro, ele disse: “dinheiro para mim é secundário, nunca liguei para ele. Importante é ter a consciência tranqüila. Não sei exatamente quanto tenho, mas é o suficiente para que eu não passe um cheque sem fundo. Isso não pode.

Ok, então tá!

Sex
4
Jan '08

Ao final, não nos lembraremos tanto das palavras de nossos inimigos, senão dos silêncios de nossos amigos. (Martin Luther King, Jr)

Extraído do boletim BizRevolution, de Ricardo Jordão Magalhães. Como ele mesmo diz, quebra tudo não significa destruir as coisas, mas MELHORAR O MUNDO!

Tudo grátis!

Quando o pensamento muda a sua cabeça, chamam de filosofia. Quando Deus muda a sua cabeça, chamam de fé. Quando os fatos mudam a sua cabeça chamam de ciência. O que mudou a sua cabeça ultimamente?

Querida(o) Amiga(o),

Quando os fogos de artifício explodiram no céu da meia-noite no dia 31 de dezembro, eu estava feliz da vida. O brilho dos fogos iluminava o céu e o rostinho do meu filho de um mês golfando leite para cima de mim. Os tradicionais sete pulinhos sobre as sete ondas ficaram de fora esse ano, no lugar ficaram sete deliciosas golfadas na minha camiseta.

Naquela noite, a primeira coisa que me veio à cabeça olhando os fogos coloridos encobrindo as estrelas do céu foi: Caramba! Esse pedaço de pedra flutuante que nós vivemos deu mais uma volta inteira no Sol, sem jorrar água para os lados, sem deixar ninguém cair para fora, simplesmente deu mais uma volta no escuro com toda a paciência e matemática do universo. Caramba, que coisa incrível!!! Não existe nada mais bonito e mais raro do que tudo isso. Tudo grátis!

Se nos afastarmos da Terra, se nos distanciarmos da Via Láctea, vamos perceber que realmente somos poeira cósmica. Não somos grandes, nem especiais, somos um farelo microscópico de migalha de pão italiano sob um imenso manto preto sem fim. E nesse farelo insignificante, por alguma mágica que ninguém ainda explica, nasceu a água, o verde, os peixes, os animais, nasceram os nossos ancestrais, os nossos avós. Sim! Eu e você, netos, irmãos, família!

Não importa a cor da sua pele, o sotaque da sua fala, o deus da tua igreja, somos todos irmãos!

Mas, por alguma razão que desconhecemos, essa informação ainda não chegou no Quênia, onde no primeiro dia do ano 135 pessoas morreram na pós-eleição e 50 foram queimadas vivas dentro de uma Igreja; não chegou na Colômbia, onde os membros da Farc decidiram não soltar os reféns conforme haviam prometido, não chegou em São Sebastião, praia de São Paulo, onde um turista foi baleado na cabeça; não chegou no Paquistão, onde mataram Benazir Bhutto a queima roupa; não chegou em vários lugares onde se mata por centavos e se estupra por uma garrafa de pinga.

Para muita gente não existe ano novo, é tudo a mesma coisa, nada muda, nem vai mudar. A ignorância, egoísmo, violência e tudo de ruim que existe por aí continuará existindo de alguma maneira; por isso, a minha vontade, obrigação e responsabilidade está em enviar uma mensagem positiva, otimista e do bem para todos.

O planeta está se esfarelando, nós vivemos o fim de uma era, mas se ainda existe uma força gigante capaz de rodar essa pequena pedra em torno do sol independente dos crimes que cometemos, eu tenho que estar junto dela; se ela não desiste, eu também não desisto, se ela ainda não atirou o planeta contra o Sol, eu também não vou fazer isso. Eu prefiro fazer companhia à força que move o planeta do que a força que sustenta as drogas de todos os tipos e toda a baboseira que tem por aí.

Para os chineses, 2008 é o ano do rato; para a CNBB, 2008 é o ano da Fraternidade e Defesa da Vida; para os imigrantes japoneses, 2008 é o ano do Japão no Brasil; para mim, 2008 é o ano de FAZER ALGO DE GRAÇA pelos outros todos os dias. GRÁTIS é o nome do jogo em 2008, a minha bandeira. FAÇA ALGO DE GRAÇA, de preferência com o coração!

Eu vou cobrar AÇÕES GRATUITAS de todo mundo. Quando falar comigo eu quero saber qual foi a sua AÇÃO GRATUITA do dia. Não se dirija a mim sem ter feito algo nesse sentido.

Faça ALGO DE GRAÇA porque você SENTE tesão ao fazer isso, ou, se for o caso, faça por marketing, de qualquer maneira, faça.

Sai Prozac, entra Pró-Grátis!

Essa é a sociedade que vamos encarar pela frente, onde 80% de tudo será dado de graça!

Os preços das coisas vão cair, mais e mais e mais. Vão cair tanto que algumas coisas serão realmente gratuitas.

Veja o caso do seu celular. Anos atrás você tinha que comprar um despertador para te acordar pela manhã, um walkman para ouvir as suas músicas preferidas, uma agenda de couro para tomar nota dos seus compromissos, um donkey kong para se distrair na escola, uma câmera para fotografar o seu filho, hoje, você tem o despertador grátis, a agenda grátis, o walkman grátis, o video game grátis, e em algumas casos até o telefone é grátis.

Eu não estou falando aqui sobre a palavreado boring-to-boring do mundo corporativo que fala sobre agregar valor, eu estou falando aqui sobre DAR VALOR, realmente DAR e não agregar!

Eu acredito que 80% de tudo que você conhece hoje será dado de graça. DAR VALOR será a melhor maneira de conseguir vender os 20% restantes.

Educação grátis, música grátis, consultoria grátis, televisão grátis, design grátis, internet grátis, shows grátis, avião grátis, revistas grátis, livros grátis, celulares grátis, notebooks grátis, televisores grátis, tudo grátis!

Você deve se preparar firmemente para esse novo momento, começando pela sua maneira de pensar, encarar as pessoas, aquilo que sabe, aquilo que guarda a sete chaves. É hora de DAR PARA RECEBER!

Para botar mais lenha na fogueira, um pensamento: O que você faz com o seu tempo assalariado é a sua receita; o que você faz com o tempo não assalariado é o SEU FUTURO. O que você está fazendo com o seu tempo grátis?

Ontem eu comprei um Kinder ovo para a minha filha por dois reais. Dentro do ovo veio um brinquedinho composto por seis partes de plástico + 1 manual de papel + 1 adesivo para colar no brinquedo, tudo dentro de uma embalagem plástica composta por dois pedaços. Poxa, quanto custa a produção desse brinquedinho?

Se você levar em conta que a margem da banca de jornal onde eu comprei o Kinder ovo deve ser 100%, alguém está trabalhando de graça, certo?

80% serão grátis!!!

Estamos quase lá.

50% de tudo que compramos já são grátis. A HP dá a impressora para faturar nos cartuchos, a Gillette dá o aparelho de barbear para ganhar na venda das lâminas, a Microsoft recheia o Windows Vista com vários acessórios que ninguém usa para vender o novo sistema operacional, a Toyota entrega notebook para quem compra um Corolla no final de semana.

