Archive for novembro, 2006

AUMÊNDOS domingo, novembro 26th, 2006

Cumôia!
Main Cott na miléssima bodênzia, esdradosférigo, indercalágdigo e infinido!
Guen nesde baís cãnha novênda bor zênt te aumêndo? Ainta maiz guãndo vôn tá tsassêt bila bro zalário mínim!
O gue ze fais gon tsassêt bíla? Tá brá antá te ônipus tois tía e maiz uns chiclé. Ze for brá domá uns pía brá comemorira o aumênt, tá umas zêis, isdo é, uma a gáda zingo tía.
Tinovo eu reglamãnto, eu zêi. O retatôa acapô te sapê o gue eu dáva esgrevênto e chá tís: maiz Chacó, du non zápe esgrevê ôdra gôissa? Denho gue bará te falá o gue dô esgrevênto, ânts te derminá, azín non me ênjen o sác e tebôis non tá maiz dembo te mutá. E tebois, zó os meus leidoa bóte tíizê gue guéren ou non guérn un teterminádo azúnt!
Maiz o gue el gué? Alquén den gue figá inticnáto gon ésda ropalhêra, ésda fálda te zenzipilitád, ésda malantráche e êsde tescalápro gue azóla o baís.
E o biór é gue ze a chênde non faiz náta, zó ta brá tizê mêssmo: Main Cott, ônte vômo bará? Aliás, ésda intacassôn eu chá esgút há maiz te zingüênda ano.
Os bolític e brinzibalmênt os teputóda ton guerênto vê adé onte vai a nóza gapacitáde de tolerâns gon as falgadrúa. E barés gue els non don breocupádo, borgue nóiz den un resservadório muido crãnde. E póta crãnde nísdo.
Bor falá en resservadório, ninquén (dá pon, uns téz ou drínda ton) dá breogupádo con a nóza áqua. E non é zó gon o rio tos Zínos, non, é a áqua to blanêt gue vai acapá. Agui no Prassíl vai temorá un pôc maiz, maiz vai acapá. É gue as bezôa ton muido drangüila bor gue zó fálda o breziôsso líquid no verôn e bor pocas hóra. Tebôis vólda e ze esgués. Páss úff, minha chênde: ólha gomo é no nortést. Lá as bezôa ântan guilômedros brá púsga un plêch te vássa e un tia nóiz dampên vômo fassê isdo dampên.
Bor falá nísdo, êsde é ôdro azúnt gue eu vô falá tinovo, adé bor gue betíran brá eu non techá êsde azúnt morê, gomo o rio.
Ah, e amanhã, láva o áudo zó gon uns pálde te áqua e non gon a manquêra.

CLOSSÁRIO
Ântan -
andam
Aumêndo - aumento
Azóla - assola
Azúnt - assunto
Baís - país
Betíran - pediram
Bezôa - pessoas
Bila - pila
Blanêt - planeta
Bodênzia - potência
Bolític - políticos
Breziôsso - precioso
Drínda - trinta
Ênjen - enchem
Esdradosférigo - estratosférico
Esgués - esquecem
Esgút - escuto
Falgadrúa - falcatrua
Gapacitáde - capacidade
Indercalágdigo - intergaláctico
Infinido - infinito
Intacassôn - indagação
Inticnáto - indignado
Malantráche - malandragem
Manquêra - mangueira
Morê - morrer
Mutá - mudar
Nortést - nordeste
Novênda bor zênt - noventa por cento
Pálde - balde
Páss úff - cuidado
Pía - cerveja
Plêch - lata
Prassíl - Brasil
Resservadório - reservatório
Retatôa - redator
Ropalhêra - roubalheira
Sác - saco
Tebôis - depois
Teputóda - deputados
Tescalápro - descalabro
Teterminádo - determinado
Téz - dez
Tinovo - de novo
Tois tía - dois dias
Tolerâns - tolerância
Tsassêt - dezessete
Vássa - água
Zêis - seis
Zenzipilitád - sensibilidade
Zingo tía - cinco dias
Zingüênda - cinqüenta

Coluna publicada na Folha de Novo Hamburgo em 24 de novembro de 2006

BETÍT CATÔ terça-feira, novembro 21st, 2006

Cumôia!
Hôche vomo amenissá um pôc as gôissa, borgue uldimamênt era zó broplêm. Acóra jêga, uma veiz.
Adé uma rezêida eu vô tá: é te betít catô!
Pon, vômo gomezá to gomês: abessár ta minha déra zê engosdáta na Frãns, eu non zei muidas balávra em franzês. Zó jefrolê, apachúr, zuflê, groaçôn e acóra êsde tôce, gue eu núnga dínha ovído falá, guãndo maiz gomê!
Guen falô ésda balávra foi o etitôa, há uns tois ano. El gomeu isdo num odél, lá na zéra em Gajías. Barés gue os idaliênich gabricháron e el núnga maiz esguezêu. Zêmbre gue alquén fala gue almozô ou chãndô en un lucár chíc (opa, odra balávra franzeza), el bergúnda zé dinha betít catô. Ze non dínha, el tís gue non éra chíc.
No tomingo, a chênde dáva brogurãnto umas rezêida brá fassê un almôss tiferênt e numa revisda a Hulda ajô esde tôce e bergundô o gue era isdo. Eu tís: isdo vai me techá numa pôa gon o jefínho!
Endôn aí vai: tucênts e zingüenda crãma te píta chocolóda; um táss te marcarín; fía áia; un táss te tsúca e un táss te farín. Póta nun refradário o chocolóda bicádo e a marcarín e léva brá o pãnho maria (eu guería zapê a oríchen desde nôm).
Enguãndo isdo, páte os áia gon o farín e o tsúca adé ficá homochên. Aos pôc chunda o chocolóda teredido e méje maiz un pôc.
Terãma en forminha intivituál, undátas e enfarinhátas. Leva brá azá en forno áldo (breaguezíto) bor oido minúdos. Redíra e zérve lóco, bor gue guen dá bérdo chá vai dá lôc te vondáte te gomê. Ah, e fíga melhoa aínta, con un clúmba te zorvêt!

CLOSSÁRIO
Abessár -
apesar
Áia - ovos
Áldo - alto
Amenissá - amenizar
Apachúr - abajur
Balávra - palavra
Bérdo - perto
Betít catô - petit gateau
Bicádo - picado
Breaguezíto - pré-aquecido
Brogurãnto - procurando
Broplêm - problemas
Chãndô - jantou
Chíc - chique
Clúmba - monte
Crãma - gramas
Cumôia - bom dia
Déra - terra
Engosdáta - encostada
Etitôa - editor
Farín - farinha
Fía - quatro
Frãns - França
Gabricháron - capricharam
Gajías - Caxias
Gôissa - coisa
Gomezá - começa
Groaçôn - croissant
Hôche - hoje
Homochên - homogêneo
Idaliênich - italianos
Jefínho - chefinho
Jefrolê - chevrolet
Lóco - logo
Marcarín - margarina
Odél - hotel
Oríchen - origem
Pãnho - banho
Píta chocolóda - chocolate amargo
Pôa - boa
Rezêida - receita
Táss - xícara
Tôce - doce
Tsúca - açúcar
Tucênts e zingüenda - duzentos e cinqüenta
Undátas - untadas
Zéra - serra
Zuflê - suflê

Coluna publicada no Jornal Folha de Novo Hamburgo
em 17 de novembro de 2006

BAZEÁTAS, BAZÊIOS E, TE GONGRÉT, NÍCS… quinta-feira, novembro 9th, 2006

Cumôia!
Ésda zemãna dêve un bazêio no rio tos Zínos, gon o párgo Mardín Besgatoa brá mosdrá a realitáde to rio.
Na jegáta, dotos canháron un betás te lumba brêt, gue era bra ussá en zinál te lúdo bela mórde tos bêch. Main Cott, adé guãndo ze vai fassê esde dípo te goissa bra melhorira o nózo munto? É bazeáta belo fin ta violêns, bazêio belo fín ta mórde te bêch, é fáija brêt nos audomóvel e ônipos, guãndo móre un modoríst e bor aí vai.
A Hulda tís gue ton fassêndo duto erádo: non ze tevia fassê bazeáta gondra a violêns, gue chá son tuas balávra necatív (gondra e violêns) e zín, a favor tá báz, gue chá son tuas balávra bossitív; e non bazeáta gondra a boluiçôn tas áqua e zín, a favor to meio ampiênt gue ze vive. Zó gon isdo chá ze goméza a í a favor e non gondra.
Eu chá brefíro ussá piotiverzitáde (gue é un doto) e non ampiênt bela metáde.