Na Europa você consegue viajar de avião de Paris para Milão por apenas 10 euros ou menos!!! Eu já assisti a shows grátis da Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Orquestra filarmônica da Alemanha no Parque do Ibirapuera promovidos pelo Pão de Açúcar para me incentivar a comprar bolacha de morango, filé mignon e creme de leite nas lojas deles.

Poxa, será que a Nona de Beethoven vale menos do que um pacote de pão integral?

Não sei, talvez sim, talvez não, mas o ponto é: Quantos % dos seus produtos você vai dar de graça em 2008?

2008 é ano do GRÁTIS e eu já estou nessa há muito tempo. No web site da BIZREVOLUTION você encontra oito anos de textos escritos por mim totalmente grátis, você encontra também uma área chamada Pergunta que eu respondo que reúne centenas de perguntas feitas por clientes ao longo dos anos, você encontra dezenas de slides de PowerPoint das minhas palestras e cursos realizados nos últimos anos, Vendas, Marketing, Liderança, Varejo, Comércio Eletrônico, Inovação, Revistas, Cirque du Soleil, literalmente dezenas de slides shows; você encontra também uma dezena de arquivos de áudio em mp3 das palestras realizadas, além de slidecasts onde você tem a sincronia entre o ppt e mp3; na sessão Pergunta do Dia você encontra centenas de perguntas inteligentes feitas ao longo dos últimos anos para abrir a sua cabeça. Você tem ainda centenas de sugestões de livros para ler e web sites para visitar, TUDO GRÁTIS, inclusive os comentários gratuitos positivos e negativos que os visitantes do site fazem sobre os meus textos, tudo sem censura alguma.

TUDO GRÁTIS!

Quem vai pagar a conta quando tudo for grátis?

Ninguém! Ninguém pode pagar a conta de algo que é dado de graça porque não custa nada para fazer. E mais, ninguém pode roubar algo que lhe foi dado de graça!

Quando se é jovem, o negócio é causar uma boa impressão nas pessoas, do chefe a namorada. Quando se atinge uma certa consciência de vida, o negócio passa a ser deixar um legado para as pessoas. Eu quero deixar um legado. Eu quero participar da reforma do Brasil. Eu quero deixar um legado de ética, integridade e justiça para as próximas gerações, mesmo que nem todas as pessoas pensem assim.

2008 traz mais uma oportunidade de vivermos baseados nesses valores, mais um ano em que uma força desconhecida vai mover a pedra em que vivemos, dando provas claras que não devemos jogar a toalha, mas renovar a sociedade.

Nada menos que isso interessa.

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?

Ricardo Jordão Magalhães
Kinder Grátis
E-Mail e Messenger: ricardom@bizrevolution.com.br
BIZREVOLUTION

Qui
3
Jan '08

Somente duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana, e eu não estou seguro sobre a primeira. (Albert Einstein)

“É a idinorância que astravanca o pogresso!”, já dizia um velho deitado, ou um ex-presidente da República das Bananas. Não sei muito bem ao certo. Ao invés de Bananas poderia ser Bahamas.

Eu ficaria muito contente, mas a verdade - se houvessem verdades - é que quando é atribuída uma característica a algo, é muito difícil reverter a situação. “Yes, nós temos bananas!” é eterno, mesmo que seja injusta esta atribuição (o que me parece: não é). Poderíamos talvez lançar o conceito de que “yes, nos somos uns bananas”. Talvez neste caso pegue melhor. Acho que se alastra facilmente Brazil afora.

Para fazer jus ao meu amigo William Smith resolvi pinçar uma série de frases de personalidades, para embasar minhas idéias. Imagine que somos todos bananas, mas o Brazil é o país do “jeitinho”, ou seja, está cheio de “espertos”. Enquanto os espertos estão mamando deitado, se fazem de louco. “Faz-de-conta que está tudo bem”. Walter Kerr diz que “metade do mundo é composto de idiotas, e a outra metade de pessoas suficientemente espertas para vergonhosamente tirar vantagem deles”. Gente, este é o país do faz-de-conta, do me-engana-que-eu-gosto, do balacobaco, do jeitinho… todo mundo tem o segundo nome de Gérson. E a lei é implacável (ao menos essa, né?).

Definitivamente não dá para levar muito a sério. Mas que a impunidade poderia ser combatida, ah podia! O cara bebe e faz merda no trânsito porque sabe que ninguém vai pegar ele. E se pegar não dá nada, mesmo. O cara joga foguete na cara da vovó, desfigura ela e a leva ao óbito e não dá nada. Os caras põe fogo no índio, dormindo, e não dá nada (tudo filhinho de magnata). Os “mano” vão tomá conta! E lá, ao menos, não tem impunidade. Se há justiça eu não sei. Mas quem diz o que é justo ou não? Um filhinho de papai togado? Que já “curtiu” todas? E que vai se aposentar em alguns poucos anos de trabalho árduo, com salariozinho de 20 paus? Fala sério! Muita calma! Abre o olho, os “omi” tão te enrolando, “mano”. Apaga eles.

O cara oferece um “leitinho prás criança”, que não dá nada. O cara aceita porque precisa mesmo garantir o “leitinho prás criança”.

O futebol é o esporte e a vergonha nacional.

A política, aquelas pessoinhas que me dizem onde vai o meu dinheiro e que determinam se a minha vida vai ser mais ou menos fácil, esta é piada nacional. Acho que nem os caras levam eles mesmos a sério.

Na TV faz sucesso o pergunta que eu respondo, também conhecido como chora-tuas-dores-que-eu-vou-te-cravando. A tu acha feio isso? FEIO É ISSO TUDO! E hipocrisia aqui não tem vez mermão!

Mas é isso aí mesmo: faz-de-conta que tá tudo bem, e me deixa deitado mamando na minha banana!

Ps.: segue mais uma de Ano Novo ou para elevar a alma, ou para rirmos chorando abraçados.

“Muitas pessoas esperam o ano novo por um novo começo em hábitos velhos.” (Autor desconhecido)

“Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” (Carlos Drummond de Andrade)

“Nós abriremos o livro. Suas páginas estão em branco. Nós vamos pôr palavras nele. O livro chama-se Oportunidade e seu primeiro capítulo é o Dia de ano novo.” (Edith Lovejoy Pierce)

Qua
2
Jan '08

O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova. (Gilbert Keith Chesterton)

Feliz Ano Velho!

Morreu!

Adeus 2007!

Vai deixar saudades. Claro, saudades é algo que sentimos quando não mais temos. Apesar de todas as coisas ruins que aconteceram, vamos buscar lembrar de vários pequenos ou grandes acontecimentos, que deixaram boas recordações. Até o dia que nos lembraremos apenas da recordação, e não mais do dia e da hora, nem do ano em que ocorreu. Até o dia em que nem recordações teremos…2008 vai ser lembrado pelo fatídico acidente do vôo 3054 da TAM (mais uma vez a TAM). Pessoas queridas da nossa comunidade que perdemos. A culpa é de quem já morreu. Assim ficou. Pobres pilotos! 199 vidas ceifadas. A morte em festa, dançou triunfante e esplendorosa pelo salão.

A Pan elevou a nossa auto-estima: somos um país rico, temos muito dinheiro para gastar. Muitas medalhas para o Brasil! Ficamos um “tiquinho” atrás de Cuba. Mas atrás de Cuba tudo bem! Aquele país continental. Dêmos ao mundo não só um show de organização, como de democracia: a vaia presidencial mais bonita de todos os tempos. Nunca antes na história desse país se viu uma vaia tãããããão linda! Tiraram as palavras da minha boca.

Pede pra sair!

Tensão no Oriente Médio. No Chile “Por qué no te callas?”. Tensão no Parque São Jorge. Supersafra não impede que brasileiros passem fome. Terremoto no Peru. Terremoto em Minas (era só o que me faltava. Pronto! Agora não falta mais!). Comoção na Bahia: morre Toninho Malvadeza. Comoção no Brasil: menino Hélio arrastado por 7km. Fernando Henrique se arrastou por 8 anos. Se a re-reeleição passar eu me mudo para Antígua ou Butão. Com estes bundões eu não fico! Eu juro! Um caminhoneiro põe Descanso no mapa de Santa Catarina e do Brasil.

Pede pra sair!

Na TV pirotecnias da Federal. Nos cinemas e no seu camelô o BOPE.

Consumo de pitangas em alta. Em 2007 Elas deram um show!

Pede pra entrar!

Bento XVI cruzou o Atlântico e se mostrou um vovô bem simpatiquinho. Será que ele também é comunista? Pelo que tem de padre comendo criancinha, não duvido!

Entre 80 grandes obras há que se elogiar o receptivo e o Natal (na medida do possível - continua faltando união). Continua faltando o distrito, a avenida, uma política cultural, a comemoração a altura de um senhor de 80 e trocar alguns secretários.

Pede pra sair!

Vejam minhas previsões para 2008: milhares de pessoas serão mortas no Oriente Médio! Alguma bobagem que Chavez falará criará tensões entre sul-americanos! Os Estados Unidos vão eleger seu novo presidente! Bush vai para Dallas, cuidar do seu time de futebol e fará palestras (isso deve ser muito engraçado) mundo afora nos próximos anos (não me deixem perder de ver ele no Fórum da Liberdade MCVXIII)! Farra do Caixa 2 não ocupará manchetes de jornais nas eleições deste ano (isso não vende mais jornal)! Tensão no Parque São Jorge! Um importante time de futebol cai para a segunda divisão! Surpresa entre os que retornam para a “elite do futebol nacional” (seria o Mílal ou o Real Madrid?)! O Brasil têm desempenho aquém do esperado nas Olimpíadas! A Rússia terá mais de 10% do seu PIB oriundo da venda de vodka.

O Brasil descobriu uma megajazida de óleo e gás na Bacia de Santos. Motivo para comemorarmos! Com reservas de quase 15 bilhões de barris de petróleo, imaginem quantos bilhões de toneladas de gás carbônico poderemos gerar? Um luxo! Algum chefão do tráfico será preso no Brasil! Yeda não falará com Feijó! Cai mais um secretário de Yeda! Jair inaugura muitas obras! Cai mais um secretário de Jair! Um importante veículo de comunicação comemora seus 51 anos c… na cabeça de quem chegou depois (quem chegou? Não existem outros). Morrerá alguém muito importante no meio artístico. Morrerá alguém muito importante no meio político. Morrerá alguém muito importante no cenário mundial. Na capa da Veja as eleições municipais. Na capa da Playboy a “gostosona” do BBB. Por aí Jair vai tentar a reeleição, sem envio de mala direta para seus eleitores. Mais 4. Prá quê? Tarcísio vai concorrer. Prá quê? Cansou do planalto central. Quer fazer a mesma coisa mais perto da família. Aírton vai concorrer. Prá quê? Vai alimentar os leões. Só cuida, que o último que tentou isso se deu mal. Jackson vai concorrer. Vai de verde. Os peixes do Sinos também votam? Quem gosta de verde é Miss. Hamburguense gosta de asfalto! O velho Fosca que o diga. Meio ambiente é pra inglês ver. Mas tem outros rondando o poder: Remi, Paulo, e até o filho de Deus… Com um quadro destes, parelho, é até difícil escolher. Gastos excessivos em publicidade serão analisados pelo Tribunal de Contas. As contas serão aprovadas pelo Tribunal de Contas. A Record vai continuar beliscando. As operadoras de telefonia serão campeãs de reclamação no Procon! Mais previsões do que estas, só pagando bem!

O Brasil vai sediar a Copa de 2014. Empreiteiros preparai-vos, é chegado o dia da fartura! O Pan foi só um ensaio.

Estou de saco cheio de 2008. Chega 2009!

À Deus 2008!

Pede pra sair!

Dom
29
Jul '07

Não posso entender tanta gente aceitando a mentira de que os sonhos desfazem aquilo que o padre falou. (Raul Seixas)

TEMPO QUE FOGE…

Ricardo Gondim

Contei meus anos
e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente
do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquele menino
que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente,
mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares,
talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências
que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.
Não vou mais a workshops onde se ensina
como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos.
Não quero que me convidem
para eventos de um fim-de-semana com a proposta
de abalar o milênio.
Já não tenho tempo
para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas,
procedimentos parlamentares e regimentos internos.
Não gosto de assembléias ordinárias
em que as organizações procuram se proteger
e se perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando
em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”.
Detesto fazer acareação de desafetos
que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas,
detalhes gramaticais sutis,ou sobre as diferentes traduções da Bíblia.
Não quero ficar explicando porque gosto
da Nova Versão Internacional das Escrituras,
só porque há um grupo que a considera herética.
Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto final!
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
“As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar explicando aos medianos
se estou ou não perdendo a fé porque admiro
a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos,
não se considera eleita para a “última hora”;
não foge de sua mortalidade,defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus.
Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.

Seg
28
Mai '07

Existe álcool o suficiente em um acre de batatas para mover a máquina necessária para cultivar o plantio de todo o campo por cem anos. (Henry Ford)

Extra! Extra!

Deu no Biz Revolution!!!

O Ricardo está batendo um bolão! E o mundo se acabando…

Adorei esta do acordo global e compartilho com você na íntegra o texto. Vale conferir! Ou você vai ficar aí parado, com esta boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar?

No Big Deal.

“Não se importe com a sua felicidade, se importe com o seu dever.” (90 anos atrás)

“Querida(o) Amiga(o),

“Existe álcool o suficiente em um acre de batatas para mover a máquina necessária para cultivar o plantio de todo o campo por cem anos.” disse Henry Ford a um repórter do New York Times em 1925, “Nós não podemos nos prender a velhos métodos ou maneiras únicas de fazer as coisas”, disse o milionário Ford na época em que já fazia milhares de carros movidos a gasolina por ano, “Por que usar o milho apenas em destilarias? Por que ficar sentado apreciando o terrível desastre em que se meteu o agronegócio americano?”, Henry Ford se referia a terrível depressão econômica que abateu os Estados Unidos nos anos vinte do século passado e não perdoou a agroindústria que foi obrigada a jogar comida fora por “falta de clientes”, “Por que não podemos usar o milho para mover um carro?!!! O combustível do futuro virá de uma fruta como uma maça ou uma erva daninha. Existe combustível em todos os vegetais que podem ser fermentados”, Henry Ford inventou o conceito de carro a álcool muito antes do Brasil pensar em inventar a carteira de trabalho ou respeitar os direitos das mulheres. Desculpe Brasil, quem inventou o flex foi Henry Ford oitenta anos atrás. No Big Deal!