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Un golôn dáva indo bro zêndro ta vila e barô o carôs brá gonversira un pôc gon un vissínho, gue abroveidô e betiu brá el drassê un pôc te fúm, gue o tel chá dáva no fin.
Maiz ãnts te fassê as gombras e í no parpêro, el foi na farmás bra gonverzá gon o farmazêudico, zobre uns broplêm tá frau tel. Na golônia era zembre o farmazêudico gue ressolvia duto, borgue non dinha tôcta. Guál é o broplêm, guería zapê e o golôn tís: “hítsa, sótsa, mentsa, hêtsa!” O gue el dáva tizendo, era gue a frau dáva zendindo uns galorôn, brovavelmênt bor gáussa da menobáus e guería tizê, lideralmênt, galôr, ela tíz gue ája gue dên.

CLOSSÁRIO
Ája -
acha
Ãnts - antes
Báz - paz
Bazêio - passeio
Bêch - peixes
Betás - pedaço
Bossitív - positivo
Brefíro - prefiro
Brêt - preto
Broplêm - problema
Carôs - carroça
Cumôia - bom dia
Dên - tem
Doto - todo
Drassê - trazer
Fáija - faixa
Farmás - farmácia
Frau - esposa, mulher
Fúm - fumo
Galôr - calor
Galorôn - calorão
Golôn - colono
Goméza - começa
Gongrét - concreto
Gonversira - conversar
Jegáta - chegada
Lúdo - luto
Lumba - pano
Main Cott - Meu Deus
Mardín Besgatoa - Martin Pescador
Menobáus - menopausa
Móre - morre
Necatív - negativo
Nícs - nada
Párgo - barco
Parpêro - barbeiro
Piotiverzitáde - biodiversidede
Pôc - pouco
Realitáde - realidade
Tôcta - doutor
Zapê - saber
Zêndro - centro

Coluna publicada no Jornal Folha de Novo Hamburgo
em 10 de novembro de 2006

TISGRIMINAÇÔN, NON quinta-feira, novembro 2nd, 2006

Cumôia!
Me berdõen bor voldíra maiz uma veiz a falá en bolític, maiz é un azúnt bulsãnt uldimamênt…
Endlich, uma veiz, derminô ésda parafunda gue eu chá non aqüendáva maiz.
Zó non endendo bor gue o bovo faiz fésda bros eleidos, non era melhoa fassê tebois de gumbrita as broméza?
E bor gue castá maiz uns milhôn en fésda te bóze, ze el chá dá lá tendro (no gásso, o brezitênt) e non brezíssa endrá tinovo?

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Há tuas zemãna eu esgrevi zobre tisgriminaçôn e ãnts te publiquira bergundei bro etitoa, ze non ia tá cálho, te alquén ze zendi ofentido e el tís gue non, gue as bezôa me gonhés e zápen gue eu non zo azin.
Maiz non é gue un leidoa me mantô um emeil (el tís gue mantô muidas veiz e gue zembre voldáva. Pon, ze voldáva era bor gue dáva erádo, non é?). Eu rebrotúzo:
“Sr. Jacó Rudi Plitzlamp, tentei enviar este e-mail várias vezes, desde segunda-feira passada e sempre voltou. Faço agora nova tentativa: Causou-me muita estranheza sua coluna “Trisgriminaçôn” do dia 20-10-06.
O sr. se queixa de discriminação, mas usa e abusa em sua coluna de termos que discriminam as pessoas referidas nela. Na minha modesta opinião, quem não discrimina, como o sr. se declara, não usa termos do tipo “… os chuáts non zôn tiferent (quétse, els zôn, maiz non zôn) …” e não entendi por que ao referir-se à moça que o confundiu com um motorista chamou-a de “… necrinha (pen chenchia) …”. Se ela fosse branca e dissesse a mesma a frase, o sr. também consideraria discriminação? Duvido! Gostaria de ver esclarecimentos na coluna. Noé Alner Moreira – Novo Hamburgo.”

Main Cott, Noé, du me inderbredô mál, eu dáva pringãndo: eu às veiz invêndo umas gôissa (non zei ze dá brá nodá). E a mêtchia nen era necrínha, eu fis un gondrapônt bor zê alemôn e dá de grajá to chornál, taí eu ressolvi tizê gue era chuátsia.
O melhoa, Noé, é gue ninquên maiz me jingô!
Messmo azín, vô cuidira un poc maiz gon esdes azúnt bolêmic, zenon ainta vô levá un brocés, Main Cott!