Michael Hammer, um dos gurus de negócios mais badalados dos últimos anos, autor do famoso best-seller “Reengenharia - Revolucionando a empresa”, sempre dizia, “É com grande medo que eu abro os livros escritos por Peter Drucker. Eu tenho receio de descobrir que tudo que eu falo hoje já foi dito por ele algumas décadas atrás. E para ser sincero, tudo realmente já foi dito por Drucker.” Em 1954, Peter Drucker disse ao seu editor “A gestão das empresas precisa de estratégia”. O editor virou para Drucker e disse: “Estratégia é um termo usado em tempos de guerras, não para negócios. Se usarmos essa palavra em um livro de negócios, nós iremos repelir os leitores”. Hoje, mais de 303 títulos de livros com a palavra Estratégia estão a venda na Livraria Cultura nesse exato momento. Reengenharia, Balanced Scorecard, CRM, 4Ps, Marketing? No big deal!

As vezes eu tenho alguns embates filosóficos com o meu Pai (filho de peixe, peixinho é). Quando eu boto banca de inventor da roda, ele me lembra que há 40 anos atrás, muito antes da orkut e do celular dominarem o pedaço, os professores da sua faculdade já diziam a ele que a China seria uma grande potência na virada do século vinte, que o aquecimento global perturbaria sensivelmente a sociedade humana nas próximas décadas, e que a humanidade irá enfrentar terríveis problemas econômicos e sociais com um massivo e absurdo movimento migratório de milhões de refugiados de guerras, pobreza, fome, doenças, calor e frio no início do século vinte e um. China, Aquecimento Global, Problemas com Migração?? No Big Deal!

Darwin e a sua teoria da evolução estão cada vez mais cultuados e estudados em todo o planeta. O papa, figura milenar, se proclama no direito de dizer quem é santo e quem não é, em pleno século vinte e um! Mais um santo no céu??? No Big Deal!

Shakespeare, Leonardo da Vinci, o Rei Salomão, Sócrates, o Imperador Romano Marcus Aurelius, Churchill, Platão, Einstein, Nietzsche, Aristóteles, Hitler, Che Guevara e Abraham Lincoln estão entre as figuras criadoras das frases mais usadas e citadas na internet mundial. “Ser ou não ser, eis a questão” (407 anos atrás), “A boa memória as vezes é um obstáculo ao bom pensamento” (170 anos atrás), “A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade” (2.340 anos atrás), “O homem que trabalha somente pelo que recebe, não merece ser pago pelo que faz” (210 anos atrás), “O mundo é um lugar perigoso para se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer” (90 anos atrás), “Uma resposta serena sempre vence uma mente raivosa” (2.900 anos atrás), “A vida que não passamos em revista não vale a pena ser vivida” (2.300 anos atrás). O Monge e o Executivo, A Estratégia do Oceano Azul, A Arte da Estratégia, Transformando Suor em Ouro? No Big Deal!

Ontem a tarde, durante o passeio pelo velho bairro paulistano onde eu cresci, uma descoberta. Uma meia dúzia de placas onde lia-se “Aluga-se”, anunciava para quem quissesse ler que a velha padaria do bairro onde eu troquei dezenas de vezes o “casco” de Coca-Cola quando criança, ou busquei pães fresquinhos pela manhã com o seu Manoel, faliu, quebrou, virou farinha, literalmente.

À uma quadra dali, você encontra a morte anunciada da velha padoca: uma mega blaster padaria aberta dois anos atrás faturando rios de dinheiro por ela e pela concorrência consumida pela “evolução”.

Qual é o Big Deal da nova padoca? Uma entrada e uma saída formal, ficha magnética de identificação computadorizada, pães franceses, italianos, portugueses, queijos e presuntos fateados e embalados prontos para retirada, cafezinho no balcão de mármore, atendentes uniformizados e padronizados, um espaço para almoço e jantar self-service, sucos diversos, televisores de plasma de 50 polegadas para assistir ao velho futebol com os amigos, uma placa que anuncia “aceita-se encomenda para sanduiches de metro e salgados” e outra que diz que “não servimos bebidas alcoólicas para adultos”, uma bamboniere que vende Sonho de Valsa e Toblerone na saída, estacionamento com direito a entrada controlada por catracas eletrônicas com descontos na primeira hora. Alguma novidade? No Big Deal!

Sem dúvida alguma a mega blaster padaria oferece melhores preços (duvidoso!), melhor estrutura, mix de produtos; melhor design de loja e limpeza, funcionários treinados e velocidade no atendimento, mas, convenhamos, a mega blaster padaria se transformou em uma bomboniere melhorada ou um restaurante piorado? Será que eles são uma padaria melhorada ou um shopping piorado? Eu imagino que a “evolução” do negócio tenha aumentado as vendas, mas, o mega blaster empreendimento não oferece novidade alguma.

Nos últimos vinte anos nós vimos um “fantástico” avanço de eficiência, logística, organização financeira, controles e sistemas em negócios como mega blasters padarias, cinemas, shopping centers, restaurantes, empresas aéreas, agências de propaganda, dentistas, bancos, revendedoras de carros, provedorres de internet, contadores, advogados, lojas de sanduiches, bancas de jornais e lavanderias, mas, No Big Deal! Os “evoluídos” dizem que atendem as minhas necessidades, mas a grande verdade é que eles não resolvem os meus problemas.

Quem conhece o perfil do Cliente? Poucos. Quem se importa em saber qual é o perfil do Cliente? Poucos. Quem se importa em definir e resolver os três principais problemas do Cliente? Poucos. Quem se importa em saber o que o Cliente valoriza? Poucos.

Enquanto isso, de maneira genérica, todo mundo faz negócio com todo mundo. Qual é o cliente da mega blaster padaria? Aqueles que compram pão todo dia. Qual é o cliente do restaurante? Aqueles que gostam de uma pizza de qualidade. Qual é o perfil do cliente do provedor de internet? Aqueles que precisam acessar a internet. Qual é o perfil do Cliente da loja de sanduiches? Aqueles que estão com fome e pressa.

Qual é o perfil do Cliente da BIZREVOLUTION? O meu cliente potencial ideal são empresários donos de empresas de serviços com 15 a 100 funcionários e nenhum departamento de marketing. Eles tem empresa há mais de 5 anos. Essas empresas foram bem sucedidas mas fizeram pouco marketing. Nesse momento eles estão se sentindo incomodados pela falta de marketing. O maior problema do meu cliente potencial é o fato de ter perdido o controle sobre as atividades de marketing que criou ao longo dos anos. Não existe nenhum controle sobre o retorno do investimento, e a responsabilidade sobre a criação do marketing está nos ombros do dono. Eles também estão encontrando grandes dificuldades para crescer em seus mercados devido a intensa concorrência. Eles estão ansiosos por levar o negócio deles para um novo patamar.

“O propósio de uma empresa é criar Clientes. Para tanto, toda empresa tem duas funções básicas: Marketing e Inovação; todo o resto é custo.” (80 anos atrás), “O conhecimento que temos tem que ser desafiado, senão ele desaparece.” (120 anos atrás), “Gestão é fazer as coisas corretamente, Liderança é fazer as coisas certas.”(70 anos atrás), “Trate os outros como você gostaria de ser tratado” (2.007 anos atrás). No Big Deal?

No Big Deal. Vamos encarar a realidade: Nós vivemos a era da escassez total de Grandes Idéias. Tudo que é dito hoje já foi dito ontem. A novidade é a velharia! A fonte secou. A grande novidade é não ter novidade. A grande novidade é entregar o que prometemos há décadas, praticar o que falamos há séculos. Nós vivemos a era da EXECUÇÃO das Grandes Idéias! O Big Deal é se importar DE VERDADE, se interessar DE VERDADE, se apaixonar DE VERDADE pelos poucos Clientes que te cercam.

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?”

http://www.bizrevolution.com.br

Fui! Tchau pra ti!

Qui
1
Mar '07

O medo une mais os homens do que a coragem. (Carlos Drummond)

Basta ligar a TV, o rádio, abrir um jornal ou uma revista e está lá: a maior apelação!

Qualquer assunto. Tudo é motivo para alarmes, alertas, prenúncio do apocalipse. Claro, estabeleço este nexo sem considerar que algumas questões são realmente muito importantes. E muito menos sou insensível ao ponto de ver questões que chocam qualquer pessoa e desconsiderá-las como quem não tem coração. Mas não há como considerar de forma diferente a apelação a que todos nos envolvem. Ou, ao menos, tentam nos envolver. Veja que leis são criadas para que se venda mais. Alguém vai vender. Notícias dramáticas, da mesma forma, querem vender. Nem que seja o próprio veículo de desinformação. Imprensa marrom. Um amigo costumava dizer que as pessoas antes de abrir o jornal Eneaga costumam torcê-lo bem. Se escorrer sangue elas abrem para ler. Mas isto funciona assim em qualquer parte do mundo. As pessoas tem prazer em ver o drama dos outros. A dor vende. A minha e a sua. A de todo mundo. Mas quando a gente estampa uma manchete, é porque as pessoas foram insensíveis. Pimenta nos olhos dos outros é colírio. Bah!

Mas eu queria mesmo era chamar atenção para alguns assuntos que estão estampando manchetes chocantes pelo mundo. O Lula deve estar dormindo mal com a queda da bolsa, mas contente com a entrada recorde de recursos exteriores no último mês no Brasil. Feliz por quê? Com os juros do jeito que estão, quanto deste dinheiro entra quanto para produção de riquezas? Arrisco dizer que a ampla maioria é capital especulativo, que vem para cá faturar em cima dos nossos gordos juros. Um mês aqui significa um ano de investimento lá fora. O paraíso (fiscal) é aqui mesmo! Há, há, há… Isto parece a piadinha do português que após seis meses levou o filho recém nascido ao pediatra para que ele verificasse porque seu filho não abria os olhos. Ao que o pediatra respondeu que quem deveria abrir os olhos era ele, pois seu filho era descendente de chineses. Falando em abrir o olho, he, he, he… acho que está na hora dos hamburguenses abrirem os seus. O que é isso? Quer dizer que além de salário (que antigamente vereadores não recebiam), além de um assessor, além de outro assessor, além de uma fatia gorda do orçamento do município, agora querem mais um assessor? Quase R$700.000,00 por ano! A minha vontade era fazer um santinho dar jus ao nome, com foto de todos os diabinhos que aprovaram este absurdo e distribuir às pencas perto de outubro do ano que vem. Será que as figuras não lembraram que as eleições estão aí? Ou estão mesmo subestimando o meu voto? E o teu, né mané? Quanto o governo municipal (lê-se o meu bolso) economizaria cortando 75% dos cargos de confiança, cortando em 75% o salário dos secretários, vereador, prefeito, vice e acabando com este monte de assessor? ”Economizaria” sim, pois este é o verdadeiro futuro que não vai acontecer… hi, hi, hi… Daria para cuidar bem melhor de educação, saúde, segurança, infra-estrutura, meio ambiente e cultura. Mas isso não é imprensa marrom, isto é o povo verde de raiva. Só que ninguém vira o Incrível Hulk.

Um asteróide vai bater na terra. Deu no Terra. Daqui em 30 anos, mais ou menos. Espero que ninguém morra por antecipação. E vão tentar deviá-lo antes de chegar. Será que uma plaquinha indicando outro caminho não resolve?

O João Hélio morreu. Me solidarizo com a família. Juro. Penso na dor destas pessoas e nesta pobre vitima. Quero lembrar apenas que muitas crianças morrem a cada hora no mundo, só porque não tem o que comer. O Haiti, por exemplo, está aqui do lado. Aliás, tem um político daqui que adora o Haiti. Sempre fala que o Brasil só cresceu mais do que o Haiti no ano passado. Bah! Coitado do Haiti. Coitado do político pois esta retórica é muito velha… O Lula quer que o Haiti processe o combustível natural que o Brasil vai vender para o mundo. Ele poderia ir lá cuidar da fábrica. Ho, ho, ho…Vários Joãozinhos e Mariazinhas morrem no mundo e no Brasil por causa de desnutrição, violência urbana e de guerras, higiene (mas o que mata mesmo é a falta dela). Sinto muito. E sinto muito pela mãe ter dado depoimento na Rede Oblog, para a Ótima Bernardes, pois o canal de televisão deve ter vendido mais caro os comerciais daquele dia. Pobre João Hélio, vai virar praça, rua, talvez lei. O Congresso está excitadíssimo em reduzir a maioridade penal. Talvez seja a hora certa para reeditar “el paredon”. E começar por eles, é claro.

O Internacional vinha jogando com o time reserva e tendo péssimos resultados no Gauchão. Possivelmente isto preocupe muito mais as pessoas.

O Oscar é um barato! Zé Wilker uma piada. Eu gosto dele como Roque Santeiro. Ponto. Apostas em torno do vencedor e? Scorcese perde a virgindade. Já não era sem tempo. O cara é bom. Mas não melhor do que os vestidos da bela e não tão talentosas atrizes. O TNT transmitia a entrevista da “personalidade” com o nome do costureiro em baixo. Blargh! Me tapei. Mudei. O monstro Betão mandou o Casal 20 para o Paredão. Ele que se cuide ao sair na rua. Eu pensaria duas vezes. A Ferro e Fogo.

Leonardo Boff deu uma ótima palestra no Sempre um Papo da TV Câmara. Disponível na web para download. Um show. Meio ambiente na veia. Das baratas ao Cosmos. Uma aula que não se tem em faculdade nenhuma. Uma mente brilhante. Este não é o Frei Beto, viu? Mas por melhor que tenha sido fiquei triste no final: o mundo não vai acabar. A vida como é hoje só vai mudar. Por que os cientistas não dizem isso? Bom, para nós não vai fazer diferença. O homem acaba sim. Mas isso todo mundo gosta de ver, se preocupar e continuar com a libertinagem. Ou alguma empresa parou sua produção depois dos últimos relatórios até que se repensasse uma fórmula menos agressiva de se produzir qualquer coisa que seja?

O Príncipe vai para a guerra. Coitado. Mas ele quer. Afinal, faz tempo que não chegavam por aqui notícias da família sangue azul.