Clossário
Azúnt Bulsãnt - assunto pulsante
Berdõen - perdoem
Bolêmic - polêmico
Bolític - política
Brezitênt - presidente
Brocés - processo
Cálho - galho
Castá - gastar
Chuátsia - pretinha
Cuidira - cuidar
Endlich - finalmente
Etitoa - Editor
Fésda te bóze - festa de posse
Gondrapônt - contraponto
Grajá - crachá
Gumbrita - cumprida
Inderbredô - interpretou
Leidoa - leitor
Main Cott - Meu Deus
Mêtchia - menina
Necrínha - negrinha
Nodá - notar
Ofentido - ofendido
Parafunda - barafunda
Pringãndo - brincando
Rebrotúzo - reproduzo
Tézima Barde - décima parte
Tisgriminaçôn - discriminação
Tuas zemãna - duas semanas
Uldimamênt - ultimamente
Voldíra - voltar

Coluna publicada no Jornal Folha de Novo Hamburgo
em 3 de novembro de 2006

O PARPÊRO quarta-feira, novembro 1st, 2006

Cumôia!
Onde tinoide a chende dava domãndo jimarôn e a Hulda falô azín:
Ich pin cláin (eu sou pequeno)
Tu pist crôs (tu és grande)
Quêp main pecchia (dê o meu presentinho)
Und pác tich los! (e te manda!)
Eu ri muido e ajêi muido inderessãnt, borgue zecúndo ela, as griãnza tizian isdo na éboga to Pels Nicãl.
Bor falá nêl, maiz uns tias e el chá vai dá nas lócha, gue chá den enfêides tesde zedêmbro. Maiz uns ano, vomo dê Nadál o ano doto, gomo no nortést e no nórde den garnavál o ano doto.
E tomingo, vômo tinovo votíra! Eu ájo gue… opa, eu tís gue non ia falá maiz náta zopre isdo!
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O Álfred era un parpêro muido broguráto, borgue, alén te gortá pen tireidinho os hôa tos hom, ainta tisgutía fúspál e relichiôn. Te frau el dampên zembre dinha azúnt, borgue gosdáva muido (e a frau tel era muido chên), maiz dampên faláva tas frau tos ôts e bor aí afora. Zembre gue dinha agondezíto alcúma goissa, era zó brogurá o Álfred gue ze non zopésse, invendáva…
Dota zemãna, enguãndo ele gordáva capêlo, bazáva un rabáz e bergundáva: guãnts den na minha frênt? Zembre dinha uns guádro ô zíngo e el ia enpóra. Maiz uns tía e el vinha tinovo. O parpêro bergundô bros frequês, ze els zapían guen era o gára. Ninquên zapía.
O dembo bazáva, o gára voldáva brá bergundá guãnts dinha na frênt e ia enpóra.
Gomo dava duto chá pen guriôsso bra zapê guen el era, téran uns pila bro Chessínho, gue encracháva os chú ali, brá tescopri guen ele era e onte ía.
O birú voldô téz minudo tebois e guãndo bergundáran guen era, el tis gue non tesgopriu. E onte el foi, bergundô o Álfred. O curi pachô a capês e tis: na dua gássa.

CLOSSÁRIO
Agondezíto -
acontecido
Azúnt - assunto
Birú - peru
Broguráto - procurado
Capêlo - cabelo
Capês - cabeça
Chên - bonito
Chessínho - Gersinho
Chú - sapatos
Dembo - tempo
Dua - tua
Éboga - época
Encracháva - engraxava
Enfêides - enfeites
Enpóra - embora
Frau - mulher
Frênt - frente
Frequês - freguês
Fúspál - futebol
Gára - cara
Gássa - casa
Gordáva - cortava
Guádro ô zíngo - quatro ou cinco
Guãnts - quantos
Guriôsso - curioso
Hôa - cabelos
Hom - homem
Jimarôn - chimarrão
Lócha - lojas
Nadál - Natal
Nórde - norte
Nortést - nordeste
Pachô - baixou
Parpêro - barbeiro
Pels Nicãl - Papai Noel
Rabáz - rapaz
Reilichiôn - religião
Tescopri - descobrir
Tinoide - de noite
Tinovo - de novo
Votíra - votar
Zapía - sabia
Zedêmbro - setembro
Zopésse - soubesse

Coluna publicada no Jornal Folha de Novo Hamburgo
em 27 de outubro de 2006