O Bush vem para o Brasil. Será que tem algo em comum com o PFL ter mudado para PD? Mas o Bush é republicano. Os democratas são conservadores? Acho que o PD daqui não deve ter muito em comum em seu conteúdo programático com o PD de lá. Mas também, o que é conteúdo programático, não é verdade? Do Brasil o Bush vai ao Uruguai. Que bom que o Lula conversou com o pessoal de lá, para que eles não ponham as manguinhas de fora. Acho que depois dessa vão estar mais para guris mijados. Como o Hugo e o hermano colombiano. Como o mundo ficou depois que ele deu show de moral na ONU. Mas é bom este presidente. Um verdadeiro estadista. Seja lá o que ele entenda por isso, ele é! Hu, hu, hu…

No Iraque morreram 10. Em Alvorada também. Entre Novo Hamburgo e São Leopoldo só 5. Muito pouco para entrar no JN.

Mas de tudo o que mais me preocupa é o milésimo gol do Romário. Por que eles não deixam valer os gols de pênalti que ele fez depois da prorrogação e pronto. Aí acaba com essa angústia que há quase dois anos envolve todo o mundo. Não dá mais nem para assistir programa de futebol. Que coisa. As mulheres dizem que pior do que ver jogo de futebol é rever o compacto, no final de noite. Mas acompanhar todos os comentários consegue ser ainda pior.

Eu fico mesmo com outros programas de TV. Tem aquele em que a casa das pessoas é reconstruída. Tem o retrô dos ganhadores do Oscar, Café TV Com, Vale a Pena Ver de Novo, Lost, a Clarinha e o Chico, digo, Francisco e todos aqueles fantasmas da Oblog. A vida dos ornitorrincos é uma boa alternativa.

Livros são atemporais. Te prendem por outros atributos. Te vendem um mundo mais doce do que o real, que todos se preocupam e morrem com suas preocupações. Uma janela para a vida. Um doce jogo do contente. Você já brincou disso? Faz de conta que somos contentes e felizes. Eu e você.

Fui! Tchau pra ti!

Qua
14
Fev '07

A Maioria das pessoas preferiria morrer a pensar; de fato, muitas o fazem. (Bertrand Russell)

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Chefe Seattle

Eu deposito toda a minha esperança no seu filho. Desisti de você. Você é podre. Mas se você faz com o planeta isso que você faz, também não tenho muita esperança nele. É uma pena, mas ao seguir seu exemplo ele também será um voraz predador. Assim como você é. Predador dos recursos naturais, predador do ecossistema em que você é rei. O homem atravessou os mares, o gelo, enfrentou o deserto e o ponto mais alto do nosso planeta. O homem viajou para fora do nosso planeta. E voltou, com êxito. O homem é mesmo muito inteligente. Mas ainda não consegue frear os ventos e as marés. O homem aprendeu muito da sismologia, placas tectônicas e tsunamis. Mas não consegue barrar a sua força. O homem até prevê, com certa antecipação, tornados, ciclones, furacões, erupções vulcânicas. Mas não consegue salvar os seus semelhantes.

A natureza não pede passagem. Ela é implacável. O degelo das calotas polares, a elevação da temperatura, o buraco na camada de ozônio e as conseqüências cada vez maiores sentidas pelos habitantes do planeta só tendem a se agravar. Não gostaria de ter de culpar o meu avô. Ao menos não por queimar óleo de baleia, ou por queimar o seu lixo, ou ao ver o seu avô preparar a terra para o plantio com uma queimada. Mas ficou louco ao ver práticas como estas presentes nos dias de hoje. Isto sim não é inteligível.

Somos a sociedade dos plásticos. Há, há, há… O juízo final não será pelo fogo, o final dos tempos será quando acabarmos soterrados pelo excesso de plásticos que o meio ambiente cuspir em nós. Imagine se os mares e as curvas de rios, florestas e quintais, aterros e beiras de rodovias colocassem para fora todo o plástico que demorarão mais centenas, alguns deles milhares de anos até sua decomposição. E viva a sacolinha de supermercado. E viva a garrafa de plástico. E viva a Topperware e suas reuniões para adoração aos potinhos de todas as cores e tamanhos. He, he, he… Do freezer ao microondas. Blargh!

Isto, é claro, sem falarmos nos pneus, no monóxido e no dióxido de carbono, nas queimadas, no fim da multiplicidade da flora e fauna. Viva aos mares, e aos derramamentos de óleo. Viva a aldeia global, e as emissões recordes de gases na atmosfera. Viva a tecnologia, e a queima do petróleo em seus mais diversos refinos.

Viva a mecanização da agricultura, que a cada ano nos traz safras recordes em cima de safras recordes. Viva ao custeio cada vez menor, e suas sementes transgênicas. Viva os agrotóxicos. Viva os mais de 2 milhões de brasileiros desempregados no campo, nos últimos 20 anos.

Viva aos rios poluídos, que já não causam mortes de afogamento. Agora só morrem os peixes. Viva aos edifícios, que tornam a vida mais segura. Agora só tememos os vizinhos, mas é porque ainda não tivemos tempo de nos conhecer melhor. Hi, hi, hi…

Em resposta ao presidente norte-americano Franklin Pierce, que tentava comprar suas terras, o chefe indígena Seattle, em 1854, deu exemplo de consciência holística e ecológica, muito antes de falarmos em ecologia, e é conhecido como o primeiro manifesto ecológico da história da humanidade. Aliás, um humanista. Trata-se de um “grito contra a injustiça dos que pensam ter o direito sobre a terra, excluindo seus semelhantes e outros seres vivos… uma denúncia à ganância do homem branco, cioso de seu intelecto”. Ho, ho, ho… Quem seria mesmo civilizado?

“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha.

Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas é sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam a nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar aos seus filhos que os rios são nossos irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de flores na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se o homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou debate dos sapos ao redor de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante, há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição, o homem branco deve tratar os animais dessa terra como irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planîcie, abandonados pelo homem branco que o alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecermos vivos.
O que é os homens sem os animais? Se todos os animais se fossem os homens morreriam de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar as suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisa estão ligadas como o sangue que une a família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fazer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco cujo Deus caminha e fala como ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídos por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia?

Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência.”

Como diria Hobbes “homo homini lupus”, hu, hu, hu… Fui! Tchau pra ti!

Sáb
10
Fev '07

Se a morte é o fim de tudo, então viver é tudo. (Richard D. Richardson)

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Férias sempre são bem-vindas! Pena que sempre acabam. Mesmo quando passamos nossas férias no Limbo. É para lá que eu fui. Maldita hora em que voltei. Domenico de Masi fala em seu Ócio Criativo, sobre o que faremos quando o mundo chegar a uma planificação de sua economia. Eu aposto que mais do que hoje, muitos mais passarão mais tempo jogando golfe ou olhando televisão na maior parte do dia, na maior parte dos dias de uma semana. Imagino como será a criminalidade e os suicídios com tanto ócio… há, há, há…

Mas ainda assim férias são sempre férias, e sempre bem-vindas! Foram 45 dias, e qual não foi a minha surpresa ao ver que este sitezinho está ficando bem interessante. Gostei muito de ver as modificações, pequenas alterações no layout, coberturas bem amplas, a parte da historia da cidade. Aliás, parabéns ao Eduardo Holmes pelo belíssimo e aplaudidíssimo festival de teatro, humor e música que proporcionou aos hamburguenses. Herói da resistência este rapaz. Nada como a iniciativa privada! Também heróica iniciativa privada, pois além do governo não ajudar, faz de tudo para puxar para baixo. Qualquer empresa trabalha hoje muito mais para o governo, diretamente, do que para promover o avanço social e empregar. Lucro? Talvez seja isso que eles chamam de socialismo! Abaixo o poder econômico! E qualquer coisa que se disser, diferente disso, é piada! He, he, he… Bem, exclua aí os bancos e quaisquer entidades financeiras, pois neste caso os lucros é que são a piada.

Não gosto de criticar. Prefiro provocar, pois fica mais imparcial. Mas como não temo por me posicionar, estamos mesmo muito mal-servidos em todos os âmbitos. É desgoverno municipal, estadual e federal, é executivo (que executa os aposentados, empresários, trabalhadores, educandos), legislativo (que adora legislar sobre o próprio salário) e judiciário (estes gostam de tênis, outros de golfe, e ponto). Cada um por si, e Deus por nós! Aliás, Ele não era brasileiro? O Jô Soares certa vez simulou uma entrevista com Ele, algo bastante surreal. O mandato Dele é eterno, o que corresponde, no Brasil, a cerca de 4 anos, o tempo do mandato do Presidente, já que 4 anos é uma eternidade para nós. O que Deus responderia hoje, em tempos de reeleição… hi, hi, hi… Mas gostei mesmo quando neste ensaio ele pergunta por que Deus poupou o Brasil de tantas desgraças naturais como furacões, maremotos, terremotos, nevascas, vulcões, guerras, presentes em tantas partes do mundo… se isto simbolizaria a certeza de que Deus era brasileiro. A resposta? Curta e grossa: com os governos que este país tem, precisa de mais catástrofes? Ho, ho, ho…

Mas fico feliz ao ler as noticias, reportagens, entrevistas, novidades do Portal, pois conseguem mostrar quantas coisas boas e bonitas se faz aqui, perto de nós. Tenho posto uma bacia em frente à televisão, antes de ligá-la, para que o sangue que jorra pela tela não manche o tapete da sala. Aliás, televisão, fala sério! Em tempos de Big Brother não da para querer. Ser popular no nosso país é, quase sempre, sinônimo de baixaria, violência ou no mínimo de gosto muito duvidoso. Moral? Pfuh! Ao ligar a televisão, pela enésima vez tive de me contentar em assistir ao documentário “O Sexo dos Marsupiais”, na TV Guaíba. Apesar da sacanagem entre os cangurus rolar solta, foram muito mais comportados do que em qualquer peça de teledramaturgia brasileira.

E o cara que ganhou todo aquele prêmio na Mega e levou para casa todo aquele conjunto de marfim? Será que chifres de cornos são de marfim? Putz, o que vai dar de gente incentivando a mulher para fazer um extra, vendendo marfim. Quando já andava de cabeça baixa de tanto peso, levou para casa um conjunto completo de balas. “Dinheiro na mão é vendaval.” Imagino que todos que andavam com ciúmes de uma hora para outra não quereriam trocar de lugar com ele. Não mais. Essas coisas me confortam. Dinheiro, sexo e poder sempre se confundiram, se misturaram, andaram juntos. Uma combinação explosiva. E na política então, sempre permearam seus bastidores… é uma pena que nunca leremos um livro da Cafetina de Brasília. Jorge Amado se reviraria.

Nosso país poderia mudar de nome. Algo entre Falklands, Galapágos, Guiné, Haiti, Honduras, Hipócritas… isso, acho que é isso, isso mesmo: República Popular de Hipócritas! Acho que combina muito com tudo o que vemos: PAC, Pactos, pacas, receptivos, vices psicodélicos, sanguessugas e mensaleiros. Novos jeitinhos de governar, os mesmos sujeitos, as mesmas sujeiras. Republica de Hipócritas.

Aliás, sabem aqueles guarda-chuvas que todos perdemos e que ninguém nunca acha? Todo mundo já perdeu pelo menos três guarda-chuvas, e nunca achamos sequer um… Estão todos depositados no Limbo. São montanhas e montanhas de guarda-chuvas estocados… hu, hu, hu… Mas tudo bem, o problema maior não é a água que vem de cima, esta seca. O problema é o mar, de lama. Compremos botes, bóias e coletes. Fui! Tchau pra ti!

Seg
25
Dez '06

A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo. (Anais Nim)

Deu na Carta Maior!

O rolo foi grande, mas obolG tratou de desconversar!!! Jornalista será demitido por questionar a parcialidade do jornalismo da emissora… uhuhahahuha… ushuashushauhashua… ha, ha, ha… grande novidade… gostei de ver como as outras bateram em cima, digo, caíram de PAU!!! A Record se deliciou…

O jornalista Rodrigo Vianna denunciou a forma como era tratada a cobertura das eleições 2006 pela emissora. Curioso que isto não passou pela cabeça de ninguém… apenas pela dele. Aliás, devem ser aquelas vozes que ficam gritando de forma insuportável dentro da cabeça dele.

Segundo a denúncia do jornalista, a orientação era para que se baixasse o sarrafo no PT, mas que não fossem veiculadas as fotos em que tucanos faziam entregas de ambulâncias ao lado dos de-puta-dos sanguessugas, sim, porque estes Deputados não são… tenho pena das mães, que tanto sofrem para colacar seus filhos no mundo e cria-los, e um belo dia eles aparecem corrompidos pela política… Que bom que nem todos são assim… só alguns… he, he, he…  o problema é generalizar. Mas eu não! Eu fora! Sai da minha aba!

Um coisa atormenta o meu pensamento: pra que bater no PT? Precisa? Por que pegar o presidente e “crow”? Precisa? Bater em morto não tem graça nenhuma…

Alguns trechos são meio fantasiosos… quase surreais… tipo “furada foi a cobertura da eleição”, “por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?”, “está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de ‘pretos e pardos’”, “nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política”. Hi, hi, hi… muito bom… meio forçado, mas muito bom.

Para quem não viu (possivelmente a repercussão vai ser meia-boca), veja na integra a reportagem da Carta Maior e a maior carta(da) do jornalista Rodrigo Vianna:

 

Repórter da TV Globo denuncia parcialidade na cobertura das eleições de 2006

Rodrigo Vianna, após questionar a cobertura da emissora das eleições, foi afastado do noticiário político. Nesta terça-feira (19), foi informado de que a Globo, após 12 anos, pretendia não renovar seu contrato. Em carta enviada aos colegas, obtida pela Carta Maior, ele acusa a parcialidade da empresa.

Bia Barbosa e Gilberto Maringoni – Carta Maior

SÃO PAULO - O repórter especial da Rede Globo de Televisão em São Paulo, Rodrigo Vianna, foi informado nesta terça-feira (19) que a empresa não pretende renovar seu contrato de trabalho, que expira em 31 de janeiro próximo. Profissional experiente, Vianna trabalha na rede desde 1995 e produziu mais de duas dezenas de matérias para o Globo Repórter, além de cobrir seis processos eleitorais. Vianna também mediou debates eleitorais para a prefeitura de Belém (2004) e para o governo do Mato Grosso (2006).
Segundo colegas, Vianna já estava decidido a também não renovar seu contrato em função do que ocorreu desde o início do processo eleitoral. Ao lado de outros jornalistas da emissora, ele foi um dos que questionou a parcialidade da cobertura realizada pela Globo. Nos últimos meses, foi afastado da cobertura política e destacado para atuar nos jornais locais. Procurado pela reportagem da Carta Maior, Vianna informou que não pode se manifestar por exigências do seu contrato, ainda em vigor. A reportagem também tentou falar com o chefe de jornalismo em São Paulo, Luiz Cláudio Latgé, que não retornou as ligações ou respondeu ao e-mail enviado até o fechamento da matéria.
Imediatamente após a conversa com a chefia no início da tarde desta terça, Rodrigo Vianna teve seu correio eletrônico interno e seu crachá bloqueados. Antes, no entanto, conseguiu enviar aos colegas uma mensagem em que explica as razões de seu afastamento e externa sua insatisfação com a cobertura da última disputa presidencial.
“O que fizemos na véspera da eleição foi incrível”, diz ele, ao comentar o desequilíbrio da cobertura. “Ninguém na redação queria poupar os petistas (…) O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas [Negri, ex-ministro da Saúde]!”
Vianna destaca ainda “aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da Carta Capital”. Segundo ele, “foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!”
Leia abaixo a íntegra da mensagem

Lealdade
Rodrigo Vianna

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: “você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros”. Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: “olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás”.
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: “o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto”.
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os “aloprados do PT” aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: “por que não vamos repercutir a matéria da “Istoé”, mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?”
Por que isso, por que aquilo… Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de “petistas” e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do “governo anterior”, acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o “petista” Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as “suspeitas”, e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente… A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada…).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do “dossiê”. Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas “desagradáveis”. A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores…
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele… Mas, a Globo não pôs no ar… O portal “G-1″ botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a “CartaCapital” ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da “CartaCapital”. Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!
Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista “Quatro Rodas” dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição…
De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de “pretos e pardos”. Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha…
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como “concubinas” ou “amásias”. Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de “turcos” pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de “Parada dos Pederastas”. Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.
Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
“(…)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança”.
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas… Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: “lealdade e confiança”. Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da “lealdade”.
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi “leal” com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
“Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando”.
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na “geladeira”. Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus “colaboradores” (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - “colaboradores”, essa é boa… Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem…
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces…
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.
Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia “vallet park”, nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas…
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem “lealdade”; parecem “poderosos chefões” falando com seus seguidores… Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.
Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.
Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.
Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna.

 

Ho, ho, ho… acho que este cara precisa mudar de planeta… onde será que ele vai trabalhar daqui para frente?!?

Não bastasse o temerário futuro deste cidadão, agora a obolG vai fazer de tudo para desconstituir a própria figura desta figura. Outro texto tão interessante quanto este é a resposta – posicionamento – da obolG, através do chefe de jornalismo da emissora em São Paulo, Luiz Cláudio Latgé:

 

Rede Globo responde à carta do jornalista Rodrigo Vianna

Em correio eletrônico divulgado por sua assessoria de imprensa, o chefe de jornalismo da Rede Globo em São Paulo, Luiz Claudio Latgé, respondeu à mensagem do repórter Rodrigo Vianna.

Da Redação – Carta Maior

SÃO PAULO - Em correio eletrônico enviado à redação da Carta Maior na tarde desta quarta-feira (20), a assessoria de imprensa da Rede Globo divulgou a resposta do chefe de jornalismo da emissora em São Paulo, Luiz Claudio Latgé, à mensagem do repórter Rodrigo Vianna. Assim como a mensagem de Vianna, o texto de Latgé foi enviado internamente aos funcionários da Globo. Na tarde de terça, depois de ter acesso à carta de Rodrigo Vianna, a Carta Maior solicitou uma entrevista com Latgé, mas não foi atendida.
Leia abaixo a íntegra da resposta de Luiz Claudio Latgé:
O repórter Rodrigo Vianna foi informado hoje de que o contrato dele, que termina dia 31 de janeiro, não será renovado. A comunicação com um mês de antecedência é uma exigência do contrato. Está claro que o Rodrigo preparou-se para este momento, a ponto de ter uma longa mensagem pronta a ser divulgada. Os motivos da não renovação nada têm a ver com a cobertura das eleições, como ele especula. Em respeito a ele, jamais pretendi torná-los públicos nem farei isso agora. Rodrigo, porém, nem os quis conhecer. Ao ouvir de mim que o contrato não seria renovado, saiu intempestivamente de minha sala e enviou um e-mail para a Redação.
Rodrigo deve ter pensado que poderia encontrar no ataque aos colegas e na mentira uma saída nobre. Com essa atitude, ele pareceu querer se defender de acusações que jamais passaram pela nossa cabeça. A pergunta que fica é a seguinte: se a integridade dele é tão elevada, como ele supõe, por que não se demitiu anteriormente, convivendo durante meses com uma situação que ele classifica de insuportável? Não o fez porque tinha como certo que seu contrato seria renovado. Para que não perdesse o emprego por motivos menos nobres, preferiu repetir, quase literalmente, acusações que jornalistas mal-intencionados já nos tinham feito. Talvez tenha pensado que, assim, sairia como mártir. Deu a entender que partiu dele a iniciativa de sair, quando na verdade todos os sinais que emitia eram de que queria ficar. Lamento que tenha perdido o equilíbrio e tentado transformar um assunto funcional interno numa questão política, que jamais existiu. Sinto não ter percebido antes que, intuindo que poderia ser desligado por outros motivos, construa essa “justificativa política”, sem base na realidade. Foi um comportamento indigno. E não é justo com o trabalho de todos deixar sem resposta as críticas que ele nos faz.
Fizemos uma cobertura eleitoral intensa e democrática, com a abertura de espaços em todos os nossos telejornais para todos os partidos, que mais de uma vez reconheceram nossa isenção e a importância do serviço prestado ao público. Não inventamos uma pilha de dinheiro na mesa da Polícia Federal. Já saímos a público antes para refutar estas teorias conspiratórias produzidas por grupos políticos e jornalistas descompromissados com a verdade.
Nosso noticiário em nada foi diferente dos demais veículos de imprensa de importância. De setembro a outubro, demos 20 reportagens sobre Abel Pereira e Barjas Negri. Todos os assuntos foram investigados, sim, e noticiados segundo o seu grau de relevância. Tudo o que fizemos foi exposto ao juízo do público em nossas edições diárias. Nossa isenção jornalística foi elogiada em artigos até por veículos de grupos concorrentes.
Não há nada em nossa conduta ou em nossas decisões editoriais que tenha nos afastado do bom jornalismo e muito menos que nos envergonhe.
A confusão de idéias que o Rodrigo Vianna expressa deve ter razões pessoais e compromissos que não nos cabe julgar. Peço desculpas aos colegas pelos ataques e ofensas por ele dirigidos.
Luiz Claudio Latgé

 

Ao menos estas coisas só acontecem lá longe: em São Paulo… o Rio Grande é uma ilha, e Novo Hamburgo, um mar de rosas… o Estado é laico, separado da Igreja… e dos veículos de comunicação… Hu, hu, hu…

                             

Tá bom, eu sei: tá um saco! Muito grande! Ninguém vai ler… ninguém quer saber… Mas você, Alter, não fica tentando imaginar se estas coisas só aconteceram uma vez na vida? São poucos os magoados? São poucos os éticos? São poucos os pilantras? São poucos os fortes? São poucos os fracos? Ou realmente nada disso seria verdade, e o rapaz é mesmo um desajustado?!? Tô fora… saltei… em briga de cachorro grande quero mais é estar longe… fui! Tchau pra ti